Na sexta (24), país havia liberado a compra de divisas pela população.
Detalhamento das medidas de flexibilização foi feito nesta segunda (27).

 

Na manhã desta segunda-feira (27), o governo da Argentina anunciou que a compra de dólares pela população está limitada a US$ 2.000 por mês. De acordo com as medidas de flexibilização do controle de câmbio do país, a compra será permitida para aqueles que ganhem, no mínimo, 7.200 pesos (perto de US$ 900) por mês.

“Poderão comprar até 2.000 dólares mensais todos os trabalhadores ‘monotributistas’ (profissionais) e autônomos (pequenos empresários), com receitas declaradas ante a Administração Federal de Receitas Públicas”, disse o chefe de Gabinete, Jorge Capitanich, em uma coletiva de imprensa.

O governo argentino havia anunciado na sexta-feira (24) que permitiria a compra de divisas estrangeiras pela população para posse e economia, em um momento em que o peso sofre a maior desvalorização em relação ao dólar em mais de uma década.

“Decidimos autorizar a compra de dólares para posse e economia”, anunciou o chefe de gabinete do governo, Jorge Capitanich, em uma breve coletiva concedida junto ao ministro da Economia, Axel Kicillof.

Na quinta-feira (23), a taxa de câmbio da Argentina sofreu o maior declínio diário desde a devastadora crise financeira de 2002. O peso argentino, no mercado interbancário, fechou em queda de 11%, a 8 por 1 dólar, após ter recuado 3% na última quarta, quando rompeu a barreira de 7 pesos por 1 dólar. No mercado paralelo, a moeda americana era negociada por cerca de 13 pesos.

Capitanich explicou que a compra de dólares seria autorizada “de acordo com o fluxo de renda declarado”.

Na sexta-feira (24), o governo também havia decidido diminuir de 35% para 20% a antecipação do imposto que incide sobre a compra de dólares para turismo e nas compras no exterior com cartão de crédito. No entanto, no domingo (26), voltou atrás e decidiu manter a taxa em 35%.

Queda do nível das reservas e temores
A desvalorização do peso surpreendeu o mercado, uma vez que o BC realizou intervenções diárias durante anos para evitar oscilações bruscas por temer aceleração da inflação.

Os dólares têm sido escassos na Argentina por causa da fraqueza de suas exportações, do baixo nível de investimento externo devido à desconfiança quanto à economia e pela falta de acesso aos mercados de crédito internacionais após o enorme default em 2002.

O governo da presidente Cristina Kirchner havia imposto no fim de 2011 um duro controle cambial para frear uma fuga de capital. Porém, as restrições não evitaram que as reservas do banco central tivessem redução de mais de 30% desde o início de 2013, e geraram incertezas que acabaram enfraquecendo a economia.

Na quinta-feira, o BC perdeu U$ 180 milhões de suas reservas, que caíram para US$ 29,263 bilhões, o menor nível desde o início de novembro de 2006. O nível de divisas no BC é crítico para o governo, que as utiliza para honrar suas dívidas em moeda estrangeira.

“De acordo com a maneira como está o mercado hoje, é impossível que o governo ou o Banco Central liberem o controle cambial porque hoje a demanda por dólares supera amplamente a oferta e as reservas estão diminuindo”, disse à Reuters, na ocasião, o ex-presidente do banco central argentino, Aldo Pignanelli.

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