Dulcides Netto

Moradores de Tocos, 17º distrito de Campos, dizem sofrer com a precariedade no transporte público. A população fica até duas horas esperando pelo coletivo. Além disso, no local não há agência bancária e nem casa lotérica, o que obriga os moradores a se deslocar para Goitacazes se quiserem pagar suas contas ou sacar dinheiro. Eles reclamaram também da falta de uma rede de esgoto e médicos na Unidade Básica de Saúde (UBS), além de sinalização na rua José Pereira das Chagas, onde o fluxo de veículos é intenso, principalmente nos finais de semana.
A irregularidade nos horários de ônibus tem causado revolta. “Os ônibus não têm horário certo. É um descaso. Fico um bom tempo no ponto e nada. Já perdi vários compromissos por causa disso e ninguém faz nada para resolver o problema”, disse a comerciante Kátia Alvarenga, 32 anos.
A falta de uma rede de esgoto e o registro de acidentes na rua José Pereira das Chagas, por causa da falta de sinalização no local, são também problemas. “Além disso, o quebra-molas é muito alto. Perto da praça Athayde Barbosa, existe um vazamento de esgoto há mais de três meses. Já pedimos providências, mas o problema não foi resolvido”, disse o bombeiro Carlos Roberto Almeida, 52 anos.
Quanto ao transporte público, o superintendente da Empresa Municipal de Transportes, Sidnei Santana, informou que duas empresas atendem ao distrito e fiscais iriam ao local para checar a denúncia de irregularidade nos horários.
Em relação ao esgoto, a Águas do Paraíba disse que a Central de Controle de Serviços da empresa não tem registro de pedido de limpeza de fossas sépticas na área mencionada. Por outro lado, o distrito não está incluído no contrato da empresa para implantação de redes coletoras. A legislação determina, nesse caso, que o dono do imóvel fica obrigado a recolher o efluente em sistema própria de fossas.

Falta de médicos gera reclamações

A falta de médicos na Unidade Básica de Saúde (UBS) é constante, segundo os moradores. “Há uma semana, minha filha precisou de atendimento e não tinha médico. Fiquei revoltada, pois tive que levá-la ao hospital São José, em Goitacazes, para que pudesse consultar. E quem não tem carro, faz como?”, indagou a comerciante Rosana Siqueira, 44 anos.
Com a dona-de-casa, Maria José Carvalho, 57 anos, a situação não foi diferente: “Já fiquei sem atendimento por falta de médico. Não tive como ir a outro posto e voltei pra casa, sem conseguir consultar. Queremos solução. Nem os funcionários da unidade sabem explicar porque não há médicos”, disse ela, destacando que a UBS não tem conseguido atender a demanda.
A secretaria municipal de Saúde disse desconhecer o problema na referida unidade. Mesmo assim, segundo a assessoria, a informação seria checada e, se confirmada, a secetaria iria aplicar as medidas cabíveis. A assessoria ressaltou ainda que a UBS funciona em regime de 12 horas.

Nome teve origem devido às enchentes

De acordo com os moradores, o nome Tocos teve origem por causa das enchentes que ocorriam na lagoa feia. Na época das cheias, a lagoa transbordava e alagava toda a região. Muitas árvores pequenas ficavam submersas e, por isso, as embarcações do período da escravidão naufragavam quando batiam o fundo nos tocos de árvores. Com isso, os portugueses alertavam para o perigo de navegar na região, que ficou conhecida como região dos tocos.
No entanto, para os atuais moradores, como o comerciante, Ivan Alvarenga, o distrito foi esquecido pelo poder público. “O que vemos são obras mal feitas e os problemas crescendo”, disse.
A secretaria de Comunicação disse que muitas obras foram feitas para beneficiar a comunidade. As escolas e a UBS foram reformadas, assim como a estrada Maria do Rosário, que recebeu pavimentação.

05/02/2012 – 15h12

 

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