Quais ações serão adotadas para reverter à destruição provocada por tanto óleo?

A mídia brasileira, “não sabe-se o pôrque”, quase não esta divulgando a notícia sobre o vazamento de Chevron na Bacia de Campos na semana passada divulgamos neste blog informações sobre tal acontecimento.

Notícia 1: Vazamento de petróleo foi detectado perto do campo de Frade. Dilma determinou ‘rigorosa apuração’ do acidente em campo da Chevron.

  Notícia 2: Polícia Federal investiga derramamento em poço da Chevron na Bacia de Campos.

Mas como jornalista não posso deixar de dar ênfase a tal fato devido a proporção de seu impacto proporcionado por esse incidente. A Chevron Brasil informou sobre o vazamento ocorrido no dia 10/11  nas proximidades do Campo Frade, situado a 370 quilômetros a nordeste da costa do Rio. A empresa suspendeu temporariamente as atividades de perfuração.

A questão é como a imprensa brasileira, mais especificamente a local, pode não enfatizar um incidente que derramou centenas de litros de óleo em nossa Bacia. As notícias que comumente vemos são aquelas que anunciam que o vazamento já esta controlado.  Baseado em estimativas realizadas por meio de sobrevoos da área, o volume total de óleo na superfície,  continua estimado entre 404 a 650 barris, se multiplicarmos 650 por 8 dias chegamos a conclusão que estão derramados cerca de 5200 barris de óleo ao redor do litoral de Campos dos Goytacazes. Número de barris de óleo muito acima dos 60 barris divulgado pela empresa como estimativa no dia do incidente. A mancha já encontra-se a 120 quilômetros da costa.

Este fato nos remete ao acidente da empresa British Petrole ocorrido nos EUA em 20 de abril de 2010 que deixou onze funcionários desaparecidos. A empresa só conseguiu interromper permanentemente o vazamento no dia 19 de setembro (três meses depois). Este acidente desencadeou o pior derramamento petróleo na história dos Estados Unidos. O poço vazou de forma ininterrupta por 87 dias após uma explosão que matou 11 trabalhadores e arruinou as costas de quatro estados da costa do golfo e estimulou uma moratória sobre todas as novas plataformas marítimas de perfuração.

O vazamento havia sido controlado por engenheiros da BP desde 15 de julho, com uma tampa na milha de profundidade. Isso só ocorreu depois de terem derramado mais de 4 milhões de barris de petróleo no Golfo, cerca de 16 vezes mais do que os 257 mil barris de óleo derramado pelo desastre do Exxon Valdez no Alasca em 1989.

Conforme divulgado no jornal Folha de São Paulo do dia de 17/11/2011 o delegado Fábio Scliar, da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Polícia Federal no Rio de Janeiro, relatou que “a primeira visita de agentes da PF à plataforma da Chevron já constatou que, ao contrário do que vinha sendo noticiado, não há redução da mancha de petróleo – de tamanho impressionante, como registra fotos da Nasa”. Examinando estas fotos, a ONG Skytruth, especializada em interpretação de fotos de satélites com fins ambientais, o problema no Campo Frade, na bacia de Campos afirma que pode ser dez vezes pior do que o divulgado pela Chevron.

Em outra matéria do dia 16 de novembro apresenta a Chevron informando que “o Vazamento na Bacia de Campos é normal”. Pode-se concluir que a empresa subestimou não somente o problema, mas também nossa inteligência. Pode ser considerado normal um vazamento que segundo a estimativa de vários engenheiros ambientais pode chegar a 12 km²?

A questão principal agora é: quais ações serão adotadas para reverter à destruição provocada por tanto óleo? Não podemos concordar que após dias e dias de poluição da Bacia de Campos a empresa simplesmente anuncie que o incidente foi um fato normal e que o poço será fechado.

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