O maior site de notícias de nossa região o campos 24 horas compri o seu papel de dar a informação e encerra de uma vez por todas com a informação de ser site chapa branca colocando na capa a primeira entrevista do Pré-candidato a prefeito pelo PT o  Médico Dr. Makhoul Moussalem líder da oposição em nossa cidade . Uma decisão tão acertada como está só poderia partir de um jornalista tão importante e conceituado como “Dr” Fabiano Venancio.

Em entrevista ao Campos 24 Horas, o médico Mackoul Moussalem, que teve expressiva votação em sua primeira experiência nas urnas, expõe propostas, admite favoritismo de Rosinha, mas contesta pesquisas.

O Campos 24 Horas inaugura a partir de hoje uma série de entrevistas com pré-candidatos a prefeito de Campos. O primeiro é o médico Makhoul Moussalem, anunciado pelo PT como nome colocado pelo partido na disputa sucessória. Representante do Conselho Regional de Medicina em Campos, ex-gestor da Unimed no municipio, do Hospital Escola Alvaro Alvim, Makhoul foi candidato a prefeito em 2004 com expressiva votação em sua primeira experiência nas urnas.

Campos 24 Horas – O que lhe motiva novamente ser candidato desta vez?
No momento eu sou pré-candidato, e espero ser escolhido na convenção para ser o nome indicado pelo partido. Eu acho que Campos precisa de uma alternativa, um novo modelo de gestão, com um sistema de desenvolvimento auto-sustentável, independente dos royalties do petróleo. E agora ficou mole com o porto do Açu e as empresas que virão se instalar na região. Temos que fazer com que Campos se integre a este processo de desenvolvimento. O petroleo é um bem finito, então não vamos acordar quando chegar o seu fim. Precisamos, sim, buscar alternativas antes que o petroleo acabe, fazer com que esse nosso polo tecnológico seja colocado no caminho do desenvolvimento a fim de que as novas gerações não migrem para outros centros.

Campos 24 horas – Em linhas gerais, quais as suas idéias sobre os temas a respeito de Campos que frequentarão os debates nas eleições deste ano?
Makhoul – Eu espero que o debate seja de um bom nível. De minha parte será. Espero que tudo fique no campo das idéias. Nós precisamos de discutir Campos, discutir um novo modelo de gestão pública para Campos. Aliás, eu não entendo porque qualquer cidadão não faz um curso de gestão pública, quando aqui em Campos existem dois, um na Cândido Mendes e na Uenf. Os pré-candidatos a prefeito, a governador, presidente, a vereador, secretários, deveriam fazer um curso desse. Deveria ser uma exigência legal, até para entender o que está fazendo e não ser pego pelo Tribunal de Contas. É preciso uma gestão empresarial no setor público.

Campos 24 horas – Existe uma diferença entre a gestão pública e a empresarial… Uma visa prestar serviços à sociedade, a outra visa tão somente lucros…
Makhoul – Sim, mas na empresa se cobra resultados… Eles querem eficiência, eficácia… É isso que o setor público precisa aprender da gestão privada. A gestão empresarial, sim, mas focada nos resultados e sensibilidade no sentido de oferecer conforto, bem estar eficiencia no serviço prestado ao cidadão. Não pode ser diferente.

Campos 24 horas – Uma gestão com uma visão mais técnica do que política?
A politica tem seu espaço, há decisões tem que passar pelo crivo da decisão politica, mas necessariamente tem que passar pelo técnico, que tem que ser ouvido na hora de se decidir por políticas públicas nesta ou naquela direção. E o gestor tem que ter sensibilidade e conhecimento de gestão. Sem uma formação de gestão pública, o gestor não vai entender o que significa reduzir custos, adequar custos a relação custo-benefício. Como exemplo, se há uma localidade com um caso de urgência por ano, eu não posso instalar um posto de saúde com ambulância 24 horas num local onde há regitro de um ou dois ou três casos de urgência por ano…

