Os pacientes renais em estado agudo – os que dependem das UTIs e Emergências – estão vivendo dias de muita tensão em Campos. Eles correm o risco real de ficarem sem o tratamento de diálise. A prefeitura não paga desde outubro de 2015 a Clínica Pró-Rim – responsável pela prestação de serviços de saúde de média e de alta complexidade, nos segmentos hospitalar e ambulatorial do município. A dívida já está em R$ 2.126.732,50.

Tal fato gera um efeito dominó e também prejudica o tratamento dos pacientes renais crônicos. A clínica está com dificuldade em efetuar os pagamentos dos médicos, enfermeiros, profissionais de enfermagem e funcionários em geral. Além da dificuldade de adquirir insumos e honrar os compromissos com os fornecedores.

“A falta de crédito junto aos fornecedores para adquirir insumos e o atraso no pagamento dos funcionários pode interromper, involuntariamente, o tratamento dos pacientes que estão internados. Isso pode levar a uma fatalidade. Ou seja, pacientes podem morrer por falta de atendimento já que as clínicas estão sem condições de manter o tratamento”, destaca Gilson na Nascimento, presidente da Associação dos Renais e Transplantados do Estado do Rio de Janeiro (ADRETERJ). 

A ADRETERJ acionou a Defensoria Pública da União através do promotor Daniel Macedo. Muito preocupa a questão da diálise à beira do leito em Campos. Esse tratamento é a terapia levada aos pacientes internados e muitas vezes em estado grave. Essa modalidade de diálise não só contempla os pacientes renais internados. Muitas patologias e muitas comorbidades que acontecem com durante uma internação, pode fazer com que os rins temporariamente deixem de funcionar e a pessoa necessite de diálise para normalizar sua função renal. Em diversos casos até em grávidas quando seus rins são comprimidos no processo de gestação. Inúmeras pessoas acometidas de AVC, em coma também necessitam dessa diálise e não podem ser transportadas para uma clínica e às vezes nem tem matrícula na regulação para que sejam dialisadas regularmente como paciente crônico. Portanto, é obrigação dos municípios fornecer um mecanismo, contratar empresas ou fornecer um serviço próprio para que esses pacientes sejam atendidos à beira do leito”, explica Gilson Nascimento.

Nascimento ratifica a situação preocupante de Campos. “Estamos na eminencia desses pacientes deixarem de ser atendidos. A prefeitura não paga esse tipo de terapia, existe um grande entrave judicial. O município não tenta resolver a situação, acha que a clínica deve trabalhar de graça e a gente, como entidade representativa dos pacientes, não concorda com isso. Entendemos que a empresa deve buscar um bom serviço, mas merece receber. Seria um caos se as pessoas deixassem de ser atendidas nos hospitais por falta de pagamento da prefeitura. É mais um caso na diálise do estado em que os gestores devem ser responsabilizados criminalmente, caso aconteça algo com algum dos pacientes que fazem essa modalidade de tratamento”.

Se a prefeitura de Campos não quitar sua dívida, a clínica terá de parar com os tratamentos e os pacientes que dependem da diálise irão morrer. Os hospitais da cidade atendem em média 70 pacientes renais por mês, considerando UTIs e Emergências.

A Defensoria Pública da União convocou para terça-feira (10/10) uma reunião entre os municípios devedores, dentre eles Campos, e as clínicas que atendem pelo SUS.

A equipe de reportagem do Site Ururau entrou em contato com a Superintendência de Comunicação (Supcom) que informou “Trata-se de uma dívida deixada pela gestão anterior. O secretário da Transparência e Controle, Felipe Quintanilha, informa que este ano foi realizada uma reunião com representantes do Pró-Rim, onde o município tomou conhecimento da dívida, que não tem empenho (que deveria ter sido realizado pela gestão passada), o que contraria a legislação vigente.  

O município vive uma crise, atualmente, acelerada pela queda de arrecadação e, também, por essas dívidas deixadas pela gestão passada. Em virtude do repasse da Participação Especial ter vindo abaixo do previsto, o município teve que reavaliar o cronograma de pagamentos, portanto, o último repasse, referente a julho e  vencido em agosto, aos hospitais contratualizados, foi de 50% do valor. De janeiro a junho, todos os repasses municipais foram efetuados em dia.   

A unidade recebe recursos do Ministério da Saúde, através do Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (FAEC).  Os repasses federais estão em dia, inclusive o do mês de setembro.  O município ainda não foi informado sobre a reunião de terça-feira (10)”. 

A Clínica Pró-Rim também foi contatada, mas a informação foi de que os responsáveis não estavam na unidade. 

Fonte: Ururau

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *