O sistema de saúde pública em Campos voltou, mais uma vez, a dar sinais de fragilidade esta semana, após o Hemocentro Regional de Campos deixar de fornecer sangue aos hospitais da cidade e alguns da região por falta de material para realizar exames sorológicos. Segundo a médica hematologista e hemoterapeuta Daniela Tudesco, que atuou na direção técnica do Hemocentro de 2012 a 2015, o problema pode levar à interdição parcial ou total da unidade.
Daniela conta que todos os hospitais da cidade captam sangue no Hemocentro instalado no Hospital Ferreira Machado (HFM). No entanto, hospitais como Dr. Beda, Unimed e Álvaro Alvim também recebem sangue de unidades transfusionais privadas. Já os hospitais públicos, como o HFM, o Hospital Geral de Guarus, além dos hospitais de Pádua, São Francisco de Itabapoana e Quissamã, captam sangue somente do Hemocentro.
Ainda segundo Daniela, os artigos 129 e 130 da Portaria 158/2016 do Ministério da Saúde e os artigos 93 e 108 da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbem liberação de bolsas de sangue sem testes de sorologia para sífilis, doença de Chagas, hepatites B e C, Aids, e HTLV I/II.
A hematologista não descarta a possibilidade de interdição parcial ou total da unidade. “Há sério risco de o setor de sorologia ser interditado. Se for identificada a insuficiência de outros materiais e insumos para manter a coleta de sangue de forma adequada, pode haver interdição total”, analisou Daniela.
“O sangue total e seus componentes não serão transfundidos antes da obtenção de resultados finais não reagentes/negativos, nos testes de detecção”, ressalta o parágrafo 5º da Portaria 158/2016.
A hematologista não descarta a possibilidade de interdição parcial ou total da unidade. “Há sério risco de o setor de sorologia do Hemocentro ser interditado, caso a situação persista. Se for identificada a insuficiência de outros materiais e insumos para manter a coleta de sangue de forma adequada, pode haver interdição total”, analisou Daniela.
A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde não quis comentar o assunto e informou que as explicações deveriam vir do próprio Hemocentro. A equipe de reportagem fez contato com a assessoria do Hospital Ferreira Machado, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição.
Contra o tempo — Daniela Tudesco lembra que o sangue colhido tem data de validade que, dependendo do derivado, pode durar de cinco a 45 dias. As plaquetas, muito utilizadas por pacientes com câncer que enfrentam quimioterapia, por exemplo, têm validade de cinco dias. “Uma coisa é não ter doador. Outra coisa é não ter estrutura para garantir as doações. Na minha opinião, o segundo caso é mais grave, pois as coletas realizadas terão que ser descartadas se elas não forem submetidas aos exames de sorologia em tempo”, ponderou.

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