Brasil cai em ranking mundial de educação em ciências, leitura e matemática

Os resultados do Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), divulgados na manhã desta terça-feira (6), mostram uma queda de pontuação nas três áreas avaliadas: ciências, leitura e matemática. A queda de pontuação também refletiu uma queda do Brasil no ranking mundial: o país ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática.

A prova é coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) foi aplicada no ano de 2015 em 70 países e economias, entre 35 membros da OCDE e 35 parceiros, incluindo o Brasil. Ela acontece a cada três anos e oferece um perfil básico de conhecimentos e habilidades dos estudantes, reúne informações sobre variáveis demográficas e sociais de cada país e oferece indicadores de monitoramento dos sistemas de ensino ao longo dos anos.

Top 5 do Pisa em CIÊNCIAS:

  1. Cingapura: 556 pontos
  2. Japão: 538 pontos
  3. Estônia: 534 pontos
  4. Taipei chinesa: 532 pontos
  5. Finlândia: 531 pontos

Top 5 do Pisa em LEITURA:

  1. Cingapura: 535 pontos
  2. Hong Kong (China): 527 pontos
  3. Canadá: 527 pontos
  4. Finlândia: 526 pontos
  5. Irlanda: 521 pontos

Top 5 do Pisa em MATEMÁTICA:

  1. Cingapura: 564 pontos
  2. Hong Kong (China): 548 pontos
  3. Macau (China): 544 pontos
  4. Taipei chinesa: 542 pontos
  5. Japão: 532 pontos

Especialistas ouvidos pelo G1 afirmam que não há motivos para comemorar os resultados do país no Pisa 2015, e afirmaram que, além de investir dinheiro na educação de uma forma mais inteligente, uma das prioridades deve ser a formação e a valorização do professor.

“Questões como formação de professores, Base Nacional Comum e conectividade são estratégicas e podem fazer o Brasil virar esse jogo”, afirmou Denis Mizne, diretor-executivo da Fundação Lemann.

“É fundamental rever os cursos de formação inicial e continuada, de maneira que os docentes estejam realmente preparados para os desafios da sala de aula (pesquisas mostram que os próprios professores demandam esse melhor preparo)”, disse Ricardo Falzetta, gerente de conteúdo do Movimento Todos pela Educação.

Para Mozart Neves Ramos, diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, parte da solução “passa também em superar a baixa atratividade dos jovens brasileiros pela carreira do magistério, ao contrário do que ocorre nos países que estão no topo do ranking mundial do Pisa. Nesses países, ser professor é sinônimo de prestígio social”.

Participação do Brasil

No país, a prova fica sob responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A amostra brasileira contou com 23.141 estudantes de 841 escolas, que representam uma cobertura de 73% dos estudantes de 15 anos.

Em cada edição, o Pisa dá ênfase a uma das três áreas. Na deste ano, o foco foi ciências. Em 2015, a nota do país em ciências caiu de 405, na edição anterior, de 2012, para 401; em leitura, o desempenho do Brasil caiu de 410 para 407; já em matemática, a pontuação dos alunos brasileiros caiu de 391 para 377. Cingapura foi o país que ocupou a primeira colocação nas três áreas (556 pontos em ciências, 535 em leitura e 564 em matemática).

Segundo o Inep, não existem “evidências empíricas” para afirmar que houve “diferenças estatisticamente significativas” entre a pontuação dos estudantes brasileiros nas três áreas do Pisa entre 2015 e as três últimas edições da prova (2012, 2009 e 2006).

De acordo com os dados, os resultados dos estudantes em ciências e leitura são distribuídos em uma escala de sete níveis de proficiência (1b, 1a, 2, 3, 4, 5 e 6). Em matemática, a escala vai de 1 a 6. De acordo com a OCDE, o nível mínimo esperado é o nível 2, considerado básico para “a aprendizagem e a participação plena na vida social, econômica e cívica das sociedades modernas em um mundo globalizado”.

No Brasil, em todas as três áreas, mais da metade dos estudantes ficaram abaixo do nível 2. Veja no gráfico:

Maioria dos brasileiros ficaram abaixo do nível básico de proficiência em todas as áreas do Pisa 2015 (Foto: Editoria de Arte/G1)Maioria dos brasileiros ficaram abaixo do nível básico de proficiência em todas as áreas do Pisa 2015 (Foto: Editoria de Arte/G1)

Maioria dos brasileiros ficaram abaixo do nível básico de proficiência em todas as áreas do Pisa 2015 (Foto: Editoria de Arte/G1)

Além disso, 4,38% dos alunos brasileiros ficaram abaixo até do nível mais baixo no qual a OCDE determina habilidades esperadas para os estudantes em ciências. Em leitura e matemática, esse índice foi de 7,06% e 43,74% em matemática (no caso, da matemática, porém, há seis níveis de proficiência, e não sete).

