“A cana é um item importante na economia da região Norte Fluminense e o Ministério Público reconhece isso. Mas, tão importante quanto o cultivo da cana, é manter a qualidade de vida do trabalhador, pois não há economia próspera se não levar em consideração o desenvolvimento humano”. Foi dessa forma que o procurador da República em Campos, Eduardo Santos de Oliveira, deu início a audiência pública cujo tema “Repensando as queimadas: a cana como fator de desenvolvimento humano”, trouxe para o público, mais uma vez, a questão da queima da palha da cana-de-açúcar.

O encontro, que reuniu diversas autoridades das mais variadas áreas, aconteceu durante toda a tarde desta quarta-feira (19/03) no auditório da Universidade Cândido Mendes, em Campos.

“O foco da audiência é colher informações. Foram convidados para vir expor suas colocações, profissionais dos mais variados segmentos como médico, ambientalista, órgãos ambientais, e democraticamente a própria Coagro e a Asflucan. Então a gente espera que as pessoas saiam daqui hoje com uma carga de informação que lhes capacite a tomar decisões. O foco é a queimada, mas não é só ela, é tentar resolver o problema. Então não dá mais para deixar postergar isso por mais tempo”, mencionou o procurador.

Dando início aos pronunciamentos a procuradora do Trabalho, Thais Borges da Silva discorreu sobre a situação das condições trabalhistas no meio rural. Segundo ela, ainda se tem notícia de alguns problemas entre os lavradores da região, como desidratação, dores de coluna, entre outras questões.

Diferente do que colocou a procuradora, o presidente da Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro), Frederico Paes disse que os problemas apontados por ela não mais existem na região. “A Coagro vem realizando várias ações para amenizar os efeitos do trabalho como ginástica laboral, hidratação, e ainda uma unidade móvel para cada grupo de trabalho, aferindo a pressão arterial e realizando outros procedimentos”.

Sobre o encontro, Frederico disse que a audiência foi de extrema importância, pois deu oportunidade para debater o assunto com outras autoridades, com o Ministério Público Federal e com a própria população.

“Isso serviu para dar uma satisfação aos munícipes em o que a Coagro está fazendo e o que tem feito ao longo desses anos para acabar com as queimadas. Nossa meta é eliminar as queimadas e é isso que a gente busca e o que queremos é simplesmente prazo. O mesmo foi dado pela Lei estadual 5990/2011, onde já investimos mais de R$ 30 milhões para eliminar a queima da cana. Então isso é um valor substancial e ficamos até orgulhosos por estar participando dessa virada histórica que é o fim da queimada de cana na região”, comemorou.

O superintendente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), René Justen, disse que a questão da queimada precisa muito do apoio público, porque a maior parte delas é posta de forma criminosa, seja por pessoas que passam e colocam fogo, ou por caçadores de preá.

“Nós [Inea] já fizemos dois seminários: um em 2002 quando foi o lançamento da Lei 5990, que trata do assunto do controle da queimada, e outra em junho do ano passado com a Asflucan para fazer uma avaliação, e também estamos projetando para este ano outra com intuito em aferir o que vem ocorrendo e em como iremos fazer os ajustes, e também motivar a todos. Então essa audiência vem em um momento de uma importância muito grande, porque estamos trazendo a questão do Ministério Público para mais um processo, e também darmos uma transparência para a sociedade. Já vínhamos fazendo contato constante com a Polícia Civil e Militar e agora fortalecendo essas ações, com o Ministério Público, a gente pode chegar a ter um controle ainda melhor e mais efetivo”, enfatizou René.

Também participaram da audiência a chefe regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rosa Maria Wekid; o pneumologista Luis Clóvis Parente; o vice presidente da Associação dos Plantadores de Cana do Norte e Noroeste Fluminense (Asflucan), Carlos Frederico Veiga e o doutor em História Social, Aristides Arthur Soffiati.

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