A equipe da Folha esteve em Morro do Coco, 12º distrito de Campos, e constatou diversos problemas. Dentre eles, saúde e educação precárias, transporte ineficiente e a falta de área de lazer. Além disso, alguns moradores sofrem com suas casas populares interditadas pela Defesa Civil.
A saúde está deixando a desejar em Morro do Coco e esta opinião é geral. Para a auxiliar de serviços gerais Cristiane da Silva Marques, de 35 anos, não se consegue ficha no posto de saúde. “Não se consegue ficha. Quase sempre, temos que pagar a alguém para ficar nas filas”, relata. Ainda segundo Cristiane, sua casa está interditada desde 2008 pela Defesa Civil. Atualmente, ela vive de aluguel social. Este problema não é só vivido por ela, a dona de casa Hilda de Almeida Silva Barbosa, de 62 anos, também sofre por ter sua casa interditada. Todavia, ela não tem para onde ir. “Sou obrigada a ficar e só escuto promessas. Meu marido é deficiente, a saúde é precária, o que aumenta meu problema”, reclamou.
O secretário municipal de Defesa Civil, Henrique Oliveira, informou que as famílias foram encaminhadas para a secretaria municipal de Família e Assistência Social para serem assistidas no programa Aluguel Social. Ainda, de acordo com ele, casas serão construídas, neste ano, para contemplar moradores de área de risco de Morro do Coco.
De acordo com o motorista Antônio Carlos da Silva, de 57 anos, o hospital que tem em Morro do Coco é muito fraco, o que implica em uma saúde precária, onde moradores dependem de Campos. “Marcamos hora e o médico não vem. As vagas são contadas e só há pediatra uma vez por semana”, ressalta.
Para a dona de casa Marli Ferreira dos Santos, de 64 anos, assim como muitos, ela fica dependente de Campos, no que diz respeito a atendimento médico.
O pedreiro Manoel Cândido dos Santos, de 62 anos, ficou nove meses dependendo de encaminhamento médico para operar. Manoel tem um tumor no intestino. De acordo com o pedreiro, os idosos ficam à mercê de Campos e não possuem auxílio médico nem no Clube da Terceira Idade.
De acordo com a secretaria de Saúde, a última inspeção na unidade de Morro do Coco foi realizada na última sexta-feira (16). Conforme o subscretário de Saúde, Roberto Vogel, profissionais aprovados no concurso estão assumindo seus cargos e o atendimento está normal.
A preocupação é geral também no que diz respeito ao lazer das crianças, que não têm onde brincar.
De acordo com a secretaria de Comunicação, o distrito de Morro do Coco possui uma praça, que foi reformada pela Prefeitura de Campos.

Transporte ineficiente gera reclamações

Outro problema que aborrece os moradores de Morro do Coco é a precariedade do transporte coletivo. De acordo com eles, o atraso é constante e a empresa responsável não tem compromisso com as pessoas.
Além disso, os ônibus não passam nos horários corretos, o que deixa as pessoas dependentes do transporte alternativo, que são as vans.
Para o auxiliar de padeiro Wellington Campos do Livramento, de 28 anos, a situação se agrava na parte da tarde.
— O que no salva, às vezes, são as vans que passam por aqui — conta. O montador Adalto Ribeiro Cordeiro, de 46 anos, não pensa diferente. “Dependemos de uma linha só. Não existe concorrência, dependemos das vans”.
De acordo com a secretaria de Transporte, a Empresa Municipal de Transportes (Emut) vem trabalhando no sentido de garantir aos moradores de Campos um transporte de qualidade. Para isso, foi iniciado o processo de licitação das novas linhas de ônibus que irão atender os usuários de transporte coletivo regular nos próximos anos, com ônibus novos e linhas interligadas entre bairros, como já acontece nas grandes cidades do país.

Ensino na escola do local seria fraco

A Escola Municipal Lulo Ferreira de Araújo, de acordo com moradores, apresenta um ensino fraco. Segundo a professora Silvia Swartz Paes, de 50 anos, a escola não possui um refeitório, uma sala informatizada, não tem biblioteca. “É uma vergonha, porque o ensino faz um cidadão. Como professora, fico indignada”, afirma. Ainda segundo a professora, atualmente, as crianças foram dispensadas da creche, porque os auxiliares também foram dispensados.
— Sem ensino, educação, os jovens e adolescentes ficam entregue às drogas — disse.
Segundo informações do departamento de supervisão escolar da Secreataria Municipal de Campos, a Prefeitura de Campos possui 4 unidades escolares que atendem as crianças que moram no distrito: Creche Escola Paulo da Silva, Escolas Municipais: Felício Sarlo, Luis Monteiro Barbosa, Lulo Ferreira de Araújo, Sesmaria.

Marcelle Salerno

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