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Atualmente vem havendo mudanças no declínio das taxas de fertilidade e mortalidade e como decorrência a longevidade tem-se apresentado como um fenômeno em vários lugares do mundo. O Brasil tem sido surpreendido uma mudança demográfica na idade de sua população. Segundo projeções do IBGE Brasil apresenta cerca de 15 milhões de idosos e, segundo projeção do IBGE, no ano de 2025, será o sexto país mais idoso do mundo.

Pode-se dizer que o envelhecimento populacional do Brasil ocorre em razão de alguns aspectos: o aumento da expectativa de vida, a diminuição da taxa de fecundidade, atribuída em grande parte aos avanços da medicina, e a busca de oferecer melhores condições de vida à população em termos de moradia, saneamento básico, alimentação, transporte, embora ainda exista muito o que fazer.

Sendo assim diante dessa realidade, vários segmentos como, por exemplo, a saúde, transporte, habitação, previdência social e educação precisam ser adaptadas para atender a essa parcela da população. Porém pode-se observar através da baixa prioridade atribuída aos idosos que o Brasil ainda não esta preparado para atender as necessidades e expectativas da Terceira Idade.

Considerando os aspectos históricos alguns fatos podem ser recordados.

  • O ano de 1999 foi considerado o Ano Internacional do Idoso em virtude da grande

importância e preocupação em relação a este segmento da população, mas pouco se avançou em práticas significativas para essa faixa etária no sentido de uma valorização do

idoso na sociedade.

  • No ano de 2003 a Terceira Idade foi contemplada como tema da Campanha da Fraternidade, ressaltando sua importância e a necessidade de maiores pesquisas nessa área.
  • E também em 2003 o Estatuto do Idoso, Lei 10.741/03, veio resgatar os princípios constitucionais que garantem aos cidadãos os direitos que preservem a dignidade da pessoa humana, sem discriminação de origem, raça, sexo, cor e idade conforme o artigo 3º IV da Constituição da República Federativa do Brasil.

O Estatuto do Idoso, Lei 10741/ 03, prescreve no capítulo V o direito do idoso à educação e o incentivo por parte do governo para a criação de programas que atendam a especificidade dessa faixa etária. No entanto, verificam-se como incipientes essas iniciativas para atender o aumento quantitativo dos idosos na sociedade brasileira.

Voltando nossos olhos à realidade da Terceira Idade em nossa cidade observa-se que existem alguns movimentos voltados aos idosos. O clube da Terceira Idade localizado no centro de Campos oferece atendimento especializado e muita diversão. Nestes clubes é ofertado desde atendimento médico, gratuito, aos tradicionais bailes, aulas de hidroginástica e dança sênior, atividades que marcaram o atendimento do espaço desde a fundação, em 1992. Segundo o coordenador, Edvaldo Vieira de Azevedo, hoje o clube tem 29 mil idosos cadastrados e oferece uma gama de serviços, cardiologista, ginecologista, proctologista, endocrinologista, clínico geral, reumatologista, dermatologista, nutricionista, fisioterapeuta, psicólogo, professor de educação física, alongamento, hidroginástica, oficina de artes e salão de cabeleireiro. Para participar basta se cadastrar (R. Rodrigues Peixoto, 91;Pq Leopoldina).

Porém há muito a ser realizado até que seja no mínimo cumprindo, ao menos os direitos dos idosos, como por exemplo, de acessibilidade. É uma vergonha o que observamos andando nas ruas de Campos, muitas calçadas em estado de calamidade, isto é quando existe calçada, na maioria dos estabelecimentos não existem as adaptações necessárias (rampas e/ou corrimão), inclusive prédios públicos, nos ônibus muitas vezes os idosos são forçados a ficar em pé, pois estes andam lotados, entre vários outros exemplos de desrespeitos não só a Terceira Idade, mas a toda a população.

Constata-se também em Campos a inexistência de um espaço educacional para essa clientela, um lugar adequado que se busque o aprimoramento do conhecimento, a busca de novos conhecimentos, visando à promoção do ser humano.

E quando falamos de no mercado de trabalho, se é que há o que se falar…. nossa cidade não possui um sistema de inserção da Terceira Idade no mercado de trabalho, o que ocorre é que depois da aposentadoria muitos se tornam ociosos, desperdiçando  toda experiência e bagagem cultural que foram acumuladas.

A aposentadoria é um direito que para ser usufruído depende de viabilidade econômica, porém mais de 20% dos brasileiros com mais de 60 anos ainda trabalham, mesmo aposentados. Sem contar os informais, que trabalham como autônomos ou estão na informalidade, muitas vezes para compor a renda familiar.  Segundo Nelson Osório diretor da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas em 2007 cerca de 2,6 milhões de aposentados voltaram a trabalhar. “Muitos, que não tinham vontade nem saúde para retornar, começam a considerar a ideia quando vem o valor dos benefícios cair para a metade do que ganhavam na ativa, suficiente para pagar apenas um plano de saúde. Fora os remédios, que se tornam de uso contínuo e nem sempre estão disponíveis nos postos de saúde”.

Concluímos que falta muito a fazer pela Terceira Idade em nossa cidade. Porém nós enquanto população continuamos a acreditar que nossa política evoluirá de forma que veremos as necessidades, as expectativas e aos direitos dos idosos atendidos.

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