Marcus Pinheiro
Foto: Tércio Teixeira 

Seis dias após a bebê Ana Vitória, de 1 ano e 11 meses, e sua irmã Joyci Cândido de 6 anos, morrerem após passagem pelo Hospital Geral de Guarus (HGG), em Campos, a orfã Maria Vitória, de apenas 1 ano e três meses, com suspeita de H1N1, recebeu atendimento médico sem isolamento respiratório em uma enfermaria pediátrica comum. E somente após denúncia de funcionário do próprio hospital, e a indagação da Folha à Fundação Municipal de Saúde (FMS), contestando o caso, a criança foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital Ferreira Machado (HFM). Enquanto isso, Marinês Cândido, mãe das irmãs que morreram na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), após passagem pelo HGG, voltou a questionar a secretaria de Saúde e o setor de Vigilância em Saúde da Prefeitura, que apontaram como diagnóstico preliminar das mortes a meningococcemia, alegando que os cartões de vacinação das crianças estaria desatualizado. Ainda nessa terça-feira (17), o corpo da bacharel em Direito e professora Cintia Cristina Ribeiro Alcino, 45 anos, que peregrinou pela vida por mais de sete horas, em busca de socorro médico em quatro unidades públicas de saúde de Campos e morreu em um hospital particular, foi sepultado no Campo da Paz.

De acordo com informações de profissionais de saúde do HGG, Maria Vitória teria dado entrada na unidade hospitalar na última segunda-feira (16). Ainda não se sabe quem realizou o encaminhamento ao hospital, pois a menina teria sido abandonada pelos pais. Segundo eles, os sintomas apresentados pela criança, com suspeita de H1N1, deveriam ter sido tratados imediatamente em ambiente sob isolamento respiratório, e não em meio a outros pacientes, como, de acordo com os profissionais, aconteceu.

A FMS confirmou o atendimento da paciente na emergência pediátrica do HGG. Entretanto, negou que Maria Vitória tenha tido contato com as outras crianças internadas na unidade hospitalar. Em nota, a FMS afirmou que a paciente, com quadro de insuficiência respiratória aguda e broncopneumonia, recebeu suporte medicamentoso e ventilatório, e foi transferida para a UTI pediátrica do HFM.

Ainda segundo a nota, houve notificação compulsória, o protocolo do Ministério da Saúde para o vírus H1N1 foi cumprido, mas não há confirmação diagnóstica. “Durante o período em que a paciente esteve no hospital houve o devido isolamento de contato”, finalizou a FMS.

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