Com estoque baixo, unidade enfrenta dificuldade para atender hospitais em Campos e regiãoImagine esta situação: você sofre um grave acidente de trânsito e precisa de uma transfusão de sangue urgente, mas corre o risco de morrer porque o estoque disponível no hospital não é suficiente. Este pesadelo é bem real. Faz parte da rotina do Hemocentro Regional de Campos, responsável por atender aos hospitais da cidade e de mais 15 municípios das regiões Norte e Noroeste Fluminense.

Situado no Hospital Ferreira Machado (HFM), o Hemocentro enfrenta diariamente o problema da falta de sangue, de todos os tipos. Com frequência, a Prefeitura de Campos precisa promover campanhas em rádio e TV pedindo à população que pratique esse ato de amor e solidariedade.

“Por mês, chegamos à marca de 1.200 doadores, o que dá uma média de 40 por dia. Acontece que esse número é muito baixo, tendo em vista as demandas locais. O ideal seria que recebêssemos 70 pessoas por dia. Como isso não acontece, nosso estoque está a cada dia mais baixo, e isso muito nos preocupa e causa um impacto muito grande nos atendimentos”, lamenta a assistente social Maria Gonçalves. Segundo ela, o público predominante de doadores são homens de 30 a 50 anos.

“Nós precisamos de todos os tipos sanguíneos, principalmente A+, que representa a maior carência do Banco de Sangue. Já o tipo O-, que doa para todos, é o que não pode faltar”, explica.

Em apenas 15 minutos você pode salvar uma ou mais vidas. Esse é o tempo médio para a retirada de 450 ml de sangue. O processo é rápido, sem dor e totalmente seguro. Ainda assim, muita gente não doa por medo. “Não há risco de contaminação para o doador. E, antes do procedimento, são retiradas amostras para realização de alguns testes, como HIV e hepatites, entre outras doenças que podem ser transmitidas pelo contato sanguíneo. A partir daí, o doador tem um prazo de 15 dias para apanhar o resultado do exame”, explica Maria, informando que a doação é sigilosa e todos os dados do doador ficam guardados por 20 anos.

Empresas, igrejas e instituições como o Exército costumam atender ao apelo do Hemocentro e sempre recrutam voluntários para doar. Além disso, o Hemocentro conta com uma unidade de coleta móvel, que visita bairros, escolas e empresas.  As visitas são agendadas.

Doador voluntário há mais de dez anos, o motorista André Francisco Barreto de Oliveira, 35 anos, conta que tudo começou quando um amigo sofreu um acidente automobilístico e precisou de uma transfusão de sangue para os procedimentos cirúrgicos. “Tudo é uma questão de consciência, porque a gente nunca sabe o dia de amanhã. Doando, temos que ter a visão de que estamos fazendo o bem para o próximo e para nós mesmos”.

COMO DOAR
O Hemocentro recebe doações diariamente, inclusive aos sábados, domingos e feriados, das 07h às 18h. Para doar, é preciso levar um documento original de identidade com foto, ter peso superior a 50 Kg, idade entre 16 e 69 anos, não estar em jejum e não ter ingerido alimentos gordurosos nas últimas três horas.

Doadores menores de 18 anos devem comparecer ao local acompanhados pelo representante legal, que deverá apresentar cópia do documento de identidade. Candidatos com idade superior a 60 anos só poderão doar se já tiverem feito doação de sangue anteriormente.

NOVAS INSTALAÇÕES
No último dia 23 de janeiro, Prefeitura de Campos, Caixa Econômica Federal e Ministério da Saúde assinaram um convênio no valor de R$ 10,5 milhões para a construção do novo Hemocentro. As novas instalações atenderão à demanda de uma população de cerca de 900 mil pessoas.

A verba foi liberada pelo governo federal através de intervenções dos deputados federais Anthony Garotinho e Paulo Feijó. O novo Hemocentro será construído na Avenida 15 de Novembro, esquina com a Rua Espírito Santo, ao lado do estacionamento do Hospital Ferreira Machado(HFM). Segundo o secretário de Obras de Campos, Edilson Peixoto, a previsão é que as obras sejam concluídas em dois anos.

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