Uma gravação exibida nesta quarta-feira (15) indica que os seis policiais militares investigados por participação na morte de uma criança de 10 anos com um tiro na cabeça desobedeceram ordens do Centro de Operações da Militar de São Paulo (Copom). Segundo o telejornal SBT Brasil, eles teriam sido orientados a evitar o confronto, que matou o menino Ítalo no dia 2 de junho.

Imagens de câmeras de segurança mostram a fuga dos dois meninos após furtarem um veículo em um condomínio de classe média na zona sul da capital paulista. Ítalo era quem estava no volante e conduzia o automóvel.

O vídeo mostra quando o garoto que sobreviveu, de 11 anos, é retirado do carro por PMs e arrastado até longe do colega. A abordagem, porém, não seguiu o roteiro previsto pelo Copom, como provam áudios que expõem a conversa entre os PMs envolvidos na ação e o comando. “Jogou pra cima, Copom! Jogou pra cima!”, diz um dos agentes durante a perseguição.

De acordo com especialistas, o jargão indicaria um tiroteio. Na primeira versão da fuga, dada tanto pelos militares quanto pelo garoto que sobreviveu, é relatado que o menino que morreu teria disparado três vezes contra a viatura. No entanto, o diálogo mostra que a ordem não era de parar o veículo furtado. “Cautela, viatura, mantenha distância. Evita o confronto!”, diz o atendente do Copom.

As imagens não permitem chegar a uma conclusão sobre o tiroteio. A Secretaria da Segurança Pública não comentou a reportagem, mas informou que todos os áudios, imagens e testemunhos estão sob investigação.

Felipe Rau/Estadão Conteúdo – 4.6.16

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O menino de 11 anos, parceiro do garoto morto, disse, em um terceiro depoimento prestado, ter sido agredido e ameaçado antes de gravar um vídeo sobre o tiroteio. Em outra declaração, a criança chegou a dizer que o colega estava desarmado –a família da vítima acredita que o revólver teria sido “plantado” pelos policiais militares. O sobrevivente está no programa de proteção de testemunhas.

O laudo pericial mostrou que as mãos do garoto assassinado pela PM continham rastros de pólvora, mas a luva que ele usava, não. O projétil que acertou a criança na cabeça saiu da arma de um dos policiais militares – e o vidro só teria uma marca de tiro, de fora para dentro.

Corregedoria

Os policiais envolvidos na abordagem na Vila Andrade estão trabalhando na Corregedoria da Polícia Militar, órgão encarregado de investigá-los, em procedimento paralelo ao conduzido pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

A Secretaria de Estado da Segurança Pública não deu detalhes sobre o motivo de envio dos agentes para atuação na Corregedoria, onde prestam serviços administrativos. Os homens estão lotados no 16º Batalhão da PM, que atende a zona oeste e parte da sul, e começaram a trabalhar lá segunda-feira.

O ouvidor das Polícias, Julio César Fernandes, achou “surpreendente” a decisão de colocar os policiais para dar expediente no órgão que os investiga.

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