A possibilidade de o 56º Batalhão de Infantaria (BI) do Exército Brasileiro, instalado em Campos, ser desativado a partir do próximo dia 31 de dezembro gerou repercussão entre autoridades e representantes da sociedade civil organizada. A situação é apontada na portaria 529, de 23 de maio de 2016, publicada no Diário Oficial da União, que afirma, ainda, que o 56º BI poderá ser reativado no município de Ji-Paraná, em Rondônia, segundo o Plano Estratégico do Exército. O artigo 2º da portaria também determina que “o Estado-Maior do Exército, os órgãos de direções setorial e operacional, o Comando Militar do Leste e a secretaria-geral do Exército adotem, em suas áreas de competência, as providências decorrentes”.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), Amaro Ribeiro Gomes, acredita que Campos perderá força se o batalhão for desativado. Segundo ele, um documento foi enviado para várias autoridades para explicar a necessidade do 56º BI para cidade. “Esse documento foi elaborado por entidades civis organizadas – como Acic, Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Rotary Club, Lions Clube e alguns sindicatos –, e vai falar porque o Batalhão deve ficar em Campos. Juntamos toda a papelada, com a lista das mais de três mil assinaturas que colhemos, e estamos mandando para várias autoridades, dentre elas Senado, Câmara dos Deputados, Ministério da Defesa e presidente da República”, disse Amaro.

Já o sociólogo e professor José Luís Vianna da Cruz opinou que “o Exército deve fazer o que for melhor para o país, principalmente nas funções de patrulhamento de fronteira e de cobertura de eventos internacionais. Então, que o Batalhão fique onde for melhor, porque, em termos dessas funções mais importantes do Exército, não vejo Campos como prioridade”, disse ele, que questionou a possibilidade de o 56º BI ser desativado em Campos e instalado em Rondônia. “Gostaria de saber quais são as razões mais profundas que eles alegam tanto para o 56º BI ter ficado em Campos até este ano quanto para não ele ficar do ano que vem em diante”, falou.

A Folha tentou contato com o comandante do 56º BI, tenente-coronel Cleiton Souza, sem êxito. A assessoria do Exército também foi procurada, mas não houve resposta até o fechamento desta edição. O comandante do 8º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Marco Aurélio Louzada, também foi contatado, por telefone, para opinar sobre a questão, mas as ligações não foram atendidas até o fechamento da edição. Em matéria publicada no final do mês passado, ele preferiu não se pronunciar sobre o assunto.

Presidente da Acic disse que ficou surpreso

O presidente da Acic, Amaro Ribeiro Gomes, disse ter ficado surpreso com a informação contida na portaria 529, sobre o 56º BI ser desativado em Campos. Ele afirmou que chegou a receber um ofício do chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste, o general de Brigada Fernando J. S. Soares Silva, informando que não haveria nenhuma decisão quanto à “transformação/transferência da referida Organização Militar prevista no Plano Estratégico do Exército” entre 2016 e 2019.

– Eles disseram que não mexeriam com o Batalhão. Agora vem a Portaria dizendo que vai desativar? Estamos questionando isso através da documentação enviada para as autoridades – falou Amaro.

Também de acordo com o presidente da Acic, estaria prevista a vinda da Segunda Companhia de Infantaria de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, para o lugar do 56ª BI, em Campos, o que, para ele, enfraqueceria a cidade. “É muito diferente ter um Batalhão na cidade e ter uma companhia. Quando existe a necessidade de usar o batalhão para alguma coisa, como a campanha contra o mosquito Aedes aegypti, o Exército está junto. Com uma companhia não se pode tirar muita gente de dentro do quartel”, concluiu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *