Dulcides Netto

 

 

Dulcides Netto

Pela terceira vez no ano, a população de Campos é surpreendida com a paralisação do transporte público no município. Desde a zero hora de hoje a cidade amanheceu mais uma vez sem ônibus. Cerca de três mil rodoviários entre motoristas, cobradores, despachantes e fiscais de empresas de transporte público da cidade cruzaram os braços, por tempo indeterminado, em reivindicação a equiparação do piso salarial com o ganho dos rodoviários do Rio de Janeiro. 
Durante a manhã, o Terminal Rodoviário Urbano Luiz Carlos Prestes esteve vazio e os pontos de ônibus estavam lotados, onde a população disputava espaço nos transportes alternativos, que estavam lotados. Fiscais da Empresa Municipal de Transportes (EMUT) atuam contra a cobrança abusiva por parte das vans, como foi denunciado nas últimas duas paralisações dos rodoviários.
— Estamos cobrando os nossos direitos. A categoria reivindica a equiparação do piso salarial com os trabalhadores do setor no município do Rio de Janeiro, onde o salário dos motoristas e cobradores é de R$ 1.618,06. Atualmente os rodoviários de Campos recebem R$ 1.283,40. Além disso, estamos cobrando os nossos direitos de plano de saúde, ticket alimentação, cesta básica e uniforme. Estamos abertos a qualquer negociação, desde que seja justa com o trabalho dos profissionais — relatou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Transporte Rodoviário de carga e passageiros de Campos dos Goytacazes, Roberto Virgílio.

 

Dulcides Netto

O Sindicato das Empresas e Passageiros (Setranspas) chegou a fazer uma contra proposta de aumento de 10%, na noite de segunda-feira, caso fosse atendido na solicitação de aumento nas tarifas, onde os profissionais passariam a receber R$ 1.411. A proposta foi levada para assembleia na sede do sindicato e não foi acatada, optando pela paralisação. “Achamos à reivindicação de equiparação salarial justa, mas não temos como arcar com essa despesa, a não ser que o município conceda aumento de pelo menos 35% nas passagens, que estão defasadas desde julho de 2007. Já foi enviado um documento, a Prefeitura de Campos, solicitando o aumento da tarifa e expondo os problemas. Esperamos respostas”, destacou o presidente da Setranspas, Antônio Tatagiba.

População reclama da greve

As pessoas que precisaram de algum coletivo para trabalho e escola se aglomeraram nos pontos de ônibus, e tiveram que ter paciência para conseguir o transporte coletivo. A comerciante Kátia Tavares, de 35 anos, moradora do Parque Guarus, chegou tarde ao emprego, no Centro, devido à falta do coletivo. As vans não conseguiram suprir a demanda de mais de 300 mil usuários do transporte público no município. “Mais uma vez fomos pegos de surpresa. As vans não estão conseguindo resolver nosso problema. Fiquei mais de uma hora no ponto à espera do coletivo. Poderiam ter avisado dessa paralisação, para que a gente se preparasse, acordando mais cedo. Espero que o problema seja resolvido, pois é nosso direito sermos contemplados com o transporte público não está valendo”, declarou a comerciante. 
Diferente das duas últimas paralisações dos rodoviários, fiscais da Emut atuaram nos principais pontos da cidade, visando combater o valor abusivo praticado pelas vans, fato que foi denunciado em reportagens da Folha.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *