Luciana Portinho
Nas eleições de sete de outubro próximo, o campista elegerá novos 25 vereadores. Da última vez foram eleitos 17. Portanto, um aumento de oito cadeiras. Segundo o presidente da Câmara, Nelson Nahim (PPL), o aumento não interfere no orçamento do Legislativo. Este último independe do número de parlamentares relacionado que é a um percentual da arrecadação do Executivo. Resta então a pergunta: o que muda?
Segundo o vereador Marco Bacellar (PDT), “Vejo positivamente. As cobranças da população chegarão mais rápidas.  Estou no Farol, e é só reclamação. Se queixam de tudo comigo; da programação que está apagada, à transferência da academia de local. E ainda agora escuto as pessoas se queixando da prefeita bater de casa em casa para cantar. Quem é o mal educado que diria não à prefeita? Aí vêm a mim e reclamam. É importante poder esclarecer à população que isto não altera em nada as despesas com o Legislativo de Campos. Na política temos que pensar para frente. Não dá para ser mesquinho. Veja bem, eu até acho, pode ser que no primeiro momento a base do governo se favoreça com este aumento de cadeiras na Câmara de Campos. Afinal a prefeita que é candidata à reeleição tem uma emissora de rádio à sua disposição. Nela fala o marido, o quê e quando quer”, disse Marco Bacellar.
Líder do governo na Câmara, o vereador Jorge Magal (PR) é claro ao afirmar “Quem ganha com esse aumento é a população. O município de Campos é grande. Cabe ao povo escolher os verdadeiros representantes, precisa observar os que trabalham ou não. A Câmara vive de sua receita que é fixa, só varia quando o orçamento municipal muda. A população reconhece que a oposição é fraca, fraquíssima. A oposição esquece de fazer política e faz politicagem. Com esse aumento, nós da situação, temos mais de 400 pré-candidatos na eleição proporcional. Não tenho dúvida, faremos de 20 a 21 vereadores eleitos pela base, ou seja, ao lado da prefeita Rosinha Garotinho”, falou o vereador.
Indagado sobre qual dos atuais 17 vereadores perderão o mandato nas eleições de outubro próximo, Magal, contrariando sua assertividade preferiu não opinar. Afinal, ele também é um vereador e a eleição ainda não aconteceu. “Quero sim agradecer a oportunidade oferecida da Folha em me deixar falar, em ouvir a situação e a oposição”, finalizou o vereador Magal.

“Alternativa para novas possibilidades”

Segundo o professor José Luis Vianna, diretor da Universidade Federal Fluminen-se em Campos: “Como sociólogo tenho hoje duas preocupações centrais. A primeira é a temática ambiental. Ainda que saiba que a vida é maior do que a capacidade do homem em apreendê-la, me incomoda a possibilidade de vir a não ter gente para usufruir das riquezas que criamos. A segunda é a social e está articulada à questão ambiental. Há uma encruzilhada no país.

 

Produzimos imensas riquezas, temos que transforma-las em bem estar social. Por essas necessidades, não vejo como negativo quem se dispõe a se misturar e a circular no meio da política. Cito o exemplo da Marina Silva. Ela é o que deveria ser uma regra não uma exceção. Mais pessoas com essa representatividade ligadas à alternativa de poder, abririam novas possibilidades na política”, disse o professor.

Professor concorda com aumento

Cientista de carne, osso e coração o professor José Luis Vianna é também sociólogo, mestre em Planejamento Urbano e diretor do Pólo da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Campos. Questionado se o aumento no número de vereadores representará renovação no legislativo campista, disse: “Por si só a quantidade não significa melhora na re-presentatividade. Não depende só desse fator. Mas não sou contra”, disse e prosseguiu:
— Com o passar dos anos minhas reflexões políticas vêm se alterando, o tempo impõe novas observações, nosso campo de visão se alarga. Passados quase 30 anos de democracia no Brasil, há o fenômeno da perda de legitimidade dos partidos políticos. Um enfraquecimento perceptível em toda a democracia ocidental moderna. A política se profissionalizou e afastou o cidadão comum que em algum momento pensou em se tornar um representante eleito. Os filtros são fortes. E nem estou falando de corrupção. Quanto mais o capitalismo se torna avançado e – à medida que o Brasil se integra entre os países de ponta – se reduz o leque de alternativas capazes de provocar mudanças — disse.

04/02/2012 – 13h08

 

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