A prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, decidiu suspender o repasse de verbas do SUS destinado ao atendimento de pacientes que passam por tratamento de câncer e de hemodiálise e são atendidos pelo Grupo IMNE. Com esta decisão, mais de cinco mil pacientes de alta complexidade podem deixar de receber os atendimentos adequados. A ordem teria partido do secretário de Governo da Prefeitura de Campos, Anthony Garotinho. As dívidas da Prefeitura com o Grupo IMNE já ultrapassam a marca dos R$ 3 milhões.

 

A Prefeitura de Campos repassa a várias unidades a verba que vem do governo federal e também faz o repasse municipal – que sai diretamente dos cofres da Prefeitura. A verba federal vem direcionada para cada unidade específica e é obrigação do governo municipal fazer este repasse. Já o repasse da verba municipal deixou de ser feito desde julho de 2016 apenas para o Grupo IMNE, enquanto todas as outras unidades da rede contratualizada receberam.

“Recebemos a informação de uma fonte, que ocupa um cargo de alto escalão no governo municipal, de que Garotinho mandou cortar o complemento municipal e que até o repasse federal deixará de ser feito até o final do governo Rosinha. A questão é que as verbas federais são carimbadas e não cabe ao governo municipal decidir isso. A Prefeitura reter uma verba que é destinada para o tratamento de hemodiálise e câncer é muito sério”, informou o médico e diretor do Grupo IMNE, Diogo Neves.

Ainda segundo Diogo, como consequência da suspensão dos pagamentos, o atendimento a estes pacientes pode ser interrompido. “Nós não temos condições de arcar com tratamento de alto custo, se nós continuarmos sem receber as verbas. São pacientes em acompanhamento, tratamento e que fazem vários exames. A gente procura não alarmar os pacientes e dar o atendimento necessário, mas os tratamentos de câncer e hemodiálise são caros e a gente já está segurando esta situação há dois meses”, explicou o diretor.

O motivo da suspensão das verbas direcionadas ao Grupo IMNE seria perseguição por parte do secretário Anthony Garotinho e da prefeita Rosinha. “O meu pai, Herbert Sidney Neves, que é o presidente do Grupo IMNE, declarou publicamente apoio ao prefeito eleito Rafael Diniz e este é o motivo desta perseguição. Somente o nosso hospital não recebeu, então fica claro que é uma situação direcionada”.

 

 

Dívidas da prefeitura com o IMNE incluem até o Plano de Saúde ASES
A soma das dívidas que a Prefeitura de Campos tem com o Grupo IMNE já ultrapassa a marca dos R$ 3 milhões. Estes valores incluem as verbas de julho e de agosto que não foram repassadas, a dívida que a prefeitura tem desde a época em que o Plano de Saúde ASES foi cancelado e ainda dívidas de internações.

“Deste valor, são mais de R$ 1,5 milhão de dívidas referentes também à complementação municipal de julho e de agosto que não foram pagas. Há ainda R$ 630 mil em dívidas por internações que fizemos com mandados judiciais. Neste caso, são pacientes que não encontraram vagas em hospitais públicos e conseguiram mandados para garantir a internação na rede particular. Quando acontece isso, a prefeitura é obrigada a arcar com os custos e nos pagar, mas também não pagou”, informou o diretor financeiro do Grupo IMNE, Inácio Nogueira.

A parte que inclui o Plano de Saúde ASES é referente à época em que os servidores da Prefeitura de Campos usavam o plano – que foi suspenso por falta de pagamento. São mais de R$ 1 milhão em dívidas que o plano não recebeu da prefeitura. Na época, mais de 10 mil servidores públicos eram contemplados. Atualmente, os servidores municipais estão sem plano de saúde.

“Desde 2014 os servidores não têm plano de saúde por falta de pagamento da Prefeitura. Isso prejudicou muito os servidores e as pessoas sofrem por conta disso. Foi um direito adquirido que foi retirado das pessoas. Ficamos meses sem receber da Prefeitura pelo plano”, contou Diogo.

Exemplo da falta de assistência é o servidor Alexis Sardinha, um dos que ficou sem plano. “Eu quebrei a perna em um treino de jiu-jitsu. Na época, eu estava com o plano cortado, assim como os outros servidores municipais. Eu tive que ir para o SUS, com uma fila gigantesca. Lembro que na época eu precisei fazer uns exames mais complexos e pelo SUS isso demoraria mais de seis meses. Eu só consegui fazer o que eu precisava porque contratei outro plano de saúde particular e consegui diminuir a carência dele. Atualmente, os servidores da Prefeitura de Campos continuam sem o plano de saúde”, lamentou o servidor municipal.

 

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