Na noite desta quarta-feira, durante assembléia dos vigilantes, em Campos, foi anunciado o fim da greve que durou 10 dias. Após pressão que teria partido dos banqueiros, os empresários resolveram aceitar proposta apresentada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), a mesma que haviam rejeitado no dia anterior. A decisão também foi tomada no mesmo dia em que a Justiça de Campos acatou pedido da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro de tutela antecipada que determinava a abertura de agencias centrais do Itaú, Unibanco, Banco do Brasil S/A, Bradesco, Santander e HSBC, sob a pena de multa diária de R$ 100 mil, além de mais R$ 10 mil de multa por piquetes da categoria.

Segundo o presidente do Sindicato do Norte e Noroeste Fluminense, Luiz Rocha, os empresários teriam entendido que seria um prejuízo enorme deixa a greve seguir adiante, por isso, decidiram aceitar a proposta sugerida pela desembargadora do TRT, na audiência de terça-feira, quando as duas partes deixaram o local sem um acerto. “A verdade é que a categoria põe fim a greve aceitando os 14% de aumento no risco de vida, antes R$ 69,12 para R$ 129,42, conseguimos um patamar de 7% em cima da inflação, que hoje está na casa dos 7,26%, e o piso passa dos R$ 864 para R$ 924,48.  Com isso o salário passa para R$ 1.053,90. Na questão do tíquete de refeição o valor também passa dos atuais R$ 8,85 por dia para R$ 9,47”, explicou o sindicalista.

Decisão da justiça – Segundo a decisão da Defensoria os bancos estariam sob pena de multa de R$ 100 mil dia se  não atendessem e o sindicato teria de R$ 10 mil. A mesma multa será aplicada ao Sindicato dos Vigilantes caso realizassem  piquetes nestas agências.

A Câmara de Dirigentes Lojista de Campos (CDL) estimou em 50% o prejuízo neste período no comércio e em outras atividades produtivas da região. Depois de uma longa reunião da sua diretoria, a entidade decidiu centrar suas criticas nos bancos, pelo fato de que nenhum deles tem, pelo menos publicamente, mostrando qualquer tipo de iniciativa para acabar com a greve, retomando a normalidade.
Os membros da diretoria lembram que essa tem sido uma situação atípica porque normalmente o setor atingido pela greve, e que tem relação diária com milhares de usuários, no mínimo divulga nota oficial detalhando em que pé estariam as negociações. A greve no entender da entidade parece cômoda para os bancos, e isso permite que a situação de arraste, embora já esteja insustentável. O levantamento da CDL mostra que em caso de greve como está o consumo se inibe, com as pessoas temendo sacar dinheiro. A logística do comércio sofre profundas alterações que custam caro, como segurança para o dinheiro vivo que entra.

A situação torna-se ainda mais grave, segundo os diretores, porque existe a certeza de uma outra greve tão longa este se desenha, para o outubro, quando os bancários cruzam os braços – “ uma centro comercial como a cidade de Campos não pode se dar o luxo de ficar um ou dois dias úteis sem banco. Já estamos 12 e não sabemos como isso vai desenrolar. Depois existem a seqüelas do pós-greve, difícil de recuperar. A situação é gravíssima”- disse um diretor.
Os lojistas consideram que os bancos deveriam se posicionar de forma mais transparente a respeito das negociações, e no fim da greve, operar em um horário especial até que a situação se normalize

Fonte: Folha da Manha

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