Campos 24 horas – O tema da Educação, esse setor que vive em crise permanente neste país, o que o pré-candidato pensa a respeito?
O Brasil carece de um grande incremento na Educação, até para que o país dispute amanhã com os paises desenvolvidos questão da tecnologia. Estamos muito atrasados, precisamos muito diinuir essa distancia. Campos, como polo tecnológico, não pode ficar de fora deste contexto. Temos aqui duas grandes universidades públicas, a Uenf e a UFF, várias universidades particulares, escolas isoladas, como a Faculdade de Medicina. A Educação passa por um projeto que começa do ensino fundamental ao terceiro grau. A prefeitura precisa não apenas fazer o seu dever constitucional de investir no ensino fundamental e no primeiro grau, mas se integrar a esse polo tecnologico. Temos que assumir a condição de polo tecnologico, se não daqui a pouco vamos perder esse posto para Macaé, Cabo Frio, Itaperuna… Temos que criar uma Secretaria de Ciência e Tecnologia, sim.

Campos 24 Horas – Na Saúde, o que o pré-candidato do PT pensa?
Nossa Saúde precisa melhorar, e muito. Não é pouco, não. Há muito que venho falando da necessidade de se instalar o cartão Saúde, desde a campanha de 2004. Informatizar Secretaria Saúde e integrá-la a todas que tem ligação com esta secretaria. O que foi feito? É preciso que se ouça as pessoas, não pode ser uma discussão fechada. Na área da Saúde, sou médico, mas mesmo ali tem gente mais qualificada do que eu para opinar sobre vários aspectos da Saúde, e eu tenho que ouvir essa gente. Gente que entende mais do que eu se atenção básica, de prevenção, da parte sanitária… Então, eu tenho que ouvir os caras que são especialistas no assunto. Maomé dizia naquele tempo: “Buscai o saber nem que seja na China”. Àquela época ir à China era muito dificil… Hoje, nós aqui perto de nós o saber, o cohecimento, temos a Uenf, a UFF, a Cândido Mendes, por que não chamar essa gente, provocar discussão ampla sobre a Saúde em Campos, realizar seminários e rediscutir a cidade? O setor do transporte também não pode fugir dessa discussão.

Campos 24 horas – O número da frota de veículos tem aumentado assustadoramente a cada ano…
Em Campos, essa é uma área que está ficando cada vez mais caótica. Há algum tempo atrás se ia para qualquer ponto da cidade em dez minutos , hoje é dificil… O trânsito não flui, e aí eu volto a falar na necessidade de se enfatizar o trabalho, o estudo, o conhecimento dos técnicos. Os especialistas na área. Há a necessidade de se estudar a possibilidade do VLT, mas isso tem que ser feito depois de um estudo aprofundado por técnicos, pessoas que entendam do assunto. Que se pague um consultoria, ora. O Jaime Lerner está aí… Aqui em Campos desativaram a rede de trilhos que os ingleses implantaram há mais de 100 anos. eu, particularmente, vejo o VLT com uma necessidade… Aqui não temos morro, temos uma topografia favorável, somos uma cidade plana. Dentro do transpote, precisamos discutir a questão da mobilidade e da acessibilidade. Nós estamos discutindo isso há algum tempo, o programa está sendo montado. Se formos candidatos, vamos apresentar a sociedade campista esse conjunto de propostas, a nossa visão sobre tudo isso…

