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O individualismo é irmão siamês do egocentrismo e, são endêmicos em espaços geográficos como é Campos dos Goytacazes, terreno fértil para o coronelismo, onde são gigantescas as práticas fisiológicas, que raramente nadam desacompanhadas da corrupção. O fisiologismo e perverso e matriz de governantes com inclinações absolutistas, despóticos e amantes da reengenharia que constroem administrações oligárquicas. Em Campos dos Goytacazes temos outros “telhados de vidro”. O fisiologismo já é uma endemia, uma patologia social que assustou o Bispo Dom Roberto Ferreira da Paz. Esse câncer da política municipal desconhece valores e, transforma vereadores (salvo raríssimas exceções) em uma nova modalidade de pelegos. E isso, é muito ruim, é horrível. Os “nobres vereadores” que teriam a missão de representar o povo no governo, receberam o mandato  (poder delegado) mediante o voto direto do eleitor.

Em sentido geral, o voto ou sufrágio é a maneira de se escolher determinada pessoa para exercer uma incumbência ou função. No sentido mais restritamente político eleitoral, votar não pode mais se resumir em a pessoa apenas comparecer à seção eleitoral a fim de cumprir um dever, uma obrigação, digitar na urna a manifestação de suas preferências por candidatos ou partidos. Votar é antes de tudo um direito. É através do voto que decidimos e teremos saúde, geração de emprego, moradia, e segurança pública para todos, sem consideração de origem, credo, raça, sexo ou opinião, só para citar alguns dos direitos sociais mais elementares, universalmente reconhecidos como devidos a todo o ser humano. “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Essa é a regra expressa no Artigo Primeiro da “Constituição Cidadã”. Este princípio, tradicional no Estado democrático de direitos se aplica também aos municípios e, abre caminho para que o povo campista seja mais participativo e intervenham, sejam ouvidos e respeitados nas formulações, decisões e acompanhem com olhar critico, as políticas desenvolvidas pela nossa prefeitura e, sobretudo, manter constante e estreita vigilância sobre o que fazem os vereadores e vereadoras. Foi, certamente, essa prática que levou a Assembléia Nacional Constituinte de 1988, a abrir a possibilidade dos povos exercerem de forma direta, uma decisiva participação livre e autônoma nas diversa instancias do poder publico, seja pela formulação de projetos de lei de iniciativa popular, ou pela interferência na administração dos conselhos de saúde, da criança e adolescente e o da igualdade racial. Nosso temos, é que com essa enorme incidência do fisiologismo espalhado por grande parte do nosso tecido social, os nossos mandatários venham cooptar os membros dos conselhos, à semelhança do que fazem com os chamados “líderes comunitários”.

Convém observar que a igualdade de oportunidades é o principal sustentáculo da verdade democracia participativa. A falta dessa igualdade faz a balança pender para um dos lados o que torna o sistema injusto e excludente, tendo como as maiores vítimas dessa exclusão social, as mulheres e as chamadas minorias étnicas. Em Campos dos Goytacazes os principais beneficiários da oligarquia são os cabos-eleitorais, alguns empreiteiros e os vereadores da base de apoio ao governo. E, é claro, a família oligarca e os membros dos diretórios de alguns partidos.

Os partidos, evidentemente, representam (mais uma vez, com raríssimas exceções) sempre interesse de determinados grupos dentro da sociedade. Sua própria existência constitui a admissão tácita de que, onde teoricamente, todos deveriam gozar de iguais direitos e cumprir os mesmos deveres, é a isso que chamamos de cidadania, há diversidade de tratamento entre os determinados grupos de cidadãos, que para a defesa de seus interesses,  tem de, a qualquer custo, se arregimentar e tratar de conquistar o poder, ou sobre ele exercer  influencia, afim de que possam alcançar o que desejam, mesmo que seja o poder pelo poder.

No legislativo municipal, o vereador Marcos Bacellar parece suspeitar de que falta prioridade no trato da coisa pública. Pode ter havido do povo que, certamente, irá faltar na educação, na saúde, na habitação, no saneamento, em fim, na qualidade de vida desse povo sofrido, que é pobre, embora viva numa cidade muito rica.

