Em nova assembleia, realizada nesta quinta-feira (21), servidores, docentes e discentes junto à Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Aduenf), votaram a favor da continuidade da greve na instituição, que completa 50 dias nesta sexta (22). Foram 64 votos pela proposta da diretoria, contra 22, que sugeriram a retomada das atividades no dia 2 de outubro. A greve dos servidores está pautada em três assuntos: o pagamento do salário de agosto e 13º de 2016 (além do parcial de 2017), as condições de funcionamento da universidade, e os casos de insegurança no campus.

A primeira parte da reunião teve três blocos de manifestações orais, onde foram defendidas ideias contra e a favor da greve. Entre as colocações, o professor Marcos Pedlowski, integrante da diretoria, esclareceu que a Aduenf não está defendendo só a questão dos salários. “Há vida nessa universidade, há resistência. O que atinge o futuro dos alunos não é não ter aula, mas sim, não ter ensino de qualidade. É preciso fortalecer esta diretoria”, considerou Pedlowski, que completou parabenizando a presença dos alunos na assembleia.

A professora Angélica Pereira, considerou que a situação atual da UENF é de “total abandono”. Outros docentes fizeram suas colocações, também a favor da continuidade. “Não representamos só esta universidade, representamos uma categoria que luta pelo ensino público”. “Eu acho que a gente precisa pensar na mobilização, abrir espaços de diálogo”. “É muito difícil me convencer em voltar de uma greve com motivação, sem salário. O governo nos destratou esse ano inteiro”. “Não existe universidade gratuita. Nós pagamos, todos nós!”. “Já sabemos que o objetivo do governo é acabar com a universidade pública, mas, isso está claro para a sociedade?”.

Alguns posicionamentos contra a greve foram apresentados, questionando a resolução dos problemas pautados. “A gente resolve ficando paralisado? Não se fortalece a greve, porque não há participação. O caminho é mostrar o que é a academia”. “Isso não vai sensibilizar o governo. Não dando aula, estamos esvaziando a universidade, e é isso que o governo quer”.

Entre as propostas apresentadas, foram para votação a permanência da greve, com aguardo da divulgação do calendário de pagamentos, prometido na reunião da LOA (Lei Orçamentária Anual) no Rio de Janeiro, e a proposta de retomada para o dia 2 de outubro, com estado de greve. Ambas, incluíram participação no ato de manifestação na Secretaria de Estado de Fazenda no próximo dia 26.

— A Aduenf está se colocando contra o início das aulas. A Aduenf só está esperando que o Governo cumpra sua promessa de pagamento do calendário. Tanto é verdade que estamos dando 7 dias para que o Governo apresente alguma posição em relação ao pagamento dos professores. Se semana que vem esse calendário for apresentado, tenho certeza que os professores votarão a favor das aulas. Por isso encaminhamos assembleia para uma semana, ou seja, a gente não quer protelar o estado de greve, o que queremos é o pagamento dos salários e retomar as aulas — considerou a presidente da Aduenf, Luciane Silva.

A próxima assembleia foi marcada para o próximo dia 27. Nesta sexta, o Comando de Greve se reuniu para alinhar uma participação neste sábado, no Festival Doces Palavras, proposta paralela, apresentada na reunião.

Fonte: Folha da Manhã

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