Campos 24 Horas – Ainda na questão da Saúde, Campos tem um grande programa de imunização, a cidade conta com grande número de hospitais, é um polo regional de saúde, com ótima área física hospitalar. Há um hospital-referência da emergência, o tratamento de câncer tem avançado, o que faltando para avançar mais nessa área em sua visão?
Eu sou médico e vivo esse problema há 40 anos. Você falou que o tratamento do câncer avançou. Não deixou de avançar, mas poderia avançar muito mais… Eu tenho me batido por um centro de tratamento de doenças cardio-cerebro-vasculares. Há quantos anos falo num centro para tratar de derrame, infarto, com uma equipe completa e todos equipamentos necessários? Campos pode fazer tudo isso com o que há de melhor do mundo? Pode, e é só querer fazer.. Ma não foi feito até hoje… E o pior é que todo mundo é o pai da criança… Menos eu comecei a fala nisso há 20 anos.
O Alvaro Alvim virou hospital-escola, consegui instalar um centro multidisciplinar de cardiologia e neurocirurgia. Em Itaperuna, o Hospital São José do Avaí viveu esse boom graças à competencia, a dedicação e descortínio administrativo do dr. Renan Catarino Tinoco . Campos não tem hospital que reúne as mesmas condições do São José do Avai. Lá eles fizeram o que se chama relação custo-beneficio muito bem feita e concentram recursos, otimizando-os dentro de um mesmo hospital. O resultado é eficiencia e eficacia maior que a nossa.
Mas temos evoluido. O Hospital Ferreira Machado, por exemplo, é uma das melhores emergências do País. Poucos hospitais no Brasil tem a qualidade do Ferreira Machado. O HGG poderia ser tão bom quanto, não é do mesmo nível, mas ainda assim é um bom hospital. Os filantrópicos estão também muito bem, o que está faltando é uma coordenação central, e isto se chama sistematizar e hieraquizar o atendimento de média e alta complexidade em Campos, fundamentado em cima de uma rede de atenção básica. Área fisica tem, o problema é a gestão disso que tem que melhorar muito, não é pouco, não, como eu disse.
Temos que instituir a carreira de estado para médico e professor aqui no municipio e dar o exemplo pro Brasil. Aí então vão dizer que é muito complicado, mas tudo na vida é dificil, viver é dificil, nada é fácil…
Alvaro Alvim esteve abandonado mas hoje é um senhor hospital, uma unidade de ensino onde implantei a residencia médica lá, residencias básicas, até pra formar pediatras, clínicos, ginegologista e obstetra e cirurgia. Eu sabia que iria faltar profissionais aqui na área. A Santa Casa melhorou muito, a Beneficência também. O dos Plantadores de Cana estava cambaleando com dívidas, mas vai melhorar daqui a pouco.
Não é impossivel, só querer. Achavam que era dificil, mas implantamos residencia médica no Alvaro Alvim, fizemos o hospital-escola lá. Não fiz sozinho, claro, fui o condutor, mas ninguém faz nada sozinho.

Campos 24 Horas – O Orçamento Participativo é uma das referências nos programas do PT. Como está sendo discutida essa questão no partido?
Na outra vez em que fui candidato estudei bem isso, com o professor Sérgio Azevedo, da Uenf. Não é uma questão simples, precisamos discutir a gestão participativa, vamos estudar a exaustão. Hoje, todo mundo fala em orçamento participativo, que precisa existir, sim, mas não é aquela panacéia, a cura para todos os males. É um caminho, mas os problemas não estarão resolvidos com a gestão participativa.

Campos 24 Horas – E na questão da economia e do desenvolvimento?
Geração de renda e emprego é fundamental, e volto a falar na importância do polo tecnologico. Temos o porto do Açu, que é um empreendimento regional. Então, por que vamos deixar São João da Barra tomar conta do pedaço? O Açu era nosso, sabia?

Campos 24 Horas – Olha, isso aí já causou uma confusão recente…
Makhou – O que foi?

Campos 24 Horas – É que a prefeita Rosinha disse que uma parte onde irá se instalar o distrito industrial do porto pertenceria a Campos. Então, como prefeita ela disse que iria mandar fazer estudos para delimitar qual área pertence ao municipio naquela região para recolher os impostos que seriam devidos a Campos.
Makhoul – A prefeita está certa, então. Mas ninguém quer tomar nada de São João da Barra, é lógico, que é um municipio-irmão. Eles estão sempre aqui conosco e nós frequentamos as praias de lá. O que precisa ser dito, ainda na questão do desenvolvimento, é que antes a região foi penalizada, esvaziada, mas hoje mas estamos nadando de braçada, com grandes projetos que estão em andamento e outros virão. E aí eu falo na agricultura. Campos é um municipio com vocação tradicional nessa área. Da Serra do Mar até aqui são 200 quilômetros de terra de aluvião. Estamos comendo o quê produzido aqui? Já temos um pessoal especializado para formatar essa questão. E a agricultura familiar, gente? Vamos apoiar o cara, comprar a produção dele. A agricultura orgânica, também. Vamos ficar comendo agrotóxico a vida inteira? Assistir a pessoas morrerem de câncer adoidado como tem ocorrido por aí? Vamos colocar tudo isso na mesa pra discutir. Aqui não precisamos fazer a reforma agrária, que já foi feita pela hereditariedade, o direito de sucessão. São 10 mil produtores em pequenas propriedade de terras de 3 , 4, 5 alqueires. É preciso diversificar a cultura, plantar feijão no meio da cana é possível, tem estudo da Uenf recomenda essa diversificação. Plantar frutas, a incentivar olericultura. A Uenf está entre as 17 melhores universidade do país, e nós não a usamos. Eu gosto de discutir idéias, e essa discussão quero colocar na mesa.

