Artigo publicado na página 2 da versão impressa de hoje (02)

Os mesmos rostos e discursos artificiais seguem intoxicando nossa atmosfera nessas duas últimas décadas. E, se depender da atual oposição, prosseguiremos reféns da mesma política enferrujada.

Figuras e ideias cansadas pelo tempo, sem nenhuma sensibilidade quanto àquilo que representam, vêm se perpetuando no poder. A inércia e competição interna por brilho, daqueles que se dizem do lado de cá, cedem uma brecha necessária para que estes anciões da má vontade continuem ditando as regras por aqui. É simplesmente inaceitável o comportamento das atuais peças desse desigual tabuleiro!

A verdade é que poucos são diferentes das sonoras críticas que expelem e muitos têm segundas e até terceiras intenções nesse metiê. Mas enquanto a bengala da conveniência não for substituída pela atitude e vontade de mudar, de verdade, a essência do jeito de se fazer política, nossa realidade será um eterno replay do mesmo “minuto da marmota”.

Oposicionistas não se cansam de dizer que o deputado Garotinho é bem sucedido na manutenção do poder porque tem os meios para isso, tem a máquina. Pois bem, é óbvio que sim. Mas, eu, que nem nascido era, ouço histórias de seu surgimento e de sua vitória contra os poderosos, hoje representados por ele. O deputado à época não possuía máquina alguma e, no ano de 1988, quando venceu a eleição a prefeito de Campos — nesta eu já tinha um ano de vida. Muitos não gostam de ouvir, mas é um fato; não se tem na oposição, ou em lugar algum na cidade, outro Garotinho. Não se tem o desejo, determinação, vocação, capacidade e coragem que ele teve.

Não há quem conteste seu primeiro mandato no Executivo da planície, aquele que representou a única verdadeira, e já esquecida, mudança. Pois, em algum lugar no meio do caminho, o pródigo perdeu a mão e a cabeça. O ex-governador não soube evoluir e amadurecer. Totalmente incapaz de assumir um papel que não seja o de franco atirador, tenta hoje com seus cabelos brancos desaprender sua única, aparente, qualidade como candidato, a contundência, para aparentar outra que não possui; a paciência.

Ao invés de garotinhos, sugiro à política goitacá que convoque os jovens, e que estes abram suas portas aos novos e inteligentes debates. A arcaica e resmungona oposição deve se atualizar, esquecer a singularidade e abraçar o pluralismo regional. Chega de trocas vazias e duelos internos de ego.

Aos oposicionistas com mandato, peço: vamos parar de poses e apertos de mãos. Chega de discursinho de que não há inimigo na política, somente adversário. Quem prejudica as pessoas, mente, ilude e mata aos poucos nossa cidade, é sim inimigo de quem quer o bem. Adversário? Por acaso isso é um jogo? Os seres humanos afetados pelo “esporte” chamado política são peças? Eles terão segunda chance? Seus filhos, que recebem a pior educação do Estado, terão segundas chances? E os atendimentos, ou falta deles, nos hospitais continuarão a assassinar as pessoas, enquanto vocês, protegidos pelos muros da segurança dos seus condomínios morais e financeiros, abraçam seus “adversários”?

Que belo jogo vocês jogam!

 

Fonte: Folha da Manhã – Gustavo Matheus

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