Participaram alunos de todos os estados brasileiros, mas, no Amapá e no Paraná, não houve um número mínimo de avaliações para garantir uma análise estatística ampla. Por isso, o Inep alerta que os dados referentes a estes estados sejam analisados com cautela.

Em ciências e leitura, o Espírito Santo foi o estado com a maior média (435 e 441 pontos, respectivamente). Em matemática, a média do Paraná foi a mais alta, com 406 pontos, e o Espírito Santo teve a segunda maior média: 405. Já Alagoas registrou a média mais baixa nas três áreas: 360 em ciências, 362 em leitura e 339 em matemática.

Para Ricardo Falzetta, do Todos pela Educação, os dados mostram dois problemas principais. “Em primeiro lugar, que os nossos jovens não estão aprendendo conhecimentos básicos e fundamentais para que possam exercer plenamente sua cidadania enquanto jovens e depois, enquanto adultos, realizando seus projetos de vida. Em segundo lugar, a pesquisa aponta novamente – como vemos em diversos outros estudos, inclusive os nacionais – as enormes disparidades entre as regiões.”

Veja abaixo os resultados do Brasil em cada área:

Ciências

A área de ciências foi o foco da prova neste ano. Os alunos foram avaliados de acordo com três competências científicas: explicar fenômenos cientificamente, avaliar e planejar experimentos científicos e interpretar dados e evidências cientificamente. De acordo com a OCDE, “um jovem letrado cientificamente está preparado para participar de discussões fundamentadas sobre questões relacionadas à Ciência, pois tem a capacidade de usar o conhecimento e a informação de maneira interativa”.

As perguntas variavam entre o nível de dificuldade (baixo, médio e alto), e as respostas podiam ser dissertativas, de múltipla escolha simples ou múltipla escolha complexa. Os temas de ciências envolvem os sistemas físicos, vivos e sobre a Terra e o espaço, e foram abordados nos contextos pessoal, local/nacional e global.

Em ciências, 43,4% dos estudantes obtiveram pelo menos o nível 2 da escala de proficiência, segundo os dados divulgados nesta sexta. A média do Brasil na área foi de 401 pontos. Desde 2009, o desempenho do Brasil estava estagnado em 405, e agora recuou quatro pontos.

Veja a evolução do Brasil em ciências nas últimas seis edições do Pisa (Foto: Editoria de Arte/G1)Veja a evolução do Brasil em ciências nas últimas seis edições do Pisa (Foto: Editoria de Arte/G1)

Desempenho em CIÊNCIAS:

  • Média dos países da OCDE: 493 pontos
  • Média do Brasil: 401 pontos
  • Brasil – rede federal: 517 pontos*
  • Brasil – rede privada: 487 pontos*
  • Brasil – rede estadual: 394 pontos
  • Brasil – rede municipal: 329 pontos**
    *Segundo o Inep, o desempenho médio dos estudantes da rede federal e da rede priva não é “estatisticamente diferente”
    **O Inep ressalta que a rede municipal tem pontuação inferior porque, na maioria das escolas, os estudantes ainda estão cursando o ensino fundamental

Os estudantes brasileiros que participaram do Pisa em 2015 apresentaram mais facilidade para interpretar dados e evidências cientificamente e mais dificuldade com a competência de avaliar e planejar experimentos científicos. As questões que tinham contexto pessoal foram mais fáceis tanto para brasileiros quanto para alunos de outros países: elas registraram um índice de acertos de 33,8% pelos estudantes do Brasil. As questões globais, por outro lado, só foram respondidas corretamente por cerca de 26% dos participantes.

“Apenas para ilustrar, se considerarmos os nossos resultados em ciências, atingimos 401 pontos, enquanto que os alunos dos países da OCDE obtiveram uma média de 493 pontos”, afirmou Mozart Neves, do Instituto Ayrton Senna. “É uma diferença que equivale a aproximadamente ao aprendizado de três anos letivos!”

