O Hemocentro Regional de Campos, que funciona no Hospital Ferreira Machado (HFM), continua sem condições de repassar sangue para as demais unidades hospitalares do município e da região por falta de kits para realização de exames sorológicos no material coletado. A Portaria 158/2016 do Ministério da Saúde e as Resoluções da Diretoria Colegiada (RDC) nº 34/2014 e nº 75/2016 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — dispositivos legais que regulamentam a atividade hemoterápica — proíbem que transfusões sejam realizadas sem que haja comprovação de resultados de exames sorológicos, que detectam doenças como sífilis, doença de Chagas, HIV entre outras. Se o Hemocentro continuar sem os kits, o setor de sorologia poderá ser interditado.
A médica hematologista e hemoterapeuta Daniela Tudesco, que atuou na direção técnica do Hemocentro de 2012 a 2015, lembra que esta não é a primeira vez em que a unidade passa por este problema. No final de 2012, os kits também acabaram e o Hemocentro precisou fazer compra emergencial por cerca de dois meses até que saísse nova licitação.
Ainda segundo Daniela, os artigos 129 e 130 da portaria do Ministério da Saúde e os artigos 93 e 108 da RDC da Anvisa são claros ao proibir liberação de bolsas de sangue sem os devidos testes de sorologia para sífilis, doença de Chagas, hepatite B, hepatite C, Aids, e HTLV I/II.
“O sangue total e seus componentes não serão transfundidos antes da obtenção de resultados finais não reagentes/negativos, nos testes de detecção”, ressalta o parágrafo 5º da resolução.
A médica lembra que o sangue colhido tem data de validade que, dependendo do derivado, pode durar de cinco a 45 dias. As plaquetas, muito utilizadas por pacientes com câncer que enfrentam quimioterapia, por exemplo, têm validade de cinco dias. “Uma coisa é não ter doador. Outra coisa é não ter estrutura para garantir as doações. Na minha opinião, o segundo caso é mais grave pois, se a situação persistir, as coletas realizadas terão que ser descartadas”, analisou Daniela Tudesco.
Sem os kits, a unidade poderá ser interditada pela Vigilância Sanitária, segundo avaliou a hematologista. “Por lei, a unidade não pode funcionar sem o teste sorológico no sangue”.
A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde não quis comentar o assunto e informou que as explicações deveriam vir do próprio Hemocentro. A equipe de reportagem fez contato com a assessoria do Hospital Ferreira Machado na noite do último dia 1º, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição. Sempre respeitando o princípio do contraditório, o jornal aguarda e publicará a versão da Prefeitura de Campos para este fato.

 

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