Ostentação em rede social pode sair caro

Dora Paula Paes
Foto: Rodrigo Silveira

O período para declarar bens à Receita Federal terminou em abril, mas com as redes sociais o leão ganhou uma ajudinha extra para saber se o contribuinte está declarando todos os seus bens. Uma foto inocente, por exemplo, pode revelar o que uma pessoa não contou. A prática usa um dos institutos básicos do ser humano, o ato de se exibir. Auditores estão investigando as redes sociais para checar o patrimônio das pessoas. Quem ostenta na web e não declara no Imposto Renda, vai ter que se explicar.

Um contador em Campos conta que a Receita Federal sempre buscou mecanismos para cruzar dados. “Com o advento da internet e das redes sociais ficou mais fácil esse cruzamento de informações. Antes, a Receita também sempre esteve de olho via colunas sociais, jornais e rádio. Já tive cliente com problema em franquias. Mas, já ouvi história em Campos de gente que teve que se explicar por bem não declarado, mas ostentado”, revela. Segundo o contador, a orientação ao contribuinte é simples: “sempre falar a verdade. Ostentar sem poder, pode ficar muito caro”, ressalta.

A Receita Federal já treinou 100 auditores e analistas para a função. As redes sociais têm ajudado de duas formas: a primeira é quando os auditores da Receita cruzam as informações que a pessoa colocou na declaração do imposto de renda, ou seja, renda e patrimônio com fotos e coisas que a pessoa costuma postar nas redes sociais. Eles analisam se a renda que a pessoa declarou consegue de fato pagar aquela vida luxuosa, viagens, carros de luxo, imóveis que a pessoa ostenta nas redes sociais. Se isso não bate, eles começam a investigar de onde vem esse dinheiro.

A segunda forma de investigação é para o caso de buscas patrimoniais, quando o contribuinte deve para a Receita. Os técnicos verificam se existem bens que possam ser penhorados para o pagamento dessa dívida. A Receita diz que esse cruzamento de dados está sendo muito usado na Operação Lava Jato.

— O porquê disso? Simples: Big Data. Essa tecnologia representa uma nova realidade digital, e isso também se expande ao controle que o governo tem sobre os “espertinhos” que declaram seu patrimônio para todos nas redes sociais e, na hora de acertar as contas com o governo, dão uma de desentendidos. O Big Data nada mais é do que um processo de união de um volume altíssimo de dados, processados por um algoritmo que tenta encontrar um padrão e definir melhores resultados para o que é buscado. Por hora, o governo ainda não utiliza todo o potencial dessa ferramenta, mas em diversos estados isso já uma realidade — explica em artigo Adão Lopes, mestre em tecnologia e negócios eletrônicos.

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