Daniela Abreu
Foto: Folha da Manhã 

Todas as usinas de cana de açúcar da região deverão estar moendo até o final do mês de maio e com o avanço do cumprimento da Lei Estadual 5990/11, que determina a extinção gradativa do método manual de corte da cana, a redução de postos de trabalho também cresce a cada moagem. Das 11.100 toneladas de cana colhidas somente pela Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio (Coagro) no ano passado, 5.500 toneladas foram plantadas em área de corte cru, ou seja, mecanizada. Para este ano a expectativa da usina é um aumento de 20% em relação à safra anterior.
Segundo o presidente do Sin-dicato dos Trabalhadores Rurais de Campos, Paulo Honorato, a situação, que tende a piorar em virtude do avanço da colheita mecânica, que na verdade é uma modernização do setor buscando adequação às normas ambientais, já era grave no ano passado quando, afetadas por uma série de fatores como a ausência de matéria-prima, em virtude da seca histórica, mais de dois mil trabalhadores foram dispensados.

Este ano, mesmo com a expectativa de melhorias no setor, a possível contratação de trabalhadores de fora do Estado, segundo Paulo, deverá reduzir vagas na região.

— A gente fica preocupado, por que aqui já está nessa situação de desemprego. E agora temos trabalhadores de outras cidades migrando para Campos — lamentou Paulo, que revelou que uma das usinas da região trouxe cinco turmas de trabalhadores de Minas Gerais e que nos próximos dias deve buscar um diálogo com a direção da mesma sobre o assunto.

Apesar de as expectativas de geração de empregos não ser co-mo o esperado, o presidente do sindicato não perde o otimismo e acredita na revitalização do setor. “Mesmo com essa crise a gente tem que pensar positivo, apesar de que no ano passado houve uma seca grande, depois houve chuva e tem matéria prima e por isso nós estamos otimistas de que vai gerar emprego e renda”.

As expectativas são confirmadas pelo vice-presidente da Associação Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan), Tito Inojosa, que acredita que esse ano seja melhor por que com as chuvas do início deste ano e mesmo que a ausência delas nos meses de março e abril, a expectativa é de aumento na área de colheita.

— A parte crua é colhida com máquina e a outra parte é com colheita manual para também não desempregar todo mundo. Se implantar isso do dia para a noite o pessoal fica sem trabalho. O cortador de cana tem idade avançada, a maioria tem mais de 58 anos. É difícil aprender a fazer outra coisa — disse Tito.

Produção de açúcar mais atrativa na safra

Na tentativa de conter a inflação, nos últimos anos os preços dos combustíveis foram freados. Com isso não houve interesse das indústrias na produção do etanol, fazendo com que o açúcar fosse produzido em alta escala. Além disso, as variações climáticas que produziram, por exemplo, a seca histórica que assolou a região, teve seus efeitos em todo o mundo.
Atualmente o descongelamento no preço combustível fez o açúcar faltar no mercado, o que deve dar um plus no preço do produto, que volta a ter a produção atraente.

— No governo lula cerca de oito a 10 empresas grandes vieram para o Brasil. O governo segurou o preço do álcool e passou todo mundo a fazer açúcar, o que gerou o excesso de produção mundial. Agora, com o aumento do preço dos combustíveis, a preço de mercado internacional, voltou-se a produzir o álcool, já que o produto agora tem preço — disse Inojosa.

Subsídio – A boa notícia ficou por conta do presidente da Asfucam, Eduardo Crespo que revelou a recente aprovação da Medida Provisória 707, aprovada na Câmara Federal e que vai prorrogar o prazo para o pagamento do subsídio que o Governo Federal não pagou aos produtores de cana do Rio de Janeiro. Segundo Eduardo, o prazo, estipulado por lei e sancionado pela ex-presidenta Dilma antes das últimas eleições, expirava em dezembro de 2015.

— Ela assinou a Lei, ganhou a eleição e não pagou, mas nós conseguimos, através de emenda parlamentar, colocar isso em votação, os deputados aprovaram. Falta aprovar no Senado para o presidente assinar novamente e a gente ganhar prazo para resgatar um direito do produtor que é receber R$ 12 por tonelada de cana — disse.

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