De acordo com o Inep, “representam pontos fortes dos estudantes brasileiros, de modo geral, os itens da competência explicar fenômenos cientificamente, de conhecimento de conteúdo, de resposta do tipo múltipla escolha simples. Por outro lado, representam pontos fracos os itens da competência interpretar dados e evidências cientificamente, de conhecimento procedimental, de resposta do tipo aberta e múltipla escolha complexa”.

Leitura

O Pisa define o “letramento em leitura” como a capacidade de os estudantes entenderem e usarem os textos escritos, além de serem refletir e desenvolver conhecimentos a partir do contato com o texto escrito, além de participar da sociedade. A prova do Pisa avalia o domínio dos alunos em três aspectos da leitura: Localizar e recuperar informação, integrar e interpretar, e refletir e analisar.

Vários tipos de textos aparecem na prova, como os descritivos, narrativos e argumentativos, e há textos que apresentam situações pessoais, públicas, educacionais e ocupacionais.

No Pisa 2015, 50,99% dos estudantes ficaram abaixo do nível 2 de proficiência. A média de desempenho foi de 407 pontos. É a segunda queda consecutiva na área de leitura desde 2009.

Veja a evolução do Brasil em leitura nas últimas seis edições do Pisa (Foto: Editoria de Arte/G1)Veja a evolução do Brasil em leitura nas últimas seis edições do Pisa (Foto: Editoria de Arte/G1)

Desempenho em LEITURA:

  • Média dos países da OCDE: 493 pontos
  • Média do Brasil: 407 pontos
  • Brasil – rede federal: 528 pontos*
  • Brasil – rede privada: 493 pontos*
  • Brasil – rede estadual: 402 pontos
  • Brasil – rede municipal: 325 pontos**
    *Segundo o Inep, o desempenho médio dos estudantes da rede federal e da rede priva não é “estatisticamente diferente”
    **O Inep ressalta que a rede municipal tem pontuação inferior porque, na maioria das escolas, os estudantes ainda estão cursando o ensino fundamental

“Os estudantes brasileiros mostraram melhor desempenho ao lidar com textos representativos de situação pessoal (por exemplo, e-mails, mensagens instantâneas, blogs, cartas pessoais, textos literários e textos informativos) e desempenho inferior ao lidar com textos de situação pública (por exemplo, textos e documentos oficiais, notas públicas e notícias)”, avaliou o Inep, no documento divulgado à imprensa.

Matemática

A área de matemática do Pisa é onde o Brasil tem a pontuação mais baixa nas últimas cinco edições do programa. Porém, o país vinha registrando uma tendência de crescimento consistente. Na edição de 2012, o governo federal afirmou que o Brasil foi o país que mais evoluiu na pontuação média de matemática no Pisa. Porém, nesta edição, essa foi a área onde o Brasil teve a queda mais acentuada:

Veja a evolução do Brasil em leitura nas últimas seis edições do Pisa (Foto: Editoria de Arte/G1)Veja a evolução do Brasil em leitura nas últimas seis edições do Pisa (Foto: Editoria de Arte/G1)

Desempenho em MATEMÁTICA:

  • Média dos países da OCDE: 490 pontos
  • Média do Brasil: 377 pontos
  • Brasil – rede federal: 488 pontos*
  • Brasil – rede privada: 463 pontos*
  • Brasil – rede estadual: 369 pontos
  • Brasil – rede municipal: 311 pontos**
    *Segundo o Inep, o desempenho médio dos estudantes da rede federal e da rede priva não é “estatisticamente diferente”
    **O Inep ressalta que a rede municipal tem pontuação inferior porque, na maioria das escolas, os estudantes ainda estão cursando o ensino fundamental

“Os resultados do Brasil no Pisa são gravíssimos porque apontam uma estagnação em um patamar muito baixo. 70% dos alunos do Brasil abaixo do nível 2 em matemática é algo inaceitável. O Pisa é mais uma evidência do que vemos todos os dias nas escolas”, afirmou Denis Mizne, da Fundação Lemann.

Os conteúdos matemáticos avaliados na prova do Pisa são relacionados a quantidade; incerteza e dados; mudanças e relações; espaço e forma. A OCDE considera como capacidades fundamentais da matemática atividades como delinear estratégias, raciocinar e argumentar, utilizar linguagem e operações simbólicas, formais e técnicas e utilizar ferramentas matemáticas. Entre os processos matemáticos, o Pisa mede a habilidade dos estudantes de formular, empregar, interpretar e avaliar problemas.

