Os moradores de Espírito Santinho, subdistrito de Santo Eduardo, desistiram de esperar pelo poder público, arregaçaram as mangas e trabalham na reconstrução da única praça da localidade. Com aproximadamente vinte voluntários, todo fim de semana o grupo se reúne para executar mais uma fase da obra.
Atualmente, o projeto está na etapa de reparo da alvenaria e pintura. De acordo com um dos membros da Associação de Moradores de Espírito Santinho (Amoes), Wagner Crespo, todo material utilizado na obra é fruto de doação. “A princípio, fizemos uma carteira de serviços para a execução dos trabalhos mais urgentes. O valor inicial é de R$ 5 mil. Caso a arrecadação seja superior a esse valor estipulado acrescentaremos outros serviços que já temos em mente.
Contamos ainda com as doações esporádicas e as de materiais usados, mas que têm alguma serventia para o nosso projeto. Além disso, temos as colaborações espontâneas de mão de obra e divulgação que fazem toda a diferença”, afirmou Wagner.
Ainda de acordo com o membro da Amoes, durante três anos e meio foram enviados inúmeros pedidos de poda das árvores da praça aos órgãos competentes da Prefeitura de Campos. “A prefeitura considera a nossa praça como guarita. Prova o fato que dezenas de praças de outras localidades foram reformadas e a nossa não. Como um espaço de 300 m² pode ser considerado guarita?”.
Essa não é a primeira vez que os moradores de Espírito Santinho mostram a força que têm. Há cerca de quatro anos, com o mesmo sistema de mutirão, eles manilharam as ruas da localidade. “Nossas ações vão além do serviço comunitário. Mostram a força que uma comunidade tem, o seu poder de transformar o ambiente que vive, além da conscientização social. Depois dessas ações percebemos que a ideia de responsabilidade sobre o poder público melhorou e muito. As pessoas estão mais conscientes do mundo que as cerca e isso é o mais legal. Além da obra física, vai ficar um legado muito concreto, literalmente falando”, destacou Wagner.
A praça deve ser reinaugurada no mês de novembro. “Como toda obra pública, teremos o maior prazer em (re) inaugurar o nosso espaço construído com o nosso próprio suor”, afirmou o membro da Amoes.

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