E O RESTO ???

Por Esdras, em 02-05-2011 – 15h59

Na planilha da concessionária, a que a equipe da Somos teve acesso, aumentar a receita vem na frente de ampliar o tratamento de esgoto e preservar o meio ambiente. Confira abaixo:

1- Aumentar a receita

Em primeríssimo lugar “Aumentar a receita”, claro que essa é a meta de todas as empresas, mas coloca em segundo plano outras metas que envolvem a preocupaçao com a saúde do consumidor.

2- Reduzir os custos de operação

“Reduzir os custos de operação”. Nos sub-itens dessa meta, a concessionária fala em reduzir o consumo de produtos químicos no tratamento de água e esgoto. Diante dos questionamentos de especialistas quando à qualidade da água servida à população local, a prática parece bastante temerária.

3- Aumentar o faturamento

“Aumentar o faturamento e a arrecadação junto aos clientes de água e esgoto”. Essa meta é, no mínimo, suspeita. Quais seriam os métodos para atingi-la, já que o preço da água segue uma tabela pré-estabelecida? Esse é um item que deveria ser muito bem explicado em uma eventual Ação Civil Pública.

4- Reduzir a inadimplência

“Reduzir a inadimplência dos clientes de água e esgoto”. Como fornecimento de água é serviço indispensável, esse item deverá dar muito trabalho ao corpo jurídico da concessionária antes de contribuir para aumentar o faturamento. Saiba mais AQUI.

Morar Feliz com sede de água – Campos com sede de respostas

A crônica falta d´água nas residências do programa Morar Feliz, na Tapera, enfocada em matéria da Folha da Manhã, no dia 24 /04 (veja AQUI) foi confirmada pela equipe da Somos, que visitou à comunidade e, realmente, a situação verificada é muito preocupante, reduz drasticamente a qualidade de vida dos moradores e põe em risco a saúde de centenas de adultos e crianças. O quadro está ainda mais agravado pelas contas que os moradores são obrigados a pagar apesar de não receberem integralmente o serviço. Ou seja, falta água há dois meses, mas as contas chegam em dia e muitas delas com o valor bem acima da tarifa social, que só dá desconto até 10m3, daí para frente todas as contas entram na indigesta “tarifa progressiva

Finalidade social só até 10m3, menos do que o mínimo da ONU, depois disso, tudo igual aos outros consumidores que pagam pela discutível tabela progressiva 

Águas do Paraíba culpa moradores 

Diante da lamentável situação, a equipe da revista entrou em contato com o assessor de comunicação da empresa Águas do Paraíba, Sr. Aldefran Lacerda, para saber porque falta água, quando haveria uma solução e qual seria ela. Incrivelmente, o assessor culpou os próprios moradores pela falta d´água, alegando que “Infelizmente continua sendo uma das áreas onde ocorre mais furto de água em Campos” e “Apenas 48 horas após a instalação dos hidrômetros, mais da metade foi violada ou arrancada”. Leia as declarações do assessor à revista, abaixo: 

Somos Assim: Estamos fazendo uma matéria sobre a falta d´agua nas casas do Morar Feliz da Tapera e gostaríamos de saber o seguinte: 

S.A.: Porque falta água? 

A.L.: Infelizmente continua sendo uma das áreas onde ocorre mais furto de água em Campos. 

S.A.: Todos fizeram “gatos”? 

A.L.: Apenas 48 horas após a instalação dos hidrômetros, mais da metade foi violada ou arrancada. 

NOTA DO EDITOR: Os moradores relatam que, por falta de pressão na rede, falta água desde que foram morar lá, há cerca de dois meses e que, por isso, foram obrigados a violar os hidrômetros para adaptar bombas elétricas e encher as caixas. 

S.A.: Os moradores alegam que a rede é mal dimensionada. Foi feita uma rede nova, redimensionada para suportar a instalação de tantas casas? 

A.L.: Áreas onde ocorrem grande volume de furto de água, há desperdícios e prejuízos para todos. 

NOTA DO EDITOR: Aqui o senhor Lacerda se esquiva de responder o que foi perguntado sobre redimensionamento da rede. Mas, mesmo que todos os moradores furtassem água, se a rede de fornecimento tivesse sido adequada ao consumo deles, óbviamente, não poderia faltar água. Nos luxuosos condomínios e edifícios de classe média, onde se paga a caríssima tarifa progressiva, qualquer falta d´água é resolvida imediatamente. 

S.A.: Porque a cobrança, mesmo faltando água? 

A.L.: Mesmo com o furto e o desperdício, há pressão nas redes durante à noite e madrugada, suficiente para o abastecimento. 

NOTA DO EDITOR: Cada casa daquele conjunto popular conta com apenas uma pequena caixa d´água de 500 litros. De acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita de 3,3 m³/pessoa/mês (cerca de 110 litros de água por dia para atender as necessidades básicas de consumo e higiene pessoal), isso, sem falar na roupa para lavar, limpeza da casa etc. Basta multiplicar pelo número médio de pessoas que habitam aquelas casas populares para ver que, mesmo que caísse água todas as noites, o que não acontece, seria uma tarefa impossível. Como então cobrar por um serviço que não é fornecido, ou não é fornecido integralmente? 

S.A.: Quando a CAP dará uma solução para o problema? E qual será ela? 

A.L.: Campos já é a terceira melhor cidade em saneamernto do RJ. A universalização dos serviços é prevista até 2014. 

NOTA DO EDITOR: Novamente o senhor Lacerda se esquiva de responder o que foi perguntado. Não diz quando a CAP dará uma solução para o problema e qual será ela. O ano de 2014 parece muito distante para quem tem sede. 

S.A.: Porque na tarifa social a única diferença para a residencial é até 10m3, depois disso todos os outros preços são iguais, se exatamente as famílias mais carentes têm mais componentes e, principalmente, crianças? 

A.L.: Mais de metade dos clientes de Águas do Paraíba enquadram-se nessa faixa de consumo. 

NOTA DO EDITOR: Isso não justifica a cobrança social apenas nessa apertadíssima faixa de consumo, que mais parece um racionamento, e é uma meta impossível de ser atingida por famílias de 4 a 5 membros, dentro do padrão mínimo de consumo básico indicado pela Onu. Lá mesmo nas casas populares da Tapera, uma comunidade formada por pessoas extremamente carentes, nossa equipe encontrou vários exemplos de contas com valores altos por ultrapassar essa estreita faixa imposta pela concessionária. 

Moradores contam outra história 

As declarações do assessor contrariam frontalmente o que foi dito pelos moradores à Somos. Confira abaixo: 

 

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