De acordo com a avaliação do Inep, os estudantes brasileiros apresentaram “facilidade maior em lidar com a matemática envolvida diretamente com suas atividades cotidianas, sua família ou seus colegas”. Além disso, “o manuseio com dinheiro ou a vivência com fatos que gerem contas aritméticas ou proporções é uma realidade mais próxima dos estudantes do que, por exemplo, espaço e forma”, diz o órgão.

Entenda o Pisa

As provas do Pisa duram até duas horas e as questões podem ser de múltipla escolha ou dissertativas. Nesta edição, em alguns países, incluindo o Brasil, todos os estudantes fizeram provas em computadores. O exame é aplicado a uma amostra de alunos matriculados na rede pública ou privada de ensino a partir do 7° ano do ensino fundamental. Além de responderem às questões, os jovens preencheram um questionário com detalhes sobre sua vida na escola, em família e suas experiências de aprendizagem.

Do total de alunos da amostra brasileira, 77,7% estavam no ensino médio, 73,8% na rede estadual, 95,4% moravam em área urbana e 76,7% viviam em municípios do interior.

Estudantes de escolas indígenas, escolas rurais da região Norte ou escolas internacionais, além de alunos de escolas situadas em assentamentos rurais, comunidades quilombolas ou unidades de conservação sustentável não fizeram parte do estudo do Pisa. Segundo o Ministério da Educação, o motivo foram as dificuldades logísticas de aplicação da avaliação e o fato de certos grupos populacionais não terem necessariamente a língua portuguesa como língua de instrução.

Governo envia MP com reforma do ensino médio e propõe ampliar educação integral

O presidente Michel Temer assinou e encaminhou, nesta quinta-feira (22/09), ao Congresso Nacional, Medida Provisória (MP) para reestruturação do ensino médio que, quando aplicada, possibilitará que o aluno escolha diferentes trilhas de formação e formação técnica. O governo também anunciou plano de ampliar a educação integral a partir de 2017.

A intenção é que o ensino médio tenha, ao longo de três anos, metade da carga horária de conteúdo obrigatório, definido pela Base Nacional Comum Curricular – ainda em discussão. O restante do tempo deve ser flexibilizado a partir dos interesses do próprio aluno e das especificidades de cada rede de ensino no Brasil. Os alunos poderão escolher seguir algumas trajetórias: linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas. Já entre os conteúdos que deixam de ser obrigatórios nesta fase de ensino estão artes, educação física, filosofia e sociologia.

As mudanças pretendem favorecer, também, a aplicação dos conhecimentos em diversas áreas – inclusive no dia a dia dos alunos e na realidade do Brasil e do mundo. Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), até 2024, 50% dos matriculados cumprem jornada escolar em tempo integral de, no mínimo, sete horas por dia, somando 4,2 mil horas em todo o ensino médio.

De acordo com o ministro da Educação, Mendonça Filho, a pasta investirá R$ 1,5 bilhão para ofertar o ensino integral a 500 mil jovens até 2018. O tempo integral passará a ser fomentado a partir do ano que vem. “O tempo integral retira os jovens da vulnerabilidade nas grandes e médias cidades do Brasil e garante uma educação de qualidade”, disse.

Ao discursar durante o evento de assinatura da MP, o presidente Michel Temer garantiu que “não haverá redução das verbas para educação”. Segundo Temer, a reforma no ensino médio pretende fazer com que seja dado um “salto de qualidade na educação brasileira”.

A expectativa é de que essas mudanças comecem a ser aplicadas a partir de 2017, de acordo com a capacidade de cada rede de ensino. Conforme Mendonça, não há prazo de implementação para a reforma, mas a primeira turma deve ingressar no novo modelo em 2018.

A reforma do ensino médio passou a ser priorizada pelo governo após o Brasil não ter conseguido, por dois anos consecutivos, cumprir as metas estabelecidas. De acordo com dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede a qualidade do ensino no país, o ensino médio é o que está em pior situação quando comparado às séries iniciais e finais da educação fundamental: a meta do ano era de 4,3, mas o índice ficou em 3,7.

Atualmente, o ensino médio tem 8 milhões de alunos, número que inclui estudantes das escolas publica e privada. Segundo o Ministério da Educação, enquanto a taxa de abandono do ensino fundamental foi de 1,9%, a do médio chegou a 6,8%. Já a reprovação do fundamental é de 8,2%, frente a 11,5% do médio.

