A Receita Federal afirmou em um relatório que o padre Moacir Anastácio de Carvalho, citado na Operação Lava Jato por ligação com o ex-senador Gim Argello, tem patrimônio superior a R$ 3 milhões e omitiu do fisco veículos e uma fazenda. O padre é responsável pela Paróquia São Pedro em Taguatinga (DF).

“Em 2013 e 2015 o contribuinte teve indício de variação patrimonial à descoberto. Nestes anos o aumento de seu patrimônio foi em valor maior do que os rendimentos declarados ao fisco”, diz trecho do documento.

Conforme a Receita Federal, em 2013, o patrimônio do padre era de R$ 3,216 milhões. Em 2014, o valor caiu R$ 2,449 milhões. No ano seguinte, R$ 3,339 milhões. A variação de 2014 para 2015 foi superior a R$ 889 mil.

O documento foi elaborado a partir de um pedido do Ministério Público Federal (MPF). Gim Argello foi preso na 28ª fase da Lava Jato suspeito de cobrar propina para evitar convocação de empreiteiros em comissões parlamentares de inquérito (CPIs) sobre a Petrobras entre 2014 e 2015.

Segundo a força-tarefa, há evidências de que o ex-senador pediu R$ 5 milhões em propina para a empreiteira UTC Engenharia e R$ 350 mil para a OAS – ambas investigadas na Lava Jato.

Em meio aos mandados de busca a apreensão, a Polícia Federal coletou um recibo do depósito de R$ 350 mil da construtora OAS para a paróquia.

Relatório da REceita Federal afirma que padre omitiu bens em declaração (Foto: Reprodução)

Relatório da Receita

 

Ao G1, o advogado do padre, Wellington Medeiros, afirmou que o pároco e o ex-senador têm uma relação de sacerdócio. “O Gim é há mais de dez anos frequentador da igreja. É uma pessoa que já ajudou a igreja antes de ser senador, frequentava a igreja, frequentava a festa de pentecoste. Então, a relação que ele tem com o padre é uma relação de sacerdócio. Nunca ele pediu ao padre qualquer coisa que denegrisse a imagem dele”, disse o advogado.

Quanto à fazenda, Medeiros afirmou que a propriedade rural pertence à família. Os veículos, diz o advogado, são da mãe do padre que atualmente tem 89 anos. A defesa destacou ainda que o padre tem renda a partir de doações e venda de livros.

 

28ª FASE DA LAVA JATO

Os bens
O auditor fiscal responsável pelo relatório cita que o padre Moacir Anastácio de Carvalho tem dois veículos – uma  moto Honda CG (2001) e uma Hilux (2010).

“Informamos que estes veículos não se encontram na lista de bens informados à Receita Federal do Brasil nas declarações de imposto de renda consultadas”.

Segundo o relatório, o padre declara como ocupação principal “sacerdote ou membro de ordens ou seitas religiosas” e que ele tem declarações retidas em malha fiscal relativas nos últimos dois anos por “omissão rendimento PJ titular”.

“Com relação à movimentação financeira cabe comentar que em vários meses a mesma apresentou valores destoantes. Além disso, chamou a atenção os créditos bancários serem o dobro dos valores informados aos fiscos nos anos de 2014 e 2015”, diz outro trecho do relatório.

Declarações sobre Operações Imobiliárias (DOI)
Quanto aos imóveis ligados ao padre, o auditor afirma que no Cadastro de Imóveis Rurais (CAFIR) há registro da Fazenda Caconha, em Tamboril (CE), em nome de Moacir Anastácio de Carvalho. De acordo com o relatório este bem não foi declarado.

São listadas cinco operações imobiliárias envolvendo o padre. “De acordo com as DOIs apresentadas em 2015 o contribuinte tomou posse de dois imóveis, um em Águas Claras-DF, por meio de doação, e outro em Fortaleza-CE. Embora nas DIRPFs conste imóveis em Águas Claras e em Fortaleza não ficou claro se são os mesmos imóveis”.

O que diz a defesa do padre Moacir Anastácio de Carvalho
1. O Padre Moacir é herdeiro de ANASTÁCIO JOSE DE CARVALHO, falecido em 24.08.2006, deixando 18 filhos, de 2 (dois) relacionamentos;

2. A suposta Fazenda, nada mais é do que um sítio com aproximadamente 15 hectares., dos quais a viúva detém 50% da área e a outra parte, pertencem aos 18 filhos.

3. Sensível em querer ajudar a 2 (dois) herdeiros, o Padre Moacir resolveu adquirir os direitos hereditários desses 2 (dois) irmãos, conforme se infere das Escrituras Públicas acima. Assim, além da parte que lhe tocou na herança de 1/36 (um trinta e seis avos), ele adquiriu outros 2/36 (dois trinta e seis avos), passando a deter – em comum com pessoas da sua família – 1/12 (um doze avos) do sítio – equivalente a menos de 8,5% do bem.

4. Essa gleba pertence a família do Padre Moacir desde 1914.

5. Informa, ainda, que os seus ascendentes herdarem de seu bisavô.

6. Logo, a suposta Fazenda não passa de um sítio.

7. O valor da aquisição está descrito nas escrituras, ou seja, algo em torno de R$ 14.000,00.

No mais, o automóvel HILUX ano 2010 e a Moto pertencem a genitora do Padre Moacir – SEBASTIANA DE SOUZA CARVALHO, 89 anos. Apenas figurou no nome dele na época, porque está estava impossibilidade de ir pessoalmente fazer essa compra. Foi adquirido também com recursos de sua mãe. Ele apenas emprestou o nome para comprar.

O Padre Moacir jamais imaginou que pudesse – 6 anos depois, passar por esse constrangimento.

Finalmente, o Padre Moacir tem a acrescentar que todo o seu patrimônio encontra-se declarado no seu imposto de renda.

Lembra, ainda, o Padre Moacir vive de doações e de venda de seus livros. Afinal, são 10 livros lançados ao longo dos seus 20 anos de sacerdócio. Ao contrário do que a matéria dá a entender, seu patrimônio não é grandioso, e foi amealhado de forma paulatina e lícita, por meio do seu trabalho de evangelização e do carinho dos fieis pelos seus escritos que divulgam as lições que segue de religiosidade.

Para fins de esclarecer todo esse mal-entendido, o Padre se coloca à disposição da imprensa e da comunidade para visitar a chácara de sua família – oportunidade em que os presentes poderão refletir sobre o significado das provações na vida de cada cristão e a importância do perdão para a vida no amor que se busca com a fé.

Seu advogado, Wellington Medeiros, cujo telefone profissional é 61 3322-6336, e atende no horário comercial, está à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais.

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