Jhonattan Reis
Júlio César Barreto e
Marcus Pinheiro

A audiência de instrução e julgamento do caso que ficou conhecido como “Meninas de Guarus” começou segunda-feira (17) por volta das 11h e prossegue nesta terça-feira (18), a partir das 10h, no Fórum Maria Tereza Gusmão, em Campos. A juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, do Rio de Janeiro, chegou a Campos em um helicóptero blindado da Polícia Civil para presidir a audiência. Desde o início do processo, 17 magistrados se declararam suspeitos para julgar a ação, oriunda de uma investigação de exploração sexual de crianças e adolescentes que seriam mantidas em cárcere privado no ano de 2009. São 20 acusados no caso.

Na audiência de segunda, o delegado Geraldo Rangel, responsável pelas investigações em 2009 na 146ª Delegacia de Polícia (Guarus) — hoje responsável pela 134ª DP — foi indagado pela juíza sobre detalhes da investigação e do dia da abordagem. Por volta das 18h, a pedido das vítimas, a juíza determinou a retirada dos acusados e de todos os que acompanhavam as oitivas. Até as 21h, fechamento desta edição, quatro depoimentos haviam sido colhidos.

Em outubro do ano passado, cinco pessoas foram presas por suposto envolvimento, mas as prisões foram revogadas. O ex-presidente da Câmara de Vereadores de Campos Nelson Nahim estava entre os presos, por, supostamente, ter tentado atrapalhar as investigações. O caso “Meninas de Guarus” foi divulgado em primeira mão e com exclusividade pela Folha da Manhã em 7 de junho de 2009.

Também foram presos, em outubro de 2014, Leilson Rocha da Silva, reincidente por exploração sexual; Ronaldo de Souza Santos, Fabrício Trindade Calil e Sérgio Crespo Gimenes Junior. Os três primeiros por suspeita de emprego de violência sobre as adolescentes submetidas à exploração sexual. Já Sérgio também por supostamente atrapalhar as investigações. Thiago Machado Calil não foi localizado na ocasião.

A audiência vai continuar nesta, com a oitiva das testemunhas de defesa prevista para ter início às 10h. No entanto, como até o fechamento desta edição o julgamento não havia sido interrompido, não é possível afirmar que todas as testemunhas de acusação foram ouvidas ontem ou na madrugada desta terça. Até segunda, foram convocadas 80 testemunhas de defesa.

Folha divulgou matéria com exclusividade

O caso das “Meninas de Guarus” ganhou repercussão em junho de 2009, quando a Polícia Civil descobriu um ponto de exploração sexual e prendeu em flagrante o proprietário do imóvel, além de ter libertado cinco mulheres, sendo três maiores e duas menores de 16 e 17 anos. A Folha da Manhã publicou com exclusividade a história de prisão e cárcere privado de menores em um hotel e pousada, no Parque Santa Rosa.

De acordo com o apurado no dia, as menores eram obrigadas a realizar programas por R$ 20 todas as noites. Na ocasião, Leilson, que também atendia pelo nome de Alex, foi preso. No carro dele havia pertences das meninas.

Em maio de 2013, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) realizou uma audiência pública na Câmara de Campos sobre o caso.

 

17/08/2015 11:22 – Última atualização: 18/08/2015 09:45

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