Projeto de lei que tramitava na Câmara dos Deputados já previa algumas das mudanças no currículo do ensino médio. A edição de medida provisória foi criticada por grupos e entidades ligadas à educação, que defendem uma maior discussão das mudanças.

No discurso de anúncio medida, Mendonça Filho rebateu as críticas: “Quando se fala em educação, muitas ou algumas vozes se levantam para dizer: ‘que pressa é essa?’. Pressa de termos crianças e jovens relegados à educação pública de baixa qualidade, comprometendo seus futuros e suas vidas. Não podemos ser passivos e tolerantes diante de um quadro como esse”.

Quinto dia de ocupação da coordenadoria estadual de educação

Marcus Pinheiro
Foto: Tércio Teixeira

Permanece a ocupação do prédio da Coordenadoria Regional de Educação do Estado em Campos, que completa cinco dias nesta sexta (27). Os professores que continuam no local informaram que o movimento poderia ter sido encerrado na manhã dessa quinta (26) caso a secretaria de Estado de Educação (Seeduc) tivesse acatado a proposta enviada na última quarta-feira. O movimento foi mantido por tempo indeterminado devido ao não posicionamento oficial da secretaria.

Como condição, os manifestantes exigem que a Seeduc emita uma circular informativa esclarecendo quanto ao cumprimento do ano letivo nas escolas em greve, a proibição de transferências de alunos da rede estadual de ensino no período de paralisação e a inibição das classes. Enquanto o impasse entre os profissionais e o Estado não é solucionado, os professores continuam na sede da Regional Norte Fluminense sem energia, água e alimentos.

De acordo com a representante do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ), Graciete Santana, as transferências de alunos das escolas ocupadas ou em greve estão ocorrendo de forma massiva nos últimos dias. Desta forma, segundo ela, quando as aulas forem retomadas, os professores podem ter as matriculas transferidas para outras unidades devido a diminuição do número de estudantes.

Graciete informou ainda que durante a tarde da última quarta-feira (25) os ocupantes aguardaram um posicionamento da Seeduc, que, segundo ela, havia se comprometido a emitir a circular informativa como um sinal de negociação com a classe. No entanto, como o não houve posicionamento oficial do órgão, a ocupação foi mantida até a próxima segunda-feira, quando haverá nova assembleia. Na manhã desta sexta, havia, na frente do prédio ocupado, 12 barracas e cinco viaturas policiais

Diretoria regional de educação é ocupada

Raquel Nunes

Foto: Tércio Teixeira

Professores, alunos e representantes do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ) ocupam, desde a manhã desta segunda-feira (23), a Diretoria Regional de educação em Campos dos Goytacazes.

Cerca de 20 pessoas já estão na sede, localizada na rua 1° de maio, no Centro. Os manifestantes informaram que a ocupação visa chamar atenção para as reivindicações de melhorias que os funcionários vêm solicitando para a rede Estadual de Educação.

De acordo com Graciete Santana, eles pretendem ficar no local até que tenha alguma negociação.

— Vamos ficar aqui por tempo indeterminado, até que tenha a resposta ou uma negociação. Nenhum dos pontos que estamos solicitando tem pauta econômica, então todos eles são possíveis de serem resolvidos em um prazo de 24h. Porque do mesmo jeito que se exonera um secretário de educação e se nomeia outro, então a exoneração das professoras pode sair amanhã —, disse a coordenadora geral do SEPE Campos.

Graciete frisa a participação dos alunos durante os atos. “É muito importante o apoio dos alunos, durante a nossa greve, a nossa luta e o que faz é somar com a luta deles também”.

O órgão ocupado faz parte da administração pública estadual e é responsável pela administração de onze municípios da região.

Greve continua sem previsão para terminar em Campos

Aldir Sales
Foto: Rodrigo Silveira

A greve dos rodoviários de duas empresas chega a um mês e seis dias nesta sexta (12), e o impasse continua sem perspectiva de ser resolvido. Os funcionários da Turisguá e São Salvador estão parados desde o último dia 6 de abril e reivindicam o pagamento dos salários atrasados de dois meses, além da segunda parcela do 13º, no caso da São Salvador.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Campos, Roberto Virgílio, as empresas e os funcionários continuam sem chegar a um acordo e não há previsão para que o serviço seja normalizado. Enquanto isso, apenas 30% da frota das duas empresas, percentual mínimo determinado por lei, está circulando.

