Moeda norte-americana era vendida na casa dos R$ 3,55 nesta terçaFotos Públicas/Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O dólar mantinha o ritmo de queda, de 0,8%, no começo da tarde desta terça-feira (24), após o governo anunciar as primeiras medidas para conter o avanço da dívida pública. Às 13h30, a moeda norte-americana era vendida a R$ 3,554.

Operadores receberam bem as propostas, mas ressaltaram que elas não são suficientes para consertar a economia. Além disso, ainda precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional, processo que promete ser turbulento.

Às 11h44, o dólar chegou a recuar 0,97%, a R$ 3,5477 na venda, depois de saltar 1,82% na sessão passada. A moeda norte-americana atingiu R$ 3,5423 na mínima do dia, pouco depois do pronunciamento de Temer.

O dólar futuro, que havia reagido à notícia de que o ministro do Planejamento, Romero Jucá, deixaria o ministério após o fechamento do mercado à vista na véspera, recuava cerca de 0,7%.

“Finalmente está tendo início o governo. As medidas parecem estar na direção correta, tentando blindar os gastos e evitar crescimento exagerado da despesa”, disse o operador da corretora Spinelli, José Carlos Amado. “Na minha opinião, [as medidas] passam no Congresso, mas vai ter muita briga”.

Entre as ações anunciadas por Temer estão o pagamento de R$ 100 bilhões em dívida que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) deve ao Tesouro Nacional, sendo R$ 40 bilhões agora, e limitar o crescimento das despesas primárias à taxa de inflação do ano anterior. Além disso, ele disse que vai “talvez” extinguir o fundo soberano brasileiro, trazendo cerca de R$ 2 bilhões para reduzir a dívida pública.

Segundo três operadores de corretoras e de um grande banco internacional, o anúncio trouxe bom humor a investidores locais, mas não foi suficiente para levar estrangeiros a comprar ativos brasileiros.

Outro fator que favorecia a cautela nos mercados locais era a expectativa pela votação da nova meta fiscal de 2016, após a CMO (Comissão Mista de Orçamento) suspender a sessão que avaliaria o tema na segunda-feira por falta de quórum.

O governo está pedindo ao Congresso Nacional autorização para marcar déficit primário de R$ 170,5 bilhões neste ano. Trata-se do primeiro grande teste do governo Temer no Legislativo.

“O mercado está trabalhando com o cenário de que a meta passa. Um cenário diferente – atrasos na aprovação, autorização para gastos adicionais – pode gerar algum nervosismo”, disse o especialista em câmbio da corretora Icap, Ítalo Abucater.

A moeda norte-americana já vinha caindo desde o início da sessão após a saída do ministro do Planejamento, Romero Jucá, considerada uma reação rápida do governo a sua primeira crise. O movimento também veio em um ajuste após a forte alta da sessão passada.

Na véspera, foi divulgado áudio de conversa de Jucá com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado pela qual o ex-ministro teria sugerido que uma troca de governo resultaria em pacto para frear o avanço da Operação Lava Jato. Ambos os interlocutores são investigados.

“A saída do Jucá deu uma válvula de escape para o mercado, que sofreu muito ao longo do dia [na segunda-feira]”, disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano. “Não é uma solução definitiva e está claro que a política vai continuar bastante turbulenta, mas pelo menos parece que o Temer manobrou relativamente bem esse escândalo”, acrescentou.

Jucá é um dos principais articuladores do governo junto ao Congresso Nacional e tinha entre suas funções angariar apoio às medidas econômicas da equipe de Temer. O Banco Central não anunciou até agora qualquer intervenção cambial, mantendo-se ausente do mercado pela quarta sessão consecutiva.

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