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Um dia após o tumulto e a paralisação da linha 3-Vermelha do metrô. Para a maioria, a confusão, que deixou a volta para casa caótica, poderia ter sido evitada com uma comunicação eficiente da companhia.

Por volta das 18h, uma das portas de uma composição apresentou falha e paralisou todo o ramal em 10 das 18 estações. Os botões de emergência de sete trens que vinham atrás foram acionados. Alguns passageiros optaram por sair do local pelos trilhos.

Marisa di Bonito, 20 anos, vendedora participou de perto do acontecimento.

— Eu vi tudo. Foi um caos. Fiquei na estação Anhangabaú esperando por duas horas tentando entrar em um trem. Tinha muito empurra-empurra. Quando finalmente consegui entrar, tive que sair. Ninguém deu informações sobre nada. Não sabíamos o que fazer. Faltam mais linhas, falta infraestrutura e engenheiro nesse País. Não tem organização.

Carlos Henrique Lisboa, 28 anos, vendedor, costuma sair da estação Brás e acompanhar uma colega até Corinthians-Itaquera. Ele conta que na estação Pedro II, os trens estavam demorando a sair no final da tarde de ontem.

— Quando chegou na Belém, já estava muito lotado. Lá, os funcionários pediram para sair do trem, pois o ar-condicionado estava com problemas. Após 20 minutos, a circulação dos trens voltou ao normal, mas com intervalos longos, de 15 minutos.  Cheguei na Corinthians-Itaquera, às 20h10. Na Tatuapé pediram para evacuar. Podiam ter avisado antes.

Apesar de concordar que o intervalo entre os trens já é bem reduzido, ele defende a criação de mais uma linha.

Robson Brandão, 52 anos, trabalha em Itapevi. Todos os dias ele sai da estação Carrão e vai até a Barra Funda. Mesmo levando cerca de uma hora, às vezes uma hora e meia para chegar ao trabalho, ele acredita que é melhor do que ir de carro. Para ele, o episódio desta terça-feira (4) foi o reflexo de uma má comunicação.

— Se tivessem uma comunicação eficiente, muitos problemas seriam evitados. Eu estava aqui ontem, deveriam ter avisado na Tatuapé que os trens iam parar. Foram nos avisar só na Belém. Para seguir meu caminho tive que passar por um lugar superperigoso.

Para Roger Oliveira de Lima, 37 anos, administrador de condomínios e professor de arte, o metrô era mais rápido antigamente.

— Eles devem aumentar a velocidade da prestação dos serviços, como era antes. Tenho lembranças de que não era tão demorado.

Segundo o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o ocorrido foi resultado da ação de um grupo de vândalos e não descartou a possibilidade de “sabotagem”. Lima discorda.

— O trem demorou a chegar à estação que foi ficando muito lotada. Eles ficam querendo responsabilizar o usuário, mas não é bem assim. O povo está deixando de ser passivo e estão devolvendo o que recebem.

Cristiane da Silva, 31 anos, passa todos os dias pela linha Vermelha, porém no contrafluxo, o que a ajuda a levar o filho de quatro anos para a escola com mais tranquilidade.

Ela sai da Penha, onde mora, e vai até Itaquera. Para fazer o trajeto é necessário sair com uma hora de antecedência.

— Eu espero passar dois, três até quatro trens para conseguir embarcar com meu filho. Sei que não é uma criança de colo e por isso não vão nos dar lugar para sentar, mas gostaria pelo menos de que tivesse um lugar para segurar. Com os trens lotados não dá.

Assim como Cristiane, Cristina Silva, de 52 anos, enfermeira, utiliza a linha Vermelha todos os dias. Mas, uma carona a livrou da desconfortável situação pela qual passaram milhares de usuários na noite de terça-feira.

— Esse trem que veio da Espanha é péssimo. O ar-condicionado é um exemplo. Agora nós estamos passando por um calor incomum, mas normalmente a temperatura é muito baixa dentro do veículo. Outra coisa que é inadmissível são os vidros fechados em um país com tanto tuberculoso, eu sei disso porque sou enfermeira, as pessoas ficam tossindo em um ambiente fechado.

 

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