Casos de zika chegam a 1.600

Mário Sérgio Junior
Fotos: Michelle Richa e Secom-Campos

Embora Campos não tenha registrado casos de dengue nos meses de maio e junho, o mosquito Aedes aegypti ainda merece atenção de toda a população por conta do zika vírus e da chikungunya. Segundo último balanço divulgado pela secretaria de Saúde, o município registrou em 2016, até o momento, 1.600 casos suspeitos, sendo 190 em gestantes. Desse total, 33 foram confirmados, sendo 31 em gestantes. Já os casos de chikungunya, 48 são suspeitos e 31 confirmados. De acordo com o diretor do Centro de Referência de Doenças Imunoinfecciosas (CRDI), Luiz José de Souza, Campos também registra 10 casos suspeitos de microcefalia que podem ter ligação com o zika e que até o final do ano, pelos seus cálculos, o município pode registrar 50 casos de microcefalia até o final do ano.

Sobre os casos de dengue, a secretaria de Saúde informou que há 8.654 suspeitas e 1.163 confirmações. Em janeiro foram confirmados 638 casos de dengue, em fevereiro 314, em março 148 e em abril 63.

Em relação às gestantes com zika, Luiz José de Souza explicou que o programa que assiste elas tem feito um papel primordial. “O programa que tem assistido as gestantes com zika está ótimo. O pré-natal é feito no Hospital Plantadores de Cana e na hora do parto, quando o bebê tem microcefalia, a placenta,o cordão umbilical e o sangue são separados e enviados para a Fiocruz, que ajuda no diagnóstico. Já nasceram algumas crianças com microcefalia em Campos e estamos aguardando os resultados dos exames para saber se há relação com o zika vírus. Mas também já tivemos casos de gestante com zika que tiveram bebês normais”, disse ao acrescentar que no momento a preocupação é com as grávidas.

Ele ressaltou que, embora a dengue tenha estabilizado o número de novos casos, a população não pode relaxar no combate aos possíveis criadouros do mosquito. “Devemos manter o alerta porque o zika vírus e a chikungunya, assim como a dengue, vieram para ficar. Então, todo cuidado deve permanecer durante todo o ano. A limpeza nos quintais é muito importante, assim como outros cuidados. O uso do repelente também é recomendado, principalmente para as grávidas.

Dados do RJ — A superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que no período de janeiro até o fim do mês passado foram notificados 64.167 casos suspeitos de dengue no estado do Rio de Janeiro, com quatro óbitos confirmados. Já de zika foram notificados 45.991 casos suspeitos. Segundo a SES, desde a primeira semana de março o número de casos notificados de Zika vem declinando, evidenciando uma desaceleração da transmissão da doença no estado do Rio de Janeiro. De chikungunya, até o dia 30 de maio, foram notificados 4.177 casos suspeitos. Destes, 2.276 foram confirmados, sendo dois óbitos.

Prefeitura tem feito mutirões contra mosquito

Para amenizar os casos de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, a Prefeitura de Campos tem feito uma série de mutirões em diversos bairros. O último aconteceu na Pecuária.

De acordo com o vice-prefeito Doutor Chicão, coordenador do mutirão, mais de 300 servidores atuaram na ação, entre agentes da Fundação Municipal da Infância e da Juventude, do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana, Superintendência de Limpeza Pública e Coordenadoria de Defesa Civil, fiscais da Superintendência de Postura Municipal e supervisores de bairro.

Segundo o secretário de Saúde, Geraldo Venâncio, durante os mutirões, somente este ano, mais de 2.380 toneladas de entulhos foram recolhidas. “Diversos bairros e distritos já receberam a mobilização este ano, como Parque Cidade Luz, Vila Nova, Morro do Coco, Goitacazes, Novo Jóquei, Jardim Carioca, Santa Maria, Santo Eduardo, entre outros”, destacou.

Avaliado teste rápido para diagnosticar vírus

O teste rápido para diagnosticar o vírus Zika desenvolvido pela BahiaFarma passará por avaliação de qualidade. Todos os exames de diagnósticos oferecidos pela rede pública de saúde devem ser aprovados pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade (INCQS). Somente depois dessa análise que o produto poderá ser incorporado ao SUS. Na última segunda-feira, o laboratório público apresentou a nova tecnologia ao ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante sua visita a Salvador, na Bahia.

O teste da Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico (BahiaFarma), permite identificar anticorpos na corrente sanguínea (técnica IgM) e também consegue verificar se a pessoa já teve infecção pelo Zika em algum momento da vida (técnica IgG). O produto desenvolvido pelo laboratório público, que é vinculado à Secretaria Estadual de Saúde da Bahia, já foi registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pode ser comercializado na rede privada.

Caso seja aprovado no controle de qualidade, o teste será analisado por uma comissão específica do Ministério da Saúde, capacitada para avaliar a eficácia, segurança e custo benefício dos produtos, garantindo assim as melhores escolhas para o funcionamento do sistema público de saúde e a proteção da população.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, ressaltou a importância no desenvolvimento de novas tecnologias que beneficiam diretamente a população. “Esse teste oferece um resultado rápido que permite saber se a pessoa já foi infectada pelo Zika e assim já estaria imunizada. Assim que tivermos a confirmação de qualidade do teste poderemos fazer a negociação de quantidade e valores para podermos consolidar este kit para nossa rede de saúde pública”, concluiu Barros.

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