A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) vai treinar e capacitar detentos do Complexo Bangu para trabalhar, a partir do ano que vem, na produção de peixes ornamentais. Um acordo de cooperação técnica para viabilizar a iniciativa foi assinado na semana passada, no ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), em Brasília. Assinaram o documento o ministro Marcelo Crivella; o subsecretário Geral de Administração Penitenciária do Estado do Rio de Janeiro, Antônio Camilo Branco de Faria; e o professor da Uenf Manuel Vazquez Vidal Júnior, especialista em peixes ornamentais, que representou o reitor Silvério de Paiva Freitas. Num segundo momento, a atividade poderá ser introduzida também nos presídios do Norte/Noroeste Fluminense, onde já existe o interesse.

Os cursos, que serão ministrados por professores e alunos da Uenf, terão a duração de seis a 12 meses e irão formar aproximadamente 60 pessoas por ano em cada presídio. Inicialmente, serão instaladas quatro unidades de produção comercial de peixes ornamentais, uma em cada penitenciária de Bangu — sendo três em presídios masculinos e uma em presídio feminino. Segundo Vazquez, que vai coordenar as atividades, cada presídio vai produzir de duas a três espécies diferentes de peixes ornamentais nos sistemas intensivo (ambiente controlado) e semi-intensivo (ambiente aberto). Os tanques ocuparão áreas de 100 a 150 metros quadrados. Segundo o professor, o objetivo é resgatar a cidadania dos presidiários, bem como estimular o empreendedorismo.

— Ao saírem dali, eles estarão qualificados para trabalhar nos mais de seis mil estabelecimentos de produção de peixes ornamentais existentes no país, bem como em lojas que comercializam o produto. Além disso, poderão se tornar multiplicadores destes conhecimentos dentro dos presídios — explica Vazquez.

Segundo o acordo de cooperação técnica, a secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) deverá disponibilizar as áreas onde serão implantadas as unidades demonstrativas de piscicultura. Em conjunto com a Uenf, o ministério da Pesca e Aquicultura vai elaborar projetos técnicos destinados ao aprimoramento da atividade. Os presos que participarem do projeto serão beneficiados com redução da pena — a lei estabelece que, para cada três dias de trabalho, haja a diminuição de um dia da pena prevista.

A primeira iniciativa do gênero no Brasil ocorreu na penitenciária Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Foto: Divulgação

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