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Se antes a terra, e depois o capital eram os fatores decisivos de produção, hoje o fator decisivo é cada vez mais o homem em si, ou seja, seu conhecimento. STEWART (1998).

Pode-se observar que nas últimas décadas, gradativamente, vêm ocorrendo mudanças na sociedade que geraram um processo de globalização mundial. Como decorrência, as empresas começaram a perceber a existência de um novo fator de produção a ser gerenciado, o Capital Intelectual, que tem o poder de elevação do valor de mercado das organizações, isto por que as pessoas carregam consigo uma bagagem de conhecimento capaz de promover o crescimento e sucesso das empresas. O conhecimento sempre desempenhou um importante papel nas organizações, e atualmente é um dos principais ativos organizacionais que tem se destacado como a base da vantagem competitiva. O conhecimento é mais valioso e poderoso do que os recursos naturais, grandes indústrias ou polpudas contas bancárias.

As empresas estão tendo de aprender a gerir seu conhecimento procurando organizar e sistematizar a sua capacidade de captar, criar, implantar e gerenciar informações tanto internas quanto externas que devem ser transformadas em conhecimento, proporcionando-lhe a capacidade de sobrevivência e aperfeiçoando a capacidade intelectual das pessoas que tomam diariamente as decisões que em conjunto determinando o sucesso ou o fracasso de um negócio.

Mas o que é Capital Intelectual????

Para conceituar capital intelectual Edvinsson e Malone (1998) comparam a empresa a uma árvore: consideram a parte visível (tronco, galhos e folhas), aquela que está descrita nas demonstrações contábeis e em documentos, e a parte invisível aquela que se encontra abaixo da superfície, no sistema de raízes, no caso o capital intelectual da empresa. Veja a figura:

O capital intelectual envolve o capital humano, o capital estrutural e o capital de clientes. O desafio está em combinar estes capitais intangíveis em benefício da empresa. Enfatizando que as pessoas que geram o capital intelectual das pessoas que geram os outros capitais.

O Capital Humano refere-se à capacidade, habilidade e experiência quanto ao conhecimento que as pessoas detêm e que agregam a uma organização. Mas este vai além dos indivíduos em si e inclui todo o processo em que eles trabalham em grupos e os relacionamentos internos e externos ligados à organização.

A educação e o treinamento constituem a maior influência isolada, a longo prazo, para o desenvolvimento e expansão dos negócios, por isso só as organizações que investem nisto estão à frente de seus concorrentes, visto que estocaram e estocam conhecimentos, aprendizados e experiências, transformando também em um extenso campo motivacional para seus colaboradores.

O Capital Estrutural diz respeito a toda infra-estrutura organizacional existente, pertence à empresa como um todo: tecnologias, invenções, dados, publicações, direitos autorais e outros, são criados pelos funcionários, e a utilização eficaz deste potencial tem poder de gerar valor à organização. O capital estrutural é todo gerado pelas pessoas.

O Capital de Clientes é o mais valioso de todos ativos intangíveis e pode ser entendido como o facilitador para os outros capitais, uma vez que valoriza e incentiva a organização a estabelecer alianças estratégicas para ampliar sua presença no mercado e ter maiores chances de alcançar o sucesso.

Como mensurar o capital intelectual da empresa?

O capital humano agrega o valor da formação do pessoal, das suas competências, do seu potencial futuro e, sobretudo do seu talento latente, por vezes escondido. Contudo, o capital humano é puramente pessoal e não é posse da empresa. Em geral o colaborador carrega consigo quando sai porta fora regressando a casa ao final do dia de trabalho. A empresa pode avaliá-lo, mas não consegue ter-lhe a propriedade.

