Mostrar para as crianças e jovens a relação entre a preservação do meio ambiente e a água, além da importância do uso consciente desse precioso líquido. Com essa proposta, a Prefeitura de Casimiro de Abreu, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), dedicou uma semana inteira de comemorações ao Dia da Floresta, dia 21, e ao Dia da Água, 22.

As atividades aconteceram em todo o município, com palestras, apresentação de vídeos e visita ao laboratório móvel da Funasa, onde os estudantes puderam entender o processo de análise da qualidade da água feito pelo órgão federal. A semana contou ainda com a participação dos técnicos do Consórcio Intermunicipal Lagos São João, Associação do Mico-Leão-Dourado e da Guarda Ambiental Municipal.

“Cerca de 70% do nosso organismo é composto por água. Podemos ficar até uma semana sem comida, mas nenhum dia sem água. Estudos mostram que se o ritmo de destruição da natureza não reduzir, em 2070, a água será o bem mais escasso do planeta, não teremos água para tomar banho todos os dias”, alertou o diretor do departamento de Meio Ambiente da Semmads, Luizmar Mozer.

Floresta x água – Para garantir que a água não acabe é preciso preservar as florestas, grandes fábricas de água do mundo. Em geral, rios e córregos em bom estado de conservação têm florestas ou brejos nas suas margens. As árvores das matas ciliares e os rios encontram-se tão intimamente relacionados, que quanto essa vegetação é removida, os rios sofrem drásticas mudanças na forma do canal, nos sedimentos, na qualidade da água e também afeta a vida marinha e a avifauna. “Sem floresta não há água e sem água não temos floresta”, ressaltou Luizmar.

Em Casimiro de Abreu, a água que chega a torneira dos consumidores é considerada de ótima qualidade. Isso se deve, principalmente, a preservação da floresta onde ficam as nascentes e também do bom estado da vegetação que margeiam os corpos hídricos que cortam o município. Afinal, cerca de 50% do município de Casimiro de Abreu é coberto pela Mata Atlântica, o que torna o local abundante em recursos hídricos.

A cidade também está inserida em duas importantes bacias hidrográficas (Macaé e São João). É na serra casimirense que estão algumas das principais nascentes que contribuem para essas bacias responsáveis pelo abastecimento de mais de um milhão de pessoas que vivem nas cidades da Região dos Lagos e Norte Fluminense. É do rio Macaé, por exemplo, a água que abastece Barra de São João e Rio Dourado, bem como as cidades vizinhas de Rio das Ostras e Macaé. Do São João vem a água dos moradores de Silva Jardim, Araruama e São Pedro da Aldeia.

Já o SAAE conta com três pontos onde captam a água que abastece o distrito sede e Professor Souza. As captações são realizadas nos Rio Matumbo, Córrego da Luz e Ribeirão da Luz, todas localizadas na região serrana, onde a vegetação encontra-se bem preservada. “Temos a responsabilidade de cuidar dessas nascentes para garantir que este bem tão precioso e fundamental para a vida do homem se perpetue entre as gerações futuras. Se não fizermos isso agora, nossas nascentes e olhos d’água podem secar, e o lençol freático reduzir drasticamente”, ressaltou Luizmar.

Gestão e uso consciente – Estima-se que o desperdício de água no Brasil chegue a 70%, seja entre a captação, o tratamento e a distribuição, ou pelo mau uso dos consumidores. Por isso, apesar de Casimiro de Abreu ser privilegiado por seus recursos hídricos, é preciso que o consumo e a gestão dos recursos hídricos seja feito de forma consciente.

Para isso, o SAAE vem investindo em melhorias nas captações e nas redes para evitar vazamentos que comprometem o abastecimento, realizando campanhas sobre o uso consumo sustentável deste bem finito, além de obras de esgotamento sanitário. “O tratamento da água é um processo caro. Por isso, não podemos desperdiçar. É preciso economizar para nunca faltar”, ressaltou a vice-presidente do SAAE, Laila Pedro Manhães.

O Mestre e o mangue – O Rio São João nasce no município de Cachoeiras de Macacu, lá na região serrana, e deságua no distrito de Barra de São João, onde forma um estuário com características singulares. Com o manguezal ainda bem preservado, a natureza no local tem um grande aliado. Seu nome é José Otoni Moreira, mais conhecido como Mestre. Morador do bairro Arroz, em Barra de São João, o pescador realiza há três anos um trabalho de limpeza do manguezal, de onde retira cerca de 100kg de resíduos toda semana. Depois de separado, o que serve vai para a reciclagem e o rejeito é encaminhado para o aterro sanitário.

Além do barco coletor das margens, com o qual Mestre realiza o trabalho manual, ele mantém um barco ancorado dentro do rio para que pescadores e as pessoas que por ali passam depositem seu lixo na embarcação. “As pessoas conscientes não jogam lixo no rio. Eles param perto do barco e jogam o lixo lá dentro, pois o lixo agarrado tira a vida do manguezal, um berçário natural de peixes e crustáceos”, falou Mestre.

Durante essa semana, ele mostrou para os alunos a diferença dos resíduos sólidos, orgânicos, os recicláveis e o rejeito, ressaltando que todas as pessoas têm que fazer a sua parte para não contaminar esse belo manancial. “Eu espero que esse trabalho não morra comigo. Se hoje eu consegui levar a minha mensagem para pelo menos um de vocês, podemos pensar no futuro do rio São João. Senão, daqui a alguns anos vamos andar sobre o lixo e teremos água suja saindo das torneiras”, alertou Mestre.

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