Inicialmente, os rodoviários da São João também entraram em greve pelo mesmo motivo. No entanto, no último dia 28 de abril, os trabalhadores fecharam um acordo com a empresa e retornaram ao serviço. O trato previa o pagamento das duas parcelas de salários atrasados até a última sexta-feira, mediante ao retorno imediato de 100% da frota.

Enquanto isso, a população, principalmente dos distritos e localidades da Baixada Campista, continuam enfrentando a falta de ônibus e vans lotadas para chegarem ao Centro de Campos.

Após uniformes no lixo, licitação para compra

Suzy Monteiro
Foto: Reprodução

A denúncia de um pai a respeito de desperdício de uniformes de escolas da rede municipal foi repercutida, ontem, pelo vereador Fred Machado (PPS). Segundo ele, um pai de aluno encaminhou um vídeo mostrando uniformes colocados em uma caixa para serem jogados no lixo. Semana passada, a Prefeitura de Campos divulgou licitação para compra de camisas destinadas a alunos da rede municipal. A Folha da Manhã encaminhou questionamento à superintendência de Comunicação da Prefeitura de Campos sobre o assunto, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.

— Dois meses atrás um pai de aluno da rede municipal encaminhou esse vídeo onde ele encontrou na porta de um galpão onde guardava os ônibus escolares da Prefeitura essas camisas (uniformes escolares da rede municipal) embolorados e colocados em uma caixa para irem para o lixo. Agora a Prefeitura vem fazer licitação para comprar camisas para uniformes escolares? Onde está a responsabilidade pelo dinheiro público? E a crise? — questionou o vereador em rede social.

Já na última sexta-feira, a secretaria municipal de Gestão de Pessoas e Contratos divulgou em Diário Oficial, aviso de remarcação de licitação do Pregão Presencial Nº 012/2016. De acordo com o aviso, o Pregão tem como objeto “Registro de preços para futura e eventual aquisição de uniformes escolares (camisa) para atender as necessidades da rede municipal de ensino”.

Professores do Liceu em ato no Centro

Fotos: Bárbara Cabral

Segurando cartazes e distribuindo panfletos, pelo menos 10 professores do Liceu de Humanidades de Campos realizaram um ato na manhã desta terça-feira (10), no Centro de Campos. A ação, em apoio à greve nas unidades escolares estaduais, teve início às 8h30, no Boulevard Francisco de Paula Carneiro, de onde os professores seguiram para a praça do Santíssimo Salvador. O principal objetivo do ato, segundo o professor de Geografia Rafael Neves, é “esclarecer a população sobre o real motivo da greve”. Cerca de 20 alunos ainda ocupam o Liceu de Humanidades em sistema de rodízio.

Segundo Rafael, os professores estão lutando por melhores condições de trabalho para beneficiar os estudantes. “Queremos deixar claro que o ato de hoje é separado do movimento de ocupações, apesar de também o apoiarmos. Existe uma parcela da população achando que a greve é só uma questão salarial. Queremos sim que o governador resolva a situação dos salários atrasados, a contribuição do Previ-Rio, entre outros assuntos, mas existem questões urgentes que a coordenadoria já poderia ter resolvido, como as questões estruturais, que interferem no dia a dia escolar e estão deixando passar batido”, esclareceu o professor.

Os professores informaram que as escolas estão sem condições de funcionar, tanto para os professores, quanto para os alunos, devido às condições precárias e à falta de segurança. “O Liceu de Humanidades de Campos é uma unidade com um total de 2.500 alunos. Como controlamos a entrada de pessoas e garantimos a segurança deles se não há porteiro? Como os professores aplicam provas e atividades, se não há papel? Além disso, também não temos mais funcionários de limpeza. Até o ano passado, mesmo com salários atrasados, eles trabalhavam em sistema de rodízio. Este ano, o contrato foi encerrado, e agora? Quem faz a limpeza? O Liceu é uma unidade grande, que funciona de manhã, tarde e noite. Não há condições de trabalhar em um ambiente completamente sujo”, disse.

Em Campos, oito escolas seguem ocupadas: Escola Técnica Estadual João Barcelos Martins e Instituto Superior de Educação Professor Aldo Muylaert (Isepam), ambas da rede Faetec, Escola Estadual Nelson Pereira Rebel, Colégio Estadual José do Patrocínio (Cejopa), Liceu de Humanidades de Campos, Colégio Estadual Thieres Cardoso, Colégio Paula Barroso e Colégio Estadual General Dutra.

