Especialistas afirmam que notas médias ‘apagam diferenças sociais’. Sistemas não pontuais que avaliam a evolução do aluno são mais precisos.

O resultado de determinada escola no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não deve ser o único critério para que pais decidam matricular seus filhos nela, afirmam especialistas em educação. De acordo com os educadores, a comparação entre escolas não dá pistas sobre a qualidade do ensino, e o uso do Enem como “vestibular” não mede os desafios que o estudante enfrenta no aprendizado durante o ensino médio.

Ocimar Munhoz Alavarse, professor de avaliação e política educacional Faculdade de Educação da USP, diz que “o Enem a cada ano mais está se transformando num grande vestibular” e, por isso, “derivar a qualidade da escola [a partir do ranking do Enem] é questionável”. De acordo com ele, o ranking só tem utilidada para “os pais são aqueles que acham que passar no vestibular é a melhor característica da escola”.  Alavarse explica que a prova mede habilidades específicas de cada aluno individualmente e, por isso, não pode ser considerado o único indicador de qualidade “se você levar em conta série de desafios colocados no ensino médio”.   O uso mercadológico desse ranking pelas escolas, segundo o professor da USP, apela para o tipo de público que dá muito valor ao ingresso à universidade e ao posicionamento “do aluno no processo de disputa”.

A lista, porém, não abrange a realidade das escolas. “Hoje a imensa maioria das escolas não tem condições de organizar seu currículo em função do que o Enem cobra.” Alavarse diz que, para avaliar as escolas, prefere os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), exame aplicado a cada dois anos por amostragem de alunos.

Para a coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Maria Márcia Sigrist Malavasi, o Enem não é um sistema de avaliação. De acordo com ela, “só se pode avaliar de fato a qualidade da escola se for feito acompanhamento dos alunos que estão lá, mais de um exame daquele mesmo aluno para ver quanto de melhoria a escola o ajudou a ter”.

A coordenadora de psicopedagogia da PUC de São Paulo, Neide Noffes, afirma que “a competição e a comparação [entre escolas] não dá pistas”, porque só mostra as notas, mas “não elenca os atributos dessas escolas”. Escolher a escola ideal para os filhos, segundo ela, é uma tarefa que precisa levar em conta outros critérios. “Nenhum pai quer o filho na pior escola, mas, normalmente, a escola boa também é uma escola média. Ela tem que ter um bom perfil, mas não precisa ser o topo de linha, senão vira muita competição”, diz.

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