Arnaldo Neto
Fotos: Folha da Manhã 

Enquanto Campos chegou à sua terceira “venda do futuro”, para outras cidades que compõem a Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro) a venda ainda é de ilusões. Não há sinalização oficial para Macaé, São João da Barra e Cabo Frio, entre outros municípios, que peregrinaram em Brasília junto com o secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR), que após negociações com a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil conseguiu sacramentar a transação com a Caixa no apagar das luzes do governo Dilma Rousseff. Sem o recurso visto pelos gestores como alento, mas que compromete o orçamento dos municípios no futuro, a regra é adequar o orçamento.

Em SJB, o prefeito José Amaro Martins de Souza, Neco (PMDB), já avisou que mais cortes serão elaborados por sua equipe nesta semana. Neste ano, Neco já reduziu o próprio salário e de seus comissionados, além de reduzir os contratos vigentes em 30%. Ainda assim, o município está com o salário dos comissionados em atraso, além de dívidas que se arrastam há meses com os terceirizados. A parcela recebida na última sexta-feira pela participação especial da produção de petróleo – R$ 1,9 milhão, o menor valor dos últimos meses — foi a gota d’água para o anúncio das medidas. “Se não cortar, não tem como pagar. Somos obrigados a cortar. Não tem outro caminho”, assegura.

Na cidade de Macaé, o prefeito Dr. Aluizio (PMDB), que já abriu mão do próprio salário entre outras medidas de economicidade, espera a autorização da Câmara para que possa tomar o empréstimo que tem como garantia royalties futuros. Neco já tem essa autorização, o que não lhe garantiu o empréstimo. O valor pretendido pelo município é R$ 200 milhões. A expectativa é que o projeto seja apreciado pela Câmara nos próximos dias.
O prefeito de Cabo Frio, Alair Corrêa (PP), também aguarda a liberação para empréstimo e almeja a mesma quantia de Macaé. Alair já adotou várias medidas de corte, chegando a exonerar todos os secretários, mas não foi o suficiente: “Eu estou refém do empréstimo. E tem mais. Sem o empréstimo, essa cidade vai falir, porque nós estamos arrecadando menos que a folha e não podemos desempregar ninguém”, afirmou em entrevista na última semana.

MP contra – O Ministério Público é contra o empréstimo em Cabo Frio e expediu uma recomendação para que a Câmara não vote o pedido para a antecipação dos royalties feito pela Prefeitura. Caso a recomendação seja descumprida, um inquérito civil pode ser aberto e, eventualmente, até uma ação civil pública.

16/05/2016 11:00

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