A mensuração do capital intelectual é alvo de muitas discussões na atualidade do mundo contábil. Os relatórios fornecidos pela Contabilidade Financeira não demonstram a realidade atual da empresa, pois o preço de suas ações contabilmente encontra-se abaixo do seu valor de mercado. Esta distorção evidenciada no preço das empresas deve-se a existência do Capital Intelectual que conduz à necessidade de aplicação de novas estratégias, filosofia de gestão e formas de avaliação do valor da empresa. Não é nada fácil defini-lo, em virtude de sua subjetividade e intangibilidade. No entanto, o assunto não deve ser desprezado, pois é de grande relevância em transações comerciais, influenciando em resultados presentes e futuros.  Apesar dessa falta de domínio sobre o capital intelectual, a empresa pode contabilizá-lo por aproximação através de indicadores como a percentagem de empregados com graus acadêmicos avançados, o nível de sabedoria em tecnologias de informação e comunicação, o número de horas de formação, níveis de motivação e de liderança, poupanças nos custos advindas de sugestões e iniciativas inovadoras dos empregados e número de produtos e projetos de iniciativas do pessoal. Estes indicadores são o reflexo do conhecimento “tácito” existente nas organizações.  Mas o grande desafio, de acordo com Edvinsson (1998) é avaliar o capital estrutural na empresa, o que está fora da cabeça das pessoas. É o caso de bases de dados, comunidades de fidelização, marcas, patentes, “standards” de processos, redes de parceria, etc.

Enfim, para uma gestão eficaz do capital intelectual, torna-se fundamental não somente sua identificação e estruturação, mas também sua mensuração, procurando identificar mais objetivamente a relação entre o capital intelectual com a performance da organização.

Capital intelectual versus contabilidade

Conforme Stewart (1998) ressalta que atualmente algumas empresas são avaliadas pelo mercado de ações em três, quatro ou até dez vezes mais que o valor contábil de seus ativos. E Segundo Batocchio e Biagio (1999) a diferença entre o valor determinado pelo mercado de ações e o valor contábil, está vinculada à capacidade inovadora da empresa. Ou seja, ao número de patentes de propriedade, à marca, à carteira de clientes, à motivação, as qualificações e comprometimento dos funcionários, a tecnologia da informação e os incentivos à inovação, que constituem o capital intelectual da organização e podem desempenhar papel preponderante na criação de valor para a empresa.  Ver figura diferença entre o valor contábil e de mercado.

Assim, é essencial o reconhecimento de se quantificar e qualificar o conhecimento individual dos valores humanos e sua capacidade, no uso da informação. Mudar a imagem estática da informação transformando-a em imagem dinâmica, centrada na interpretação criativa dos dados pelo indivíduo.

Sveiby (2000) advoga que os ativos intangíveis são várias vezes mais valiosos que os tangíveis, o gerenciamento deveria concentrar-se na gestão dos intangíveisA detenção do conhecimento e fruto de pesquisas efetuadas pelo elemento humano tem peso substancial no valor de uma empresa.

Paiva (2000) destaca que a contabilização do capital intelectual não justifica o abandono ou o desprezo da contabilidade financeira. Sinaliza, sim, uma preocupação em proporcionar informações mais consistentes acerca do patrimônio da empresa, principalmente por assumir que inúmeros fatores de ordem intangível contribuem para o valor de mercado da mesma. Finaliza argumentando que “enquanto a contabilidade ‘tradicional’ destaca elementos do passado, o capital intelectual viaja para o futuro”.

Conclusão

Com as transformações econômicas, tecnológicas e sociais, houve uma profunda mudança da estrutura e valores da sociedade, o capital intelectual passou a ter uma importância fundamental em todas as atividades econômicas, o valor de mercado não depende mais apenas do seu valor patrimonial físico, mas principalmente do seu capital intelectual. O fato é que as empresas bem sucedidas estão se transformando em organizações educadoras, onde a aprendizagem organizacional é desenvolvida através de processos de gestão do conhecimento. A nova tendência de gestão de conhecimento nas empresas possui características marcantes capazes de promover cenários racionais de aproveitamento da força de trabalho, criando oportunidades de desenvolvimento intelectual.

O ser humano, apesar de todas as avançadas tecnologias dos sistemas de informação, rege papel importante e estratégico como elo fundamental, na análise e na adoção de medidas certas no tempo certo, por isso é preciso reconhecer, valorizar e investir no talento humano.

As empresas tendem a se diferenciar pelo que elas sabem e pela forma como conseguem usar esse conhecimento, gerando assim o Capital Intelectual da empresa, sua maior vantagem competitiva. O capital intelectual no espaço corporativo, se afirma cada vez mais como fator de diferenciação de uma empresa no meio em que opera, ocupando lugar de destaque nas grandes questões que permeiam o ambiente econômico das empresas e dos negócios globais.

As empresas que investiram até então sairam na frente, porém esta é uma questão em expansão, então quanto antes as empresas fizerem este investimento mais rápido terão o retorno.

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