A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar denúncias de irregularidades na Petrobras foi instalada nesta quinta-feira (26) na Câmara dos Deputados e será presidida por um peemedebista e relatada por um petista.

Motivada pelas investigações da operação Lava Jato, da Polícia Federal, a comissão será presidida pelo deputado Hugo Motta (PMDB-PB) e relatada por Luiz Sérgio (PT-RJ).

PT e PMDB são dois dos partidos que teriam recebido dinheiro do esquema de corrupção, segundo depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que fechou acordo de delação premiada com a Justiça.

A Lava Jato investiga um esquema de corrupção em que empreiteiras teriam formado cartel para participar das licitações de obras da estatal e pagariam propina a funcionários da empresa, operadores que lavariam dinheiro do esquema, políticos e partidos.

A sessão de criação da CPI, a terceira instalada no Congresso Nacional para investigar a Petrobras desde o ano passado, teve polêmica quando o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) levantou questão de ordem pedindo que os parlamentares que receberam doações de campanha de empreiteiras envolvidas na Lava Jato não participassem da CPI.

A questão de ordem foi rejeitada pelo deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que presidia a sessão de instalação da comissão por ser o membro mais velho, o que levou o PSOL recorrer à CPI. O assunto deverá ser decidido por Motta.

A CPI — que deve tratar de outros assuntos envolvendo a estatal, como a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e possivelmente de denúncias envolvendo a empresa durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como quer o PT — receberá a partir de segunda-feira (2) requerimentos de convocação de testemunhas e realização de audiências.

Até agora, 40 pessoas respondem a processo na Justiça Federal no âmbito da Lava Jato. Entre elas, dois ex-diretores da Petrobras — além de Costa, o ex-chefe da área internacional Nestor Cerveró — e 23 réus ligados a seis das maiores empreiteiras do Brasil.

Além disso, a Procuradoria-Geral da República montou uma força-tarefa para analisar o envolvimento de políticos com mandato no esquema. O procurador-geral, Rodrigo Janot, deve apresentar nos próximos dias uma lista com denúncias e pedidos de abertura de inquérito ao STF (Supremo Tribunal Federal), onde pessoas com mandato devem ser julgadas pela lei.

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