Faltando um dia para fazer a própria defesa no julgamento final de seu processo de impeachment no Senado, a presidente afastada Dilma Rousseff não tem intenção de renunciar ao mandato, o que evitaria o confronto e desgastes com políticos que já a apoiaram. Em entrevista na madrugada de segunda-feira no SBT, ela chamou o presidente interino de “usurpador golpista” e que o pedido de renúncia seria “um presente para eles”.

No entanto, Dilma não se deixa enganar: ela já dá seu impeachment como certo. Mas com seu espírito guerrilheiro, a presidente afastada lutará até o fim para se manter no cargo. “Realisticamente, lutarei até o fim. Jamais eu jogo a toalha”, disse com orgulho.

De seu bunker no Palácio da Alvorada, Dilma tem conversado com senadores e luta para conseguir, amanhã, os 28 votos para se salvar, embora saiba que o grupo de Temer trabalhou pesado para antecipar a votação final e conseguir os votos necessários para o impeachment. Essa pressa teria um motivo: “ele tem medo de alguma delação premiada que mostre o grau de comprometimento do governo interino”, afirmou.

A ideia de ir pessoalmente ao Senado para fazer sua defesa tem o objetivo de constranger seus ex-ministros Eduardo Braga (PMDB-AM), Edison Lobão (PMDB-MA), Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), Marta Suplicy (PMDB-SP) e Marcelo Crivella (PRB-RJ) que mudaram de lado e votaram contra ela.

Dilma reafirmou que não cometeu crimes, mas reconhece muitos erros, “inclusive o de não perceber que iria ser traída do jeito que fui” e de escolher Temer para seu vice. Sem trocadilho, ela disse que uma eventual prisão de Lula seria uma “temeridade”.

O julgamento da presidente afastada pode durar até cinco dias. Serão 120 horas de tensão extrema para Dilma e de total constrangimento para Temer. Ela disse à emissora de Silvio Santos que “nenhum empreiteiro pode afirmar que deu alguma contribuição financeira” para ela. Mas reconheceu: “Pode dizer que deu para minha campanha”.

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