A inflação já está na boca do povo brasileiro, que começa a escolher o que vai para o carrinho de compras. Em Campos, não é diferente. Consumidores abrem mão de supérfluos, como palmito e biscoito recheado, e fazem força para manter o orçamento do mês dentro da previsão. O momento é de atenção às ofertas e de critério na hora adquirir o que quer que seja. A fim de acompanhar os impactos das medidas de aperto fiscal para reequilíbrio das contas públicas, tomadas pelo governo federal, a Folha da Manhã passa a acompanhar, semanalmente, os preços de uma série de itens de referência no mercado nacional, como alimentos da cesta básica, material de construção e eletroeletrônicos.

A escalada dos preços já aparece nas gôndolas dos supermercados, acusam os consumidores. “Senti diferença nos preços, principalmente nas carnes e verduras, tomate, batata e cebola. Cortei o supérfluo e mudei meus hábitos alimentares, trocando, a batata, quando está muito cara, pelo inhame. Optei também trocando a carne vermelha pela carne branca”, diz o comerciante Magno Ribeiro, de 51 anos.

A professora Márcia Vianna, de 50 anos, também fala em mudança de hábitos. “Tenho sentido grande influência nos preços, até mesmo o básico, como arroz, feijão, óleo e carne. Tenho trocado carne vermelha pela branca. Mudei meus hábitos cortando os supérfluos, deixando de comprar palmito e biscoito recheado”, diz Márcia.

Projeção — Pesquisa Focus, divulgado segunda-feira pelo Banco Central (BC), revela que a mediana das previsões para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2015 passou de uma alta de 7,33% para 7,47%. Há um mês, a mediana das estimativas para o indicador estava em 7,01%. Esta é a nona semana consecutiva em que há alta das previsões para o IPCA deste ano.

A expectativa de que o BC não entregará a inflação de 2015 sem estourar o teto da meta de 6,50% também pode ser vista no Top 5 de médio prazo, que é o grupo dos economistas que mais acertam previsões. Para esses profissionais, a média para o IPCA 2015 segue acima da banda superior da meta e passou de 7,12% na semana passada para 7,51%.

Banco Central trabalha com cenário de alta

Para o final de 2016, a mediana das projeções para o IPCA foi reduzida de 5,60%, patamar registrado por cinco semanas seguidas, para 5,50%. No Top 5, a projeção para a inflação no final do ano que vem caiu de 5,65% para 5,45%. Um mês antes estava em 5,60%.

O Banco Central trabalha com um cenário de alta para o IPCA nos primeiros meses deste ano, mas conta com um período de declínio mais para frente, levando o indicador a ficar no centro da meta de 4,5% no encerramento de 2016. Apesar desse prognóstico mais positivo para o médio prazo, as expectativas para a inflação suavizada 12 meses à frente seguem elevadas. Passaram, no entanto, de 6,55% para 6,54% de uma semana para outra, ante 6,61% de um mês antes.

Para março, é aguardada uma pequena desaceleração da taxa, que deve ser de 0,95%.

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