Abolir o “público” e privatizar. Por quê?

Abolir o “público” e privatizar significa, em resumo, que todos os pedaços de terra, todas as superfícies terrestres, ruas, estradas, passam a ser propriedade privada, geradas principalmente por corporações e indivíduos. Existem os pedágios, os impostos (os quais um trabalhador comum trabalha 5 meses somente para pagá-los), taxas, multas.

Mas a realidade das privatizações da maioria das estradas brasileiras vai de contrário aos compromissos acordados quando das licitações, refletindo não só num interesse público ferido, mas em manchetes de roubos de carga, assaltos, homicídios, acidentes, ou de veículos quebrados devido às más condições das pistas de rolagem, e desastres provocados por uma sinalização precária.

O primeiro objetivo dos processos de privatização — e, principalmente, privatização das estradas — deveria ser a proteção pela vida, bem maior pelo qual todos nós temos que zelar. Porém, observa-se que as concessionárias só visualizam o lucro, não se preocupando em recapeamento das estradas, duplicação emergencial de trechos com alto índice de acidentes, sinalização adequada, redução do tempo para socorro em caso de acidentes, e, ainda, um monitoramento eletrônico de todo o trecho.

Um exemplo de estrada brasileira em que o conceito de privatização parece não funcionar direito é a BR 101, onde um caminhoneiro foi assaltado, na última quarta-feira, no trecho do distrito campista de Travessão. O motorista foi abordado por dois homens armados, que anunciaram o assalto, mas… surpresa: não havia carga no caminhão!

Então, o caminhoneiro foi levado para um canavial, em Conselheiro Josino. A Polícia Rodoviária Federal registrou o roubo da carreta, que foi com os assaltantes, mas até agora não há pistas sobre o veículo. Parece cinema, mas é real, tão real quanto um modelo de privatização que não vai a favor do interesse público.

Por que os poderes públicos constituídos — que têm o compromisso de fiscalizar a execução destes contratos de privatização — não o fazem? Até quando as manchetes principais da mídia terão como título: “Morreu mais um, na BR 101”? Eu não quero pagar para ver. E você?

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