Acredito, que os vereadores, legítimos representantes do povo, assim como, o Ministério Público, não deixarão esses milhões “Esqueffidos”.

Quantos aos vereadores, cabe lembrar que a configuração atual na Câmara municipal não reflete mais a realidade nascida das urnas abertas nas eleições do ano de 2008. O povo elegeu outra estrutura. O povo então foi traído. A proposta que venceu nas eleições para o executivo não conquistou no voto popular essa base de apoio tão ampla. O atual governo não recebeu do povo essa maioria tão confortável. Essa maioria absoluta é resultado do loteamento da máquina pública, o que significa o fisiologismo que Dom Roberto citou e, incomodou a tanta gente. Esse verdadeiro rolo compressor que a prefeitura instalou na câmara de Vereadores, permite uma gestão com total desrespeito ao interesse público e a devida transparência. A submissão total do legislativo motiva o governo a exercer uma gestão hermeticamente fechada. Esse espaço geográfico é o habitat do fisiologismo que Dom Roberto citou e, incomodou tanta gente. A maioria absoluta que a prefeitura hoje, possui na Câmara não é resultado direto das urnas. Podemos afirmar que essa coalizão, portanto, não está em sintonia com a opinião e nem com o desejo do povo campista, sufragado nas urnas. A despeito do que diz o Instituto Imprecisão essa maioria só se tornou possível por causa da endemia na qual se transformou o fisiologismo em nossa cidade.

Nesse ano de 2011 o orçamento aprovado para o exercício do ano inteiro, foi próximo de dois bilhões de reais (gastaram tudo já no mês de junho). Esse volume enorme de dinheiro representa muita força para que está com a “caneta” na mão. Nesse particular, quem canta nossos males não espanta. Assim sendo, àqueles que possuem força em demasia, deve-se limitar-lhe o poder. E, a quem falta a força, é necessário que lhes seja possibilitado o aceso ao núcleo de  decisões das políticas públicas que terão impactos sobre toda a sociedade. A manifestação extremamente oportuna do Bispo de Campos provocou reações diversas na classe política e, profundas reflexões em todos nós. É vital que abandonemos a postura passiva que ora ostentamos. É vital que a igreja e demais instituições representativas da sociedade participem ativamente das eleições de 2012.

As palavras do Bispo revelam uma postura reformista. É como reconhecemos os socialistas que defendem a adoção de reformas sociais por meios pacífico, que acreditam que somente através da revolução das idéias a plutocracia instalada na administração pública, ou seja, o regime político em que o governo é exercido em beneficio apenas da família e da classe rica, onde impera em sua plenitude, vertical e horizontalmente, o poder predatório do fisiologismo servil e atrelado a força do “dinheiro em estado puro”,, ficando o destino de toda a comunidade, submissa, nas mãos de um grupo reduzido. SE tivermos a participação efetiva dos diversos setores representativos da sociedade, nas eleições municipais, ser possível banir dos poderes, os absolutistas, os coronéis e, sobretudo, os fisiológicos.

Quando o Fórun Social Mundial ocorreu pela 1° vez em 2001, deixou claro que um outro mundo é possível. As advertências do Bispo Dom Roberto da Paz deixa claro que uma outra Campos é possível.

Nunca antes na história dessa cidade houve condições econômico-financeiras tão adequadas a construçaõ de uma política da dignidade humana, ocorreu, que o fisiologismo cancerígino esta consumindo nossos sonhos. Na hora de decidir na urnas novos governantes e representantes para Campos, sertá necessário identificar os políticos fisiológicos. O fisiologismo gera a individualidade que, por sua vez, gera políticos que trabalham pensando nas próximas eleições. Necessitamos eleger pessoas públicas que trabalhem pensando nas próximas gerações.

Em oposição a individualidade, a sociabilidade é solidária e gera políticas públicas abarcativas e, sobretudo, socializantes.

José Augusto Souza Candido, licenciando em geografia.

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