Campos 24 Horas – O que o senhor espera dos debates eleitorais?
Eu não aceito baixar o nível. Se depender de mim, será de alto nível. Não vou falar mal de ninguém, eu quero discutir idéias. Vamos fazer uma campanha propositiva, para o bem estar do cidadão de Campos. Ganhando ou perdendo, nosso programa estará à disposição. E se formos chamado a colaborar, vamos colaborar, sim. Dizer que isso aqui é assim, aquilo ali é assim… E colaborar não significa dizer que iremos ocupar cargos no governo, é questão de cidadania.

Campos 24 Horas – Ainda no campo do desenvolvimento, qual sua visão sobre o Fundecam?
Makhoul – O Fundecam é uma boa idéia, e tem que se investir mesmo no empresário daqui. Se não se não tem aqui pode buscar fora daqui, mas por que não vou dar chance ao meu microempresário com dinheiro nosso para desevolver suas potencialidades? Temos onde buscar no ministério gente qualificada que virá aqui fazer seminários, sobre o desenvolvimento, a agricultura e formatar parcerias. Campos precisa voltar a ser jóia da Coroa como no tempo de Dom Pedro. Hoje, temos petroleo, o porto do Açu… O Fundecam é uma grande idéia. No Alvaro Alvim, por exemplo, desenvolvemos o centro de inseminação artificial com recursos do Fundecam.

Campos 24 horas – Como é que o senhor avalia o favoritismo da prefeita Rosinha?
Eu não gosto de negar as evidências. Ninguém tem dúvidas que Rosinha tem o favoritismo. Só um cara maluco para achar que ela não é favorita. Mas entre ser favorito e ganhar, há uma distância grande a ser percorrida. Primeiro, as pesquisas que eu vejo… O problema é saber interpretar a pesquisa. Digamos que o pré-candidato fulano de tal tem 60% das intenções de votos. E quantos já optaram pelo voto? Aí você vai ver, tem 60% dos 50% ouvidos que já optaram pelo voto. Então, tem 50% da população que não decidiu ainda em quem vai votar. Então não pode ser favoritissimo, é uma questão de análise de pesquisa. Fulano tem 9%, o outro tem 11%. Tudo bem, mas restrito àquele universo ali. De 330 mil eleitores, mas onde acabam votando 280 mil, 140 mil desses já decidiram votar em alguém. Desses, 60% vão votar no candidato X. Então, ainda sobram 84 mil votos.

Campos 24 Horas – Então, o senhor acha que a prefeita é favorita, mas muita coisa pode acontecer…
Eu não tenho dúvida que a prefeita Rosângela Matheus está na frente. Nem me passa pela cabeça achar que qualquer outro candidato possa estar à frente dela, o que é natural. Ela está fazendo um governo melhor que os anteriores, não podemos negar. Acho uma bobagem negar evidências. Nós temos que discutir em cima de propostas para melhorar, não ficar por aí falando bobagem, não fez isso, não fez aquilo. Ela está na frente, acredito. Não sei se continuará, mas pode até ganhar no primeiro turno, pelas pesquisas que eles estão dizendo. O Partido dos Trabalhadores não está fazendo pesquisa, nem vai fazer. Pra quê, pra constatar o óbvio? Nós vamos fazer, sim, pesquisa qualitativa, saber o que a população pensa, isso é o mais importante para nós. Aí, sim, vamos trabalhar em cima disso.

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