O Superporto do Açu, em construção no litoral de São João da Barra, está mudando de mãos. A assessoria da LLX, do empresário Eike Batista, confirmou ontem, em nota, que a empresa assinou “Termo de Compromisso com o Grupo EIG (EIG Management Company LLC — em nome dos fundos sob sua gestão ou coinvestidores)”. O documento, segundo a empresa, prevê investimento de R$ 1,3 bilhão na companhia por meio de participação em operação de aumento de capital privado. “Quando a operação for concluída, o Grupo EIG se tornará o novo acionista controlador da LLX. O atual acionista controlador (Eike) deixará de integrar a administração da companhia, mas continuará a ser um acionista relevante e preservará o direito de indicar um membro do conselho de administração da LLX”, informou a nota, confirmando o processo de venda para a americana EIG. Segundo o blog Ponto de Vista, hospedado na Folha Online e assinada por Christiano Abreu Barbosa, o grupo já investiu cerca de R$ 1,86 bilhão no porto desde o início do desenvolvimento do projeto.

A empresa informou também que a operação iniciada nessa quarta-feira (14) ainda está sujeita a condições precedentes, “como a celebração dos contratos definitivos, aprovações regulatórias e societárias aplicáveis, além da finalização de due diligence pelo Grupo EIG”. A LLX também informou que o Grupo EIG é um investidor de longo prazo e que tem ativo nos setores de energia e infraestrutura, que atua no Brasil no setor de energia. “A administração da companhia e seus parceiros compartilham da mesma visão de que existem poucos exemplos no mundo de projetos cujas características sejam tão favoráveis quanto o Superporto do Açu”, disse Blair Thomas, do Grupo EIG.

Ainda segundo a assessoria, os recursos do aumento de capital resultado da assinatura de ontem, somados às linhas de crédito existentes, deverão prover a companhia com os recursos necessários na execução do plano de investimento na construção do Superporto do Açu e reforçar a estrutura de capital. “Este compromisso assumido pelo Grupo EIG confirma a capacidade de atração de grandes investidores internacionais pela LLX, além das vantagens competitivas e importância estratégica do Superporto do Açu para o Brasil”, afirmou Marcus Berto, diretor presidente da LLX.

Ações já têm até o preço fixado

Ainda de acordo com a nota enviada pela assessoria da LLX, as ações que serão emitidas em decorrência do aumento do capital terão o preço de emissão fixado em R$ 1,20. Será conferido aos acionistas minoritários, na forma do art. 171 da Lei nº 6.404/76, o direito de preferência para participação no aumento de capital. Sujeito ao cumprimento das condições precedentes já descritas, o Grupo EIG se comprometeu a subscrever a totalidade das ações que poderiam ser subscritas pelo acionista controlador, que cederá gratuitamente seu direito de preferência ao Grupo EIG. Além disso, o Grupo EIG se comprometeu a subscrever a totalidade das ações não subscritas pelos acionistas minoritários, até o limite total de subscrição no montante de R$ 1,3 bilhão.

A EIG é uma instituição líder no setor de energia global, com US$ 12,8 bilhões sobre gestão em 30 de junho de 2013. Especializou-se em investimentos privados nos setores de energia e recursos relacionados à infraestrutura. Em seus 31 anos de história, a EIG já investiu mais de US$ 15 bilhões no setor através de mais de 280 projetos ou companhias em mais de 33 países em seis continentes. Entre seus clientes, a EIG tem fundos de pensão, companhias seguradoras, fundações, fundos soberanos nos Estados Unidos, Ásia e Europa. A matriz do EIG fica localizada em Washington DC, com escritórios em Houston, Londres, Sidney, Hong Kong e Rio de Janeiro.

Reação positiva sobre a venda

O presidente da representação regional da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Geraldo Coutinho, afirmou ontem que, embora a mudança de mãos o tenha pegado de surpresa, o importante é que o empreendimento siga em frente e seja consolidado, pela importância que representa para o desenvolvimento regional. “Embora tenha sido pego de surpresa, digo que o importante é que o empreendimento siga em frente. Pouco importa quem esteja à frente, se Eike ou outros empresários. Importa é que o porto representa uma oportunidade de crescimento para nossa região, sem paralelo. Importante é que ele se consolide, que aconteça e comece a operar o mais rápido possível”, disse o representante da entidade.

Ontem, em seu perfil no Facebook, o secretário municipal de Fazenda de São João da Barra, Ranulfo Vidigal, afirmou que o mercado teria aprovado satisfatoriamente a mudança de mãos do Superporto. “O mercado financeiro recebeu muito bem a notícia da mudança patrimonial na LLX — proprietária do Porto do Açu. As ações da empresa subiram quase 30% nos últimos dois pregões na Bolsa de São Paulo. A interpretação é que agora o terreno fica desimpedido para dar sequência às intervenções necessárias para consolidar a unidade portuária. Para o Norte Fluminense é um alívio”, afirmou Ranulfo.

Fonte: Folha da Manhã

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