O cenário é de preocupação com o destino da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Darcy Ribeiro, em Campos, que vive uma crise impressionante acumulando, desde outubro do ano passado, dívidas que já ultrapassam os R$ 14 milhões. E para piorar a situação, há seis meses sem receber salário, o pessoal terceirizado que presta serviços de limpeza, jardinagem, manutenção predial e ar-condicionado, também ameaça parar as atividades já nesta segunda-feira (24/10), seguindo o exemplo dos seguranças, que por falta de pagamento por parte do governo do Estado, estão em greve desde setembro último, cumprindo apenas os 30% como manda a legislação.

Nesta sexta-feira (21/10), à tarde, o reitor da Uenf, Luis Passoni, esclareceu, durante coletiva de imprensa, o real cenário que vive atualmente a instituição. Segundo ele, se persistir esse quadro, o pessoal da manutenção corre o risco de suspender por total as atividades. “Sem os serviços desse pessoal a universidade tem muita dificuldade em continuar funcionando. A gente vem conversando com essas empresas, que tem sido muito solidárias e compreensivas com a gente e temos conseguido manter o funcionamento, apesar de, não ter feito os pagamentos. Mas, entendemos que há um limite”, informou Luis mencioando que a dívida com as empresas terceirizadas é de um ano. A crise é tão séria que os próprios funcionários da instituição vêm fazendo ‘vaquinhas’ para a compra de materiais de limpeza e para a manutenção de veículos da universidade.

Tentando achar uma solução para o grave problema que se arrasta a universidade, nesta sexta, pela manhã, o reitor e toda a comunidade do campus, se reuniram com o Conselho Universitário. Na ocasião, um dos caminhos apontados pelo conselho foi que a instituição precisa entrar com uma consulta no Tribunal de Contas do Estado sobre a situação de inadimplência do governo para com a Uenf.

“Também começamos a discutir ações de contingência e já temos uma colaboração da Polícia Militar e da Guarda Municipal. Vamos chamar os sindicatos para conversar e ver o que cada categoria pode colaborar na contingência para a gente tentar chegar até o final do ano. Discutimos também, cada um na sua área física de atuação, assumir a questão da limpeza e da possibilidade de encerrar o semestre com 75% das aulas, já que pela lei é possível antecipar o encerramento, uma vez cumprido os 75% de carga horária”, acrescentou Passoni informando que esse assunto ainda está em discussão.

Semana que vem, ainda sem horário e dia definidos, terá outra reunião com o conselho universitário para discutir a situação da Uenf.

SEM REPASSES
O reitor ressaltou que em julho deste ano, se reuniu com o pessoal da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Secit) e com a liderança do governo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). No encontro foi concordado, inicialmente, que a Uenf iria receber R$ 3 milhões para priorizar a dívida, e, partir daí, R$ 1,8 milhão por mês para poder conseguir chegar até o final do ano, no entanto, segundo Passoni, Isso não aconteceu. No início deste mês, o encontro foi com o governador em exercício, Francisco Dornelles, onde foi colocada toda a situação da instituição.

“Na reunião com o governador nós levamos essa listagem inicial que somava esses R$ 3 milhões. Ele [Dornelles] nos disse na ocasião que, assim que terminasse de pagar o funcionalismo deste mês, a Uenf seria prioridade. Ele terminou de pagar o funcionalismo na última sexta-feira (14/10) e até agora não foi feito nenhum pagamento da lista de prioridades que nós entregamos ao governador. Isso coloca a gente numa situação muito complicada e de extrema preocupação”, avaliou Passoni.

CAOS
A universidade vive hoje um caos com cortes de telefone, combustível e ainda com ameaças de interrupção nos fornecimentos de água e luz. A situação é tão preocupante que a Uenf já ameaçou, inclusive, fechar suas portas.

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