Em e-mail enviado ao nosso editor Claudio Carneiro, o secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Paulo Melo, destacou o passado de pedofilia do coronel reformado da PM Pedro Chavarry Duarte e determinou que a secretaria acompanhe de perto a prisão do militar, flagrado no sábado à noite com uma criança de dois anos nua.

Melo denunciou um corporativismo que sempre favoreceu Chavarry na prática de seus mais baixos e revoltantes instintos e garantiu sua impunidade por três décadas de abusos. As palavras “revoltante”, “hediondo” ou quantas houver no dicionário não definem o tamanho desta covardia.

O secretário lembrou que na década de 90, ao comandar uma comissão parlamentar na Alerj, prendeu o oficial acusado de envolvimento com o tráfico de bebês. “À época fui procurado por uma associação de moradores de Bangu, que relatou o envolvimento de um PM na venda de crianças. Montamos uma operação com a ajuda do 14° BPM (Bangu) e ficamos esperando no local usado pela quadrilha como cativeiro, onde os bebês eram deixados de manhã, sob efeito de tranquilizantes e, à noite, transportados pelo bando. Quem da quadrilha chegou para pegar o bebê, de apenas quatro meses, foi o então capitão Pedro Chavarry. Foi preso e autuado em flagrante”, recorda Paulo Melo.

Para o secretário de Assistência Social e Direitos Humanos, os dois casos podem mostrar um envolvimento sistemático do PM em casos de abusos e tráfico de menores desde a década de 90. “Quantas crianças ele pode ter molestado neste período. Desde aquela época ele já demonstrava um desvio de conduta incompatível com a atividade policial e de servidor público”, analisa Paulo Melo, recordando que, apesar das provas contundentes, Pedro Chavarry conseguiu arrastar o processo na Justiça e saiu impune. Em 2014, Chavarry concorreu a uma vaga para deputado federal mas não se elegeu.

“O então capitão era ardiloso. Ele se aproximava das mães, geralmente de comunidades muito carentes, e dizia que trabalhava para a igreja, que iria arrumar uma creche. Até colocava os bebês em creches, mas, em seguida, convencia as mães de que elas não tinham condições de criá-las e, o melhor, seria doá-las. Aproveitava da fraqueza, da necessidade. Depois, estas crianças eram vendidas pelo oficial “, lembra Paulo Melo.

O secretário pediu o acompanhamento do caso para saber se Pedro Chavarry continuava a atuar no rapto de menores. Paulo Melo também irá apurar como ocorreram as promoções do oficial da PM sem levar em consideração o histórico criminal. “Talvez agora ele seja excluído”, previu o secretário.

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