A partir de informações passadas pela Corregedoria do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, em conjunto com o órgão, o Ministério Público e a Corregedoria Geral Unificada (CGU), desmantelou uma quadrilha que agia há pelo menos dois anos fraudando os processos de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação. A “Operação Contramão II” teve como objetivo cumprir 42 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão em todo o estado do Rio de Janeiro.

As investigações começaram em 2009, a partir de irregularidades constatadas pela Corregedoria do Detran, que passou as informações à Delegacia de Defraudações (DDEF), responsável pela coordenação da ação desta sexta-feira. Segundo o subchefe operacional da Polícia Civil, Fernando Veloso, os criminosos cobravam de R$ 800 a R$ 4 mil para aprovarem os candidatos no exame de habilitação. Os valores cobrados dependiam do nível de exigência para a obtenção da CNH. Ao candidato totalmente incapaz, era cobrada uma quantia mais elevada, enquanto os que simplesmente queriam conseguir os documentos sem se submeter aos exames obrigatórios, pagavam menos. Em média, 200 pessoas por mês se beneficiavam dos serviços dos fraudadores, o que significava um lucro anual estimado em R$ 10 milhões.

Mais de 300 agentes, da Polícia Civil, do Detran e do Ministério Público, se reuniram na Academia de Polícia Sylvio Terra (Acadepol) no fim da madrugada para receberem os endereços onde iriam cumprir os mandados de prisão e busca e apreensão. A operação abrangeu onze municípios e 37 bairros do estado. Vinte e uma auto-escolas estão envolvidas na fraude. As buscas também aconteceram em algumas dependências do Detran, onde trabalhavam funcionários e prestadores de serviços envolvidos no esquema.

Até o meio-dia, 25 dos 42 mandados de prisão já haviam sido cumpridos, com vasta apreensão de documentos e material para análise posterior, como CPUs, telefones celulares, anotações e cheques, além de R$ 145 mil em espécie.
O delegado titular da DDEF, Gabriel Ferrando, afirmou que o material apreendido será usado para o aprofundamento das investigações.

– Esse material será usado para identificar pessoas que adquiriram a Carteira Nacional de Habilitação de maneira ilegal – afirmou o delegado.

Segundo o corregedor do Detran, David Anthony, essas pessoas sendo identificadas perderão suas carteiras e responderão criminalmente. O corregedor lembrou ainda que a corregedoria fez um trabalho pró-ativo, levantando todos indícios, sem aplicar medidas disciplinares, que pudessem atrapalhar as investigações, encaminhando o material para a Delegacia de Defraudações.

O promotor de Justiça, Homero das Neves, ressaltou que a ação foi inédita.
– Estamos em uma fase nova. A integração de todos os órgãos envolvidos fez com que o trabalho pudesse ser realizado – afirmou.
Os presos responderão pelos crimes de formação de quadrilha, falsificação de documento público, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva e inserção de dados falsos no sistema de informações.

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