Em carta, movimento pediu à presidente mais agilidade na reforma agrária.
Participaram do encontro o ministros Gilberto Carvalho e Pepe Vargas.

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A presidente Dilma Rousseff recebeu nesta quinta-feira (13) cerca de 30 representantes do Movimento Sem Terra (MST) no Palácio do Planalto. Em uma carta entregue à presidente, os sem-terra reclamaram principalmente do ritmo da reforma agrária no governo Dilma. Na reunião, a presidente foi presenteada com uma cesta com artigos produzidos pelos integrantes do MST.

Participaram do encontro com a presidente Dilma Rousseff 30 integrantes do MST, representando todos os estados brasileiros. Também estavam na audiência o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, e da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Logo no início do encontro, os sem-terra entregaram à presidente uma cesta, com produtos cultivados e manufaturados em assentamentos.

No documento, os sem-terra citam a existência de mais de 100 mil famílias “acampadas debaixo de lonas pretas” em assentamentos. “O governo foi incapaz de resolver esse grave problema social e político”, afirmam.

O movimento alega  também que o governo havia se comprometido em priorizar o assentamento nos projetos de irrigação do nordeste brasileiro, mas que, apesar de os projetos estarem sendo implantados, há, segundo eles, 80 mil lotes vagos, com água e infraestrutura. Eles cobram “agilidade administrativa” para assentar famílias camponesas nesses lotes.

No documento escrito pelos representantes do movimento, há uma crítica também à medida provisória editada pelo governo para tratar da dívida de produtores rurais. Segundo a carta, há um trecho na MP que permite a privatização dos lotes da reforma agrária. “É tudo o que os inimigos da reforma agrária querem para desmoralizá-la, através da compra e venda de lotes dos assentamentos”, diz a carta.

Outra crítica diz respeito ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PENAE), tidos pelo governo como o principal avanço da gestão Dilma na reforma agrária. Por meio dos dois programas, o governo compra diretamente a produção de assentados e pequenos produtores.

Para o MST, no entanto, a medida é insuficiente, já que alcança apenas 5% das famílias camponesas. Eles pedem o aumento de recursos, desburocratização e a ampliação para o maior número possível de municípios.

Manifestação
Os sem-terra chegaram a Brasília no início da semana para participar do VI Congresso Nacional do movimento, no qual comemoram os 30 de fundação.  Na quarta-feira (12), eles marcharam pela Esplanada dos Ministérios até a Praça dos Três Poderes. Conversaram com Gilberto Carvalho, e entregaram a carta endereçada à Dilma.

Durante a manifestação, houve confronto com a polícia, que terminou com 32 feridos, sendo 30 deles policiais.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, parte dos policiais foi atendida no posto da Câmara dos Deputados e outros levados ao Hospital de Base. Segundo a assessoria da PM, os policiais feridos que necessitaram de atendimento médico foram atingidos por pedras e pedaços de paus na cabeça. Eles não correm risco de morte, segundo a corporação.

A marcha pela reforma agrária reuniu cerca de 15 mil pessoas, segundo a PM, e interrompeu o trânsito na área central da capital. Na Praça dos Três Poderes, houve enfrentamento entre integrantes da passeata e policiais.

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