Nº de brasileiros estudando nos EUA cresce 78% em um ano, diz ONG

O número de universitários brasileiros estudando nos Estados Unidos cresceu 78% entre 2013 e 2014, fazendo com que o Brasil pulasse da 10ª para a 6ª posição no ranking de países que mais enviam intercambistas para os EUA. Segundo o relatório anual Open Doors, do Instituto de Educação Internacional (IIE, na sigla em inglês), divulgado nesta segunda-feira (16), entre os 25 países no topo desta lista, nenhum cresceu a uma velocidade tão alta quanto o Brasil.

Segundo o instituto, no ano letivo de 2014-2015 os Estados Unidos registraram 23.675 brasileiros matriculados no ensino superior americano. No ano letivo anterior, o número era de 13.286. Os brasileiros atualmente representam 2,4% do total de estudantes estrangeiros nos EUA.

O IIE creditou esse aumento, mais uma vez, ao programa Ciência sem Fronteiras (CSF), criado pelo governo federal em 2011. Mas também lembrou o “interesse crescente” dos estudantes brasileiros em se matricular em instituições americandas.

O relatório faz parte de um censo anual que o IIE conduz desde 1919, e desde 1972 a pesquisa é feita em parceria com o setor de Educação e Assuntos Culturais do Departamento de Estado americano.

6ª posição no ranking
Atualmente, o Brasil ultrapassou o México, o Vietnã, o Japão e Taiwan, e está atrás apenas de cinco países em quantidade de intercambistas: China, Índia, Coreia do Sul, Arábia Saudita e Canadá

“O Brasil subiu para o número seis entre os países de origem [dos estudantes] (comparado ao número 10 no ano anterior), refletindo o terceiro ano letivo completo de estudantes de graduação vindo aos Estados Unidos com bolsa de estudos do programa de mobilidade científica do governo brasileiro, além de um interesse crescente de estudar nos EUA entre os alunos brasileiros”, afirmou a entidade, em um comunicado.

A procura por universidades e faculdades americanas como destino de graduação de brasileiros não caiu por causa da alta do dólar neste ano. Em setembro, o Consulado dos Estados Unidos em São Paulo registrou umaparticipação recorde de 86 instituições americanas participando da edição de São Paulo da EducationUSA, a maior feira de intercâmbio do governo americano.

À época, o cônsul-geral, Ricardo Zuniga, afirmou que “o Brasil é muito importante e está se tornando mais importante para as instituições de ensino superior americanas”.

Americanos no Brasil
O número de estudantes dos Estados Unidos matriculados em instituições brasileiras, porém, não seguiu o mesmo ritmo de crescimento. Entre os anos letivos de 2012-2013 e de 2013-2014 (o IIE sempre publica as estatísticas sobre os americanos com um ano de atraso), a quantidade de matrículas de alunos americanos no Brasil ficou estagnada (foi de 4.223 para 4.226).

O Brasil representa o 15º país na opção de destino dos intercambistas americanos (no ano passado, ele ocupava a 14ª colocação). No mesmo período, a África do Sul, a Argentina e a China registraram queda na entrada de estudantes americanos, de 6,9%, 5,5% e 4,5%, respectivamente.

Quase um milhão de estrangeiros
No período de um ano, o IIE registrou um aumento de 88 mil estudantes estrangeiros nos Estados Unidos, e o número total chegou a 974.926 intercambistas. Isso representa um avanço de 10%, e o número de estrangeiros já responde por 4,8% do total de 20,3 milhões de universitários nos EUA – essa é a porcentagem mais alta em pelo menos 11 anos, de acordo com os dados.

Califórnia continua, de longe, o estado com mais intercambistas: eles eram 135.130 em 2014-2015, um aumento de 11,1% em relação ao ano anterior. O segundo estado é Nova York, com 106.758 estudantes de fora dos EUA. O Texas veio em terceiro lugar, com 75.888 intercambistas.

 

Fonte: G1.com

Gabarito da primeira fase do vestibular da Unesp 2016 é divulgado

 

Gabarito da primeira fase da Unesp 2016 (Foto: Reprodução)

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) divulgou no começo da noite deste domingo (15) o gabarito da prova da primeira fase do vestibular 2016. Foram 90 questões de múltipla escolha, sendo 30 de linguagens, 30 de ciências humanas e 30 de ciências da natureza.

