De um lado patrões que não pagam, do outro empregados parados por falta de dinheiro; no meio a população

Os problemas dos transporte coletivo são conhecidos, e tudo indica que vão continuar se arrastando por muito tempo. Essa semana a população de Campos foi surpreendida por mais uma greve dos rodoviários, fato que há anos vem se repetindo e com freqüência no município. O motivo principal tem sido o não pagamento mensal dos trabalhadores em dia, este ano, inclusive, a maioria das empresas chegou a atrasar até três meses de salários. De acordo com o Sindicato dos Rodoviários de Campos, cerca de mil trabalhadores, entre motoristas e cobradores, compõem o quadro de funcionários das sete empresas de ônibus locais, além de fiscais e despachantes. 

A maior empresa de transporte do município e que cobre um maior número de linhas na cidade é a São João, hoje com cerca de 350 funcionários. Para a diretoria da empresa, o que dificulta ainda mais a crise nacional atual é o mesmo fator que há tempos vem agravando cada vez para a situação: o transporte irregular, as chamadas lotadas, entre outros problemas. E aí começa o impasse, já que a própria população afirma que não existem coletivos suficientes nas linhas para atendimento, a partir daí, abrindo brecha para as lotadas.

– O principal problema do transporte coletivo em Campos, que se arrasta há anos e se intensifica a cada dia, é a atuação de lotadas. Uma atividade ilegal, que compromete o serviço prestado à população e não traz qualquer benefício ao município. Além dos veículos ilegais, há as irregularidades na atuação de veículos permissionados, a falta de um projeto para o setor que otimize a atuação das empresas e a defasagem da tarifa, que ficou sete anos sem reajuste e não acompanhou o crescimento das despesas para a manutenção do funcionamento das empresas de ônibus – afirma a assessoria de comunicação da empresa São João.

PAGAMENTOS DEVIDOS

Discussões à parte, na última quarta-feira (11), em meio à greve dos rodoviários, a prefeitura se reuniu com representantes dos patrões e empregados, exigindo o retorno imediato dos ônibus, além da promessa de repasse do valor devido pela prefeitura aos consórcios, referente ao fechamento de setembro, na próxima segunda-feira (16) e que será consignado em juízo, para que seja repassado diretamente aos funcionários. Nesta sexta-feira (13), o Campos 24 Horas entrou em contato com a Superintendência de Comunicação da prefeitura para questionamentos junto ao IMTT e não obteve respostas.

No caso da São João, como forma de deixar as contas dos funcionários em ordem, a empresa está liberando dinheiro diariamente, até quitar o que está atrasado. A partir de então, afirma a assessoria da São João, eles passarão novamente a receber o salário integral mensalmente. “Em relação ao valor restante do mês de agosto (já havia sido dado um adiantamento), a São João irá quitar assim que a Prefeitura fizer o repasse referente a setembro, o que está previsto para acontecer na próxima semana”, disse.

Atualmente, das sete empresas de ônibus que circulam no município, somente duas estão com os salários dos rodoviários em dia, as empresas Cordeiro e a Jacarandá. As demais devem de dois a três meses e meio de salários aos empregados.

SOFRIMENTO DIÁRIO

A moradora do distrito de Ururaí, Tereza Cristina, 37 anos, disse que ela, particularmente, gosta mais de andar de ônibus, no entanto, com a falta constante dele, é obrigada a apanhar van. Ela sente falta do tempo em que os ônibus passavam nos bairros de meia em meia hora. Esse tempo vai muito longe.

– Durante a semana a gente fica uma hora ou mais no ponto esperando ônibus. E no domingo então, a situação é pior ainda. Eu tenho que ir para a estrada para conseguir apanhar um, porque dentro dos bairros não passa de jeito nenhum. Uma tristeza – disse Tereza Cristina.

O estudante e estagiário de empresa, Pedro Henrique, 18 anos, residente no parque Aurora, explica que no seu bairro até o meio dia a situação ainda é normal, mas, a partir deste horário e, principalmente, à noite, a situação é precária. Para ele as vans ajudam muito no transporte diário em seu bairro.

– A partir do meio dia a gente fica uma hora e, às vezes, até mais no ponto esperando ônibus. À noite piora ainda mais e a gente sempre tem que sair de casa bem antes, porque não sabe nunca quanto tempo vai ficar no ponto de ônibus – afirma Pedro Henrique.

Lenilda Rodrigues da Silva, do bairro Novo Jóquei, tem que constantemente vir ao Centro com seu filho que é especial e, para isso, muitas vezes espera até duas horas da sua casa ao Centro. Segundo ela, as autoridades deveriam dar mais atenção ao setor de transporte, já que milhares de pessoas dependem dele no ir e vir diário.

– Eu acho que devia aumentar a quantidade de ônibus, porque aumenta a passagem mas a gente não vê aumentar o número de ônibus. De meia em meia hora ficaria bom pra todo mundo – analisa Lenilda Rodrigues.

Fonte: Campos24h

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