O filho de Nelson Nahim Matheus de Oliveira, Hélio Montezano, acompanhado da esposa do ex-presidente da Câmara Municipal de Campos, Nélia, do irmão de Nahim, Francisco Matheus e do genro dele, Lucas, concedeu uma entrevista coletiva, na manhã desta quinta-feira (15/07), para esclarecer alguns pontos do inquérito, onde o pai dele é citado.

Hélio apresentou à imprensa pontos distintos do inquérito, onde há citações a Nahin, tanto da testemunha, quanto da vítima. Um ponto que chama atenção nas páginas é a afirmação da vítima, que nunca teria prestado serviços sexuais a Nahim.

Segundo Hélio, o inquérito foi formulado a partir de depoimentos de três testemunhas: Uma das adolescentes que estariam sendo aliciadas, uma conselheira tutelar e um policial, sendo que a única pessoa que afirma ter visto algo com relação aos acusados é a adolescente. O filho de Nahim também explicou a cronologia do inquérito:

Segundo ele, no dia 28 de maio de 2009, a adolescente prestou depoimento na 146ª Delegacia, em Guarus, à 1h20 e em momento algum citou Nelson Nahim. No mesmo dia, às 11h52, ela volta à delegacia e afirma que ouviu dizer que uma suposta vítima sairia com Nelson Nahim.

A mesma testemunha, afirma depois ao Ministério Público estadual que teria visto Nahim buscar a outra adolescente de carro, em Custodópolis, onde as vítimas ficariam.

Já no Ministério Público, no Rio de Janeiro, a mesma testemunha não teria reconhecido as fotos de Nelson Nahim.

Posteriormente, a mesma testemunha alega estar sofrendo uma possível coação por parte de Nelson Nahim, em 13 de dezembro de 2010, dia em que Nahim estava no Tribunal de Contas, no Rio de Janeiro, cumprindo exigências do cargo de prefeito, que ele ocupava na época. Posteriormente, a testemunha  mudou novamente a versão, alegando que na verdade estaria sofrendo coação por alguém a mando de Nelson Nahim.

Com relação às declarações de que a testemunha teria dado, informando que ela chegou a ir ao sítio da família de Nahim, acompanhando outro indiciado e que ela o teria visto rapidamente, a família explica que na época o sítio ainda não tinha a casa construída, por isso não era possível que esses encontros acontecessem lá.

Com relação ao depoimento da vítima, a menina apontada pela testemunha como a garota que “sairia” com Nahim, a adolescente afirmou nunca ter atendido o político e que se tivesse qualquer contato com ele o reconheceria, já que ela o conhecia há tempo, tendo a mãe dela inclusive trabalhado em campanhas de Nelson.

“A Justiça aceitou o depoimento da vítima para acolher outros quatro réus, mas não aceitou para inocentar meu pai”, questiona Hélio.

ESPOSA QUEBRA O SILÊNCIO
Nélia, casada há 34 anos com Nelson Nahim, decidiu também se pronunciar, não sobre o inquérito, mas sobre a conduta do marido. “Eu seria a primeira a condená-lo se eu tivesse uma gota de dúvida. Tenho três filhas, netas, várias sobrinhas, eu jamais poderia aceitar, por inúmeros motivos uma conduta como essa, e se eu o defendo é porque eu conheço profundamente meu marido. Se eu não acreditasse na conduta dele eu não estaria nem em Campos, eu teria vergonha de andar na rua”. Desabafou.

O relato que eu tenho a fazer é sobre um homem que nunca chegou à casa bêbado, um homem que nunca bebeu, que nunca tragou um cigarro, que almoçava e jantava com a família. Eu não estou dizendo que ele é santo, porque nenhum homem é santo e nem nós somos, mas ele não fez uma coisa dessas”, afirmou Nélia, contando ainda, que chegou a rir lendo algumas partes do inquérito que entende ser descabidas.

O irmão de Nelson Mahim, Francisco Matheus, também presente à coletiva, disse que o irmão sempre foi um exemplo pra ele. “Quando meu pai morreu e eu era muito novo, ele sempre foi o exemplo que eu tive a seguir, ele sempre foi um referencial de conduta pra mim”. Afirma Francisco, ressaltando que confia na Justiça. “Sou funcionário do Tribunal de Justiça há anos e confio plenamente na Justiça, e sei que a justiça será feita”, afirma.

MENINAS DE GUARUS
Nelson Nahim está preso desde o dia 10 de junho, ele e mais 13 pessoas foram condenadas pela juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza no caso de exploração sexual de crianças e adolescentes que ficou conhecido como “Meninas de Guarus”.
O habeas corpus impetrado pelos advogados de Nahim ainda não foi julgado.

INVESTIGAÇÃO TEVE INÍCIO EM 2009
A investigação do caso teve início em 2009, quando uma das meninas que era submetida à exploração sexual procurou uma conselheira tutelar e relatou o que se passava. Inicialmente, o inquérito foi instaurado pela 146ª Delegacia, em Guarus. Com o surgimento de diversos nomes e práticas criminosas, a Promotoria de Investigação Penal do Ministério Público Estadual também passou a integrar as investigações.

“O procedimento foi bastante demorado, por causa de fatores diversos, inclusive a complexidade do caso, até que em 2014 seis promotores ofereceram a denúncia, onde foram apresentados 20 acusados, cada um por determinado número de crimes”, disse a promotora Ludmilla Rodrigues.

CONDENADOS
01) Leilson Rocha da Silva – 31 anos e um mês de prisão – Condenado por Cárcere privado, quadrilha armada, rufianismo, estupro de vulnerável e exploração sexual

02) Ronaldo de Souza Santos – 31 anos e um mês – Condenado por Cárcere privado, quadrilha armada, rufianismo, estupro de vulnerável e exploração sexual e tráfico de drogas

03) Thiago Machado Calil – 25 anos e oito meses – Condenado por Condenado por Cárcere privado (de 14 vítimas), quadrilha armada, rufianismo, estupro de vulnerável e exploração sexual

04) Fabrício Trindade Calil – 25 anos e oito meses – Condenado por Condenado por Cárcere privado (de 14 vítimas), quadrilha armada, rufianismo, estupro de vulnerável e exploração sexual

05) Renato Pinheiro Duarte – 14 anos – Condenado por rufianismo, exploração sexual e estupro de vulnerável

06) Nelson Nahim Matheus de Oliveira (ex-presidente da Câmara de Vereadores) – 12 anos – Condenado por estupro de vulnerável, coação no curso do processo e exploração sexual de adolescente

07) Fabio Lopes da Cruz – Oito anos – Condenado por estupro de vulnerável

08) Dovany Salvador Lopes da Silva – Oito anos – Condenado por estupro de vulnerável

09) Gustavo Ribeiro Poubaix Monteiro – Oito anos – Condenado por estupro de vulnerável

10) Robson Silva de Barros Costa – Oito anos  – Condenado por estupro de vulnerável

11) Marcos Alexandre dos Santos Ferreira (ex-vereador) – Sete anos – Condenado por estupro de vulnerável

12) Cleber Rocha da Silva – Seis anos e seis meses

13) Jayme Cesar de Siqueira – Seis anos – Condenado por estupro de vulnerável

14) Sergio Crespo Gimenes Junior – Um ano e seis meses – Condenado por coação no curso do processo

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