O caderno de questões também foi divulgado (clique aqui para baixar). Os organizadores fazem a ressalva de que a versão 1 do gabarito é relacionada ao caderno de questões divulgado para imprensa e cursinhos, e que “o candidato deve sempre consultar pelo site da Vunesp para saber sua versão de prova correta”.

Ao todo, 103.677 candidatos estavam inscritos. De acordo com os organizadores, o índice de ausência ficou em 8,3%.

O exame foi aplicado em 31 cidades paulistas (além das 23 onde há cursos, os exames ocorrerão em Americana, Campinas, Guarulhos, Jundiaí, Piracicaba, Ribeirão Preto, Santo André e Sorocaba) e ainda em Brasília (DF), Campo Grande (MS) e Uberlândia (MG).  A segunda fase será aplicada nas mesmas cidades, nos dias 13 e 14 de dezembro.

Os portões foram fechados às 14h. As cidades para as quais há oferta de carreiras neste vestibular são Araçatuba (170 vagas), Araraquara (855), Assis (405), Bauru (1.045), Botucatu (600), Dracena (80), Franca (400), Guaratinguetá (310), Ilha Solteira (310), Itapeva (80), Jaboticabal (280), Marília (475), Ourinhos (90), Presidente Prudente (640), Registro (40), Rio Claro (490), Rosana (80), São João da Boa Vista (40), São José do Rio Preto (460), São José dos Campos (120), São Paulo (185), São Vicente (80) e Tupã (120).

Escolas públicas 
Neste ano cerca de 3.300 alunos oriundos de escolas públicas foram aprovados em cursos da Unesp. No vestibular 2016, o Sistema de Reserva de Vagas para a Educação Básica Pública (SRVEBP) garante um mínimo de 35% das vagas de cada curso para alunos que tenham feito todo o ensino médio em escola pública. Até o vestibular 2018 essa proporção deve chegar a 50%.

 

Fonte: G1.com

Como elaborar um bom currículo?

Quem busca por uma colocação no mercado ou por novas oportunidades profissionais precisa estar atento na hora de redigir o currículo. Porta de entrada do candidato para o mercado de trabalho, ele deve ser objetivo, conter informações sobre as experiências do profissional e estar de acordo com o cargo a que se destina. Além disso, deve ter estrutura limpa, bem organizada e passar por minuciosa revisão antes de ser enviado.

Você sabe o que não pode faltar em um bom currículo? E o que é dispensável? Habilidades, pontos positivos, formação acadêmica… Confira algumas dicas de como elaborá-lo de forma clara para aumentar as suas chances de ser selecionado.

Dados Pessoais

Nome completo, idade e estado civil devem aparecer logo no início do documento. É fundamental incluir também telefone e e-mail para que a empresa possa contatá-lo facilmente.

Objetivo

Seu objetivo profissional deve ser descrito em apenas uma linha, abordando somente o cargo e a área de interesse. Evite indicar mais de uma área em um mesmo currículo.

Formação acadêmica

Coloque o nome da instituição de ensino, curso e datas de início e término dos cursos que frequentou, apresentando-os por ordem de importância (pós-graduação, graduação etc.). Cursos técnicos só devem ser citados se tiverem relação com a área pretendida ou se você não possuir curso de graduação.

Experiência profissional

Mencione nome da empresa, cargo, período de atuação e suas atribuições de forma sucinta. Mas esteja atento para a descrição das atividades desenvolvidas, pois é através deste item que o selecionador conhecerá o seu potencial. Coloque-as, se possível, em forma de itens para facilitar a avaliação.

Cite apenas o idioma e o nível de conhecimento que possui. Se você estiver estudando algum, deixe isso claro no currículo. Lembre-se que se for necessário para o cargo, você será testado e deverá comprovar o nível declarado.

Informática

Coloque o nível real de seu conhecimento técnico das ferramentas de informática e internet. Seja sincero, pois quando as vagas necessitam de algum programa específico, testes podem ser aplicados.

Cursos

Cite apenas os cursos relacionados à área de interesse. Coloque o tema e o nome das instituições onde foram realizados.

Lembre-se:

– O currículo deve ter, no máximo, duas páginas com as informações necessárias para o cargo.

– Coloque foto somente se for exigência para a vaga desejada. Neste caso, ela deve ser 3×4, ter boa qualidade e priorizar uma postura profissional.

– Para quem busca o primeiro emprego, vale ressaltar no currículo as experiências na faculdade, estágios, cursos, trabalhos voluntários, habilidades e aptidões.

 

Fonte: R7.com