Joseli Matias

Antonio Cruz

Qualificar a mão de obra para evitar a importação de profissionais e o descarte de trabalhadores locais. Esse é o principal foco a ser considerado por municípios da região, segundo o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), Amaro Ribeiro Gomes, diante da expectativa da instalação de grandes empreendimentos no Norte Fluminense, como o Porto do Açu e o Complexo Industrial Farol-Barra do Furado. Na preparação para receber o desenvolvimento, o empresário aponta, ainda, a necessidade de investimentos em infraestrutura e segurança nessas cidades.
— A primeira medida para que possamos receber com louvor o desenvolvimento é, sem dúvida alguma, a qualificação da mão de obra local, para que não haja mais a necessidade da importação de profissionais. Porque, se não for dessa forma, nossa população, que ocuparia esse papel profissional, acaba não tendo para onde ir. Então, vai fazer o que? Vamos acabar assistindo à criação de novas favelas no entorno do município — ressaltou Amaro.
De acordo com ele, Campos e São João da Barra também precisam estruturar seus serviços, como abastecimento de energia, água e saneamento, para suportar o crescimento sem grandes impactos negativos aos municípios.
— Não posso montar uma empresa grande em um lugar que não tenha isso, que não te-nha nada. Temos que nos preparar para receber esse pessoal. O Porto do Açu é uma realidade e onde é que esse pessoal qualificado vai morar? Ou na praia, numa casa boa, ou em Campos. Onde os filhos vão estudar? Em Campos. Então, o município também tem que se preparar. Temos que ter moradia digna, colégio digno, estrutura que possa receber isso tudo que está aí, até porque não é só uma fábrica, são várias e não são pequenas — afirmou o presidente da Acic, destacando que os empresários lo-cais também precisam se preparar e se qualificar para receber o desenvolvimento, senão, poderão registrar prejuízos.
O aeroporto de Campos é, mais uma vez, apontado como essencial nesse processo de crescimento dos municípios da região e, segundo Amaro, são necessários investimentos para aproveitar ao máximo a estrutura da unidade

Investimento na área de segurança pública

Ponto que já costuma receber atenção da Acic durante todo o ano, os investimentos na área de segurança pública também são apontados de grande importância nesse novo cenário econômico da região.
— Não podemos deixar de citar a questão da segurança. Com o porto, podemos es-perar também um aumento da prostituição, do tráfico de drogas, ou seja, da violência. Então, o município de São João da Barra, sem dúvida, vai precisar de um batalhão da Polícia Militar ou então de diversos DPOs (Departamentos de Policiamento Ostensivo) para impedir o crescimento da violência. É preciso ter uma polícia reforçada, equipada e preparada para isso.

Campos também vai precisar de reforços. Vamos precisar, mais do que nunca, das câmeras. Hoje, existem 10, mas, em breve, devemos contar com 70, o que ainda permanece longe da proposta inicial, que previa 200 câmeras espalhadas pela cidade — destacou o presidente da Acic, Amaro Ribeiro Gomes.

Cidades precisam correr contra o tempo

Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campos (CDL) e vice-presidente — cotado para assumir a presidência — da Federação dos Lojistas do Rio de Janeiro, Marcelo Mérida acredita que os municípios, apesar de terem muito que fazer, conseguirão se preparar para o crescimento sem precisar arcar com as consequências negativas do desenvolvimento. O comércio, de acordo com ele, vem fazendo sua parte para enfrentar essas mudanças.
— Os impactos serão grandes e, obviamente, essa moeda tem duas faces: os impactos positivos e os negativos. Neste primeiro momento, temos que pensar nos impactos positivos, porque os negativos só virão se não nos prepararmos para receber o lado bom da moeda. Esse é o grande desafio no momento. Existe um elenco de possibilidades e teremos que nos preparar para elas — ressalta Mérida.
Em sua opinião, para aproveitar ao máximo esses investimentos, o poder público precisa apresentar projetos e consolida-los na área da infraestrutura. Mérida destaca a necessidade de se ter educação de bom nível, saúde, estradas, energia, formando todo o conjunto capaz de atrair o capital. “Temos essa potencialidade. Reconhecemos os esforços desses municípios, mas é preciso fazer mais, e a médio e curto prazo”, destacou.

 

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