Mistério. Os R$ 350 mil apreendidos com um empresário em Niterói, no último dia 22 e que, segundo ele, seriam destinados a pagar funcionários terceirizados da Prefeitura de Campos, ainda estão longe de serem explicados. A Folha da Manhã teve acesso ao depoimento de Antônio Carlos Gravina à Polícia Civil e reproduz trechos ao lado. Os terceirizados são da empresa Angel’s que dia 11 de maio recebeu da Prefeitura R$ R$ 7.363.018,36, cuja fatia de 5% soma algo bem próximo da quantia apreendida com destino a Campos.

De acordo com o depoimento de Gravina, a empresa Angel’s presta serviços gerais de mão-de-obra à Prefeitura de Campos. Ele falou aos policiais que recebeu os R$ 350 mil do proprietário da Angel’s, Carlos Cury, e que levaria o dinheiro para sua residência, em Niterói. Ainda de acordo com o depoimento, Gravina explicou que não tem contrato firmado com a empresa e  que apenas presta “consultoria financeira verbal e pontual” para a Angel’s.

Mas, apesar de prestar essa “consultoria financeira verbal e pontual”, ele foi o designado pelo dono da empresa para resolver problema de desvio de função de alguns funcionários com a gerente de recursos humanos da empresa, Carla Ribeiro, que é sua namorada. Gravina tinha uma lista de funcionários da Angels que estariam em desvio de função. Ainda segundo ele, o valor do contrato da Angel’s com a Prefeitura de Campos, seria de R$ 2 milhões mensais.

O empresário contou também que a Prefeitura de Campos estava há quatro meses atrasada nos pagamentos à empresa e que duas semanas antes tinha sido feito o depósito. Por fim, ele relatou Cury pediu que ele fizesse um levantamento dos funcionários que teriam direito a gratificação e que existem contratados co-mo merendeiras que estariam em desvio de função como zeladores e porteiros. O caso está sendo investigado pelo deputado estadual Zaqueu Teixeira (PT), integrante da Comissão de Segurança da Alerj.

Zaqueu Teixeira é ex-secretário estadual de Segurança no governo Benedita da Silva, e delegado licenciado da Polícia Civil. O deputado classificou o episódio “no mínimo estranho, primeiro pelas versões falsas apresentadas por quem portava o dinheiro, segundo pelo destino alegado, já que não é comum nenhuma empresa pagar funcionários em espécie, e, por fim, por envolver recursos públicos, já que a Angel’s presta serviços terceirizados na Prefeitura”.

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