A segurança na BR 101, no trecho entre Campos e Macaé, será discutida nesta segunda-feira (22), a partir das 14h,  em audiência pública no auditório do Ministério Público Estadual (MPE), em Campos. O debate foi provocado após juízes de Campos, liderados pelo juiz e presidente da regional da Associação de Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj), Ralph Manhães, evidenciarem que, somente no primeiro semestre de 2016, aproximadamente 30 assaltos a veículos particulares e comerciais foram registrados na BR 101, entre a localidade de Serrinha, em Campos, e o primeiro acesso (sentido sul) ao município de Macaé. Na audiência, além de juízes e promotores, também são esperados representantes da Autopista Fluminense, concessionária que administra a rodovia, e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Segundo a Autopista Fluminense, a empresa apresentará todas as informações solicitadas e os esclarecimentos necessários durante audiência. “A Autopista Fluminense informa que não tem poder de polícia para fiscalizar ações de segurança pública na rodovia. Os aparatos de monitoramento da Autopista podem ser utilizados pela Polícia para investigações quando solicitado. As imagens das câmeras também são disponibilizadas em tempo real via fibra óptica para as delegacias de Polícia Rodoviária Federal nas cidades de Niterói e Campos, que atualmente passa por reforma predial, executada pela Autopista Fluminense”, informou em nota.

Ainda de acordo com a concessionária, o Centro de Controle Operacional da Autopista Fluminense é responsável pelo monitoramento das 107 câmeras, via circuito fechado de TV, durante 24 horas. “Em operação desde fevereiro de 2012, as localizações das câmeras na BR-101 RJ/Norte foram definidas após a análise dos números de ocorrências, do traçado, do relevo e dos principais acessos e entroncamentos ao longo da rodovia. Instaladas em postes de 14 metros de altura, as câmeras têm capacidade de visualização dia e noite, possuem alcance de até 2 quilômetros, giro de 360°, resolução HD (720p) e Detecção Automática de Incidentes”, acrescentou a nota.

Já o chefe da delegacia da PRF em Campos, Weber Boroto, informou que os 50 policiais do efetivo em Campos atuam em rondas ostensivas. “A audiência pública é para discutir o que se pretende fazer para melhorar na identificação de eventuais autores de ocorrências criminais. Hoje a PRF atua com uma ronda ostensiva e tem o auxílio das câmeras de monitoramento da Autopista, que sede as imagens para a PRF. Em casos de assaltos e outras ocorrências criminais, a PRF não tem dados estatísticos, como tem dos acidentes, porque geralmente esses casos são registrados nas delegacias da Polícia Civil. A PRF só tem registro quando é um flagrante”, disse ao ressaltar que a PRF de Campos atua até o segundo pedágio da BR 101, próximo ao limite com Quissamã.

Quem utiliza a rodovia com frequência também opinou sobre a segurança. “Infelizmente hoje, para render a viagem, tem ser de noite. A gente perde em segurança, mas ganha na economia do caminhão, no rendimento, no tráfego que diminui muito, uma faixa de 60% à noite. A segurança hoje é muito relativa porque a gente, caminhoneiro, está passando por uma fase delicada. A BR 101 hoje está um pouco melhor depois que privatizou, porque a própria concessionária tem que dar um pouco dessa segurança para a gente”, disse o caminhoneiro Luiz Gonzaga, de 46 anos.

O caminhoneiro Alberto Pudêncio, de 54 anos, contou que sofreu na pele a insegurança. “Eu fui roubado um vez, fui amarrado no mato, fiquei a noite toda amarrado. Eles me renderam, andaram comigo me ameaçando e eu queria que a Polícia parasse meu caminhão. Ia encontrar só bandido”, comentou.

Mais de 400 acidentes no trecho de Campos

De acordo com a Autopista Fluminense, o número de acidentes na BR 101 entre janeiro de 2016 até o dia 18 de agosto chegou a 485, no trecho de Campos que vai da divisa com o Espírito Santo até a localidade de Serrinha, no km 123.  Em todo trecho de concessão, entre a divisa com o ES e o município de Niterói, foram contabilizados 2.092 acidentes entre janeiro deste ano até o dia 18 de agosto.

Do total de acidentes registrados no trecho de Campos, 330 tiveram feridos e 27 mortes.

Em 2015, a Autopista Fluminense registrou 119 casos de vítimas fatais – o menor número desde que Autopista Fluminense assumiu a operação da rodovia em 2008 – o que representa uma redução de 27% comparado com o ano anterior. O histórico favorável de reduções de acidentes e vítimas fatais é registrado desde 2013.

Ainda em 2015, em virtude desse processo de duplicação das pistas, o número de casos de colisões frontais apresentou redução de 31% em relação ao número de vítimas fatais em virtude desse tipo de acidente, com queda de 61 para 42 ocorrências entre os meses de janeiro e dezembro de 2014. Se compararmos com o ano de 2012, com 94 ocorrências – a maior no período desde o início da concessão, a redução de mortes provenientes de colisão frontal chega a 55%.

Rodovia com 70 quilômetros de duplicação

As obras de duplicação da BR 101, segundo a Autopista Fluminense, chegaram à marca de 70 quilômetros de pistas duplicadas no primeiro semestre deste ano. O último trecho a ser duplicado localiza-se entre as cidades de Macaé (trevo dos 40) e Casimiro de Abreu (Rio Dourado), com 46 km de extensão e atravessando a Reserva Biológica União. Este trecho, de acordo com a Autopista, encontra-se em processo de licenciamento ambiental.

Em relação ao contorno de Campos, a Autopista informou que as obras estão previstas para começar em 2017, com três anos de execução, conforme prevê o contrato de concessão da Autopista Fluminense com o Governo Federal. O projeto do empreendimento está em análise na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e também passa por processo de licenciamento ambiental, ambas em fase final de elaboração.

Ainda de acordo com a Autopista, outros quatro trevos estão com obras em andamento, que são: km 92, dispositivo de retorno; km 101, dispositivo de retorno; km 122, dispositivo de retorno; km 243, acesso ao distrito de Imbau, na